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Prevenção & Saúde

*Por Dr. Pedro Pablo Komlós

Se o objetivo deste artigo fosse avaliar os impactos da pandemia sobre a Medicina e sobre a cirurgia vascular no ano de 2020, passaríamos a relatar o que já assistimos.

Como podemos resumir o ano da Covid sob o ponto de vista de uma perspectiva histórica ampla?

O terrível custo do coronavírus poderia demonstrar o despreparo da humanidade diante do poder da natureza. Na verdade, 2020 mostrou que a humanidade está longe de ser despreparada. As epidemias não são mais forças incontroláveis da natureza. A ciência as transformou em um desafio administrável. Em 10 de janeiro do ano passado, os cientistas não só isolaram o vírus causador, mas também sequenciaram seu genoma e publicaram as informações. Demorou alguns meses para que o coronavírus se espalhasse pelo mundo e infectasse multidões. Alguns meses depois, foram descritas algumas das medidas que poderiam desacelerar e interromper as cadeias de infecção. Em pouco tempo, muito menos de um ano, várias vacinas, aparentemente eficazes, estavam em produção em massa. Na guerra entre humanos e patógenos, nunca os humanos foram tão rápidos e poderosos.

A tecnologia da informação foi vital desde o início do processo. No passado, deter as epidemias era praticamente impossível porque os humanos não podiam monitorar as cadeias de infecção em tempo real e porque o custo econômico dos bloqueios prolongados era proibitivo. Em 1918, você podia colocar em quarentena as pessoas que contraíam a temida gripe espanhola, mas não podia rastrear os movimentos de portadores pré-sintomáticos ou assintomáticos. E se você ordenasse que toda a população de um país ficasse em casa por várias semanas, isso teria resultado em ruína econômica, colapso social e fome em massa.

A vigilância digital tornou muito mais fácil monitorar e localizar os pacientes-chave. Com isso, a quarentena pôde ser mais seletiva.

Mas todos os sucessos sem precedentes da ciência não resolveram a crise da Covid-19. A pandemia passou a ser vista como uma calamidade natural. Simultaneamente, surgia um verdadeiro dilema político. Na Peste Negra, responsável pela morte de milhões, ninguém atribuiu responsabilidade maior aos monarcas. Apesar da morte de um terço dos ingleses, o rei Eduardo III não perdeu o reinado. A solução estava muito além das pessoas.

Atualmente, a ciência dispõe de ferramentas para deter a pandemia. Inúmeras e variadas nações, do oriente à Oceania, demonstraram seu poder de deter a epidemia, mesmo antes de dispor de vacina. Essas ferramentas, no entanto, têm um alto preço econômico e social. Muitos dirigentes acreditam que poderiam vencer o vírus. Mas têm dúvidas se estão dispostos a pagar o preço dessa conquista. Esse é o grande ônus dos políticos nos dias atuais.

Alguns países mais organizados ou eventualmente menores tiveram um desempenho notável na condução da tragédia. Mas a humanidade, constituída de fronteiras intermináveis e facilmente acessíveis, não conseguiu conter a pandemia e nem sequer estabelecer um projeto global para reconquistar a liberdade superando definitivamente o vírus. Assistimos, no início de 2020, a um acidente em câmera lenta. As comunicações eficientes nos permitiram assistir a tragédia em tempo real, iniciando em Wuhan e passando em seguida pela Espanha, Itália e depois pelo mundo todo, incluindo o Brasil. Tardiamente, se decidiu timidamente pelo início do fechamento de fronteiras. Mas já era tarde.

De acordo com o escritor Israelense Yuval Noah Harari, muito mais fácil do que achar soluções atuais, sempre foi discutir o que já passou. Os acontecimentos de 2020 certamente haverão de render muita repercussão pelas próximas décadas. Porém, uma coisa é certa, os políticos de todas as características deverão refletir muito sobre três aspectos fundamentais:

Primeiro, vamos manter muito claro que a infraestrutura digital foi nossa tábua de salvação. Deve ser protegida a todo custo. Ela representa nossa primeira proteção.

Em segundo lugar, o sistema público de saúde deve merecer um investimento exemplar e prioritário. Parece óbvio, mas nem sempre oferece aos políticos a notoriedade desejada.

Terceiro, o mundo deve agir em conjunto no sentido de monitorar e, a partir daí, evitar a disseminação de epidemias e sua transformação numa pandemia global. Na guerra eterna entre seres humanos e agressores biológicos, a linha de frente passa pelo corpo de cada ser humano. Essa linha é fundamental. Sendo partida em qualquer canto do nosso mundo, todos estarão em perigo. Simplesmente, a leitura do que aconteceu. Esse fenômeno aproxima as diferentes camadas sociais. Ricos de países muito desenvolvidos passam a ter especial interesse em proteger aos menos favorecidos de países até muito primitivos, buscando sua própria segurança. Se um novo patógeno saltar de um primata, no ermo do mundo para algum humano, em dias, poderá estar na Avenida Paulista.

Essas foram, basicamente, as árduas tarefas da Medicina em 2020. Os vasculares, acompanhando esse mergulho científico radical, começaram a identificar as complicações circulatórias do vírus. Ao se aprofundar, foram desenvolvendo as melhores terapêuticas para debelar essas intercorrências, frequentemente graves.

No campo das doenças vasculares, um trabalho científico, publicado em 2021, analisando os resultados em 1.195 artigos, encontrou um percentual muito elevado de 25% de fenômenos de trombose venosa em pacientes internados, aumentando para 48% em 14 dias, mesmo com o uso da anticoagulação.

Embora as tromboses arteriais tivessem sido menos frequentes, ocorrendo em 1 a 16% dos pacientes, suas consequências foram muito mais graves levando a amputações e até morte, mesmo em indivíduos mais jovens.

Mas todo esse extenso texto serviu apenas para fazer um retrospecto sumário do filme real que passou diante dos nossos olhos. E agora, como antecipar ou prever o que nos espera? Aqui no Brasil, em dezembro voltamos a acreditar que Deus seria realmente brasileiro. Assistimos o despencar melodioso dos casos de covid 19. Cheios de esperança e carentes de uma liderança nacional que nos conduzisse, muitos acreditaram piamente que a pandemia se afastava por decreto. Voltaram a se aglomerar, abandonaram as desconfortáveis máscaras e nosso “Mistério” da Saúde não se empenhou como deveria na aquisição de vacinas necessárias para atender este país continental.

Estamos em março. A pandemia explodiu como nunca. A Medicina se defronta com desafios inusitados, tendo que escolher quais pacientes receberão tratamento intensivo e urgente antes. Não há mais leitos. E agora o governo busca inútil e desesperadamente fontes fornecedoras de vacina. Enquanto isso vão surgindo as novas cepas do vírus, resistentes a tudo que já existe.

Então, e sobre as perspectivas futuras da Medicina e da especialidade vascular? A Medicina, aliada à ciência e tecnologia, precisa desenvolver imunizantes capazes de controlar o vírus chinês original, incluindo as variantes regionais. O original seria ironicamente efêmero como muitos produtos, mas as variantes nacionais se prolongariam também com ironia ao som da música de carnaval.

Além desse esforço imunizador, obtido, como dissemos anteriormente, em tempo recorde, a Medicina precisa desenvolver terapêuticas cientificamente comprovadas e eficazes para tratar precocemente o coronavírus e também para alcançar suas complicações secundárias. É importante lembrar que a infecção viral desaparece rapidamente como as causadas por influenza. Porém, o grave, e que permanece por mais tempo, são as complicações secundárias sobre diferentes órgãos. Destaca-se como principal a degeneração pulmonar.

Nós, os vasculares, seremos muito mais exigidos para acompanhar e tratar a grande quantidade de complicações circulatórias. Ainda não conhecemos seu mecanismo de ação, mas precisamos estar atentos para tratá-las precocemente.

Tudo que discutimos diz respeito ao atendimento dessa inusitada enfermidade e sua cruel consequência, a pandemia 2020/21. Por fim, faltou destacar as dificuldades relativas à Medicina geral e comum, não covid. Tanto pacientes como terapeutas procuram evitar todas as terapias passíveis de adiamento. Correções estéticas, doenças menos graves e até mesmo enfermidades contornáveis. Tudo para evitar ambientes médicos, hospitalares e até de diagnóstico. Assim sendo, o agravamento do quadro atual conduz a uma crise sem precedente entre médicos e serviços auxiliares. Assim como um represamento de doentes que supostamente podem esperar.  Passada a pandemia de covid, é provável que enfrentemos uma pandemia terapêutica. Mas aí já estaremos falando de uma epidemia alegre. Certamente, receberemos esse momento com ansiedade e dedicação.

A última pandemia enfrentada foi em 1918. Após pouco mais de dois anos se extinguiu sem tratamento específico nem imunização. Podemos ter a esperança de redenção num prazo muito mais curto. Além dessas reflexões, qualquer outra conclusão pertencerá a futurólogos ou preditores mediúnicos. Na condição de meros mortais, fazemos apenas considerações muito mais esperançosas do que convictas.

Dr. Pedro Pablo Komlós – arquivo pessoal

Dr. Pedro Pablo Komlós

Angiologista e Cirurgião Vascular

Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular

(Texto baseado em artigo científico encabeçado pelo Dr. Fedor Lurie, PhD da Universidade de Michigan, publicado em janeiro de 2021 no Vascular and endovascular Journal, (The impact of covid-19 on vascular surgery practice: A systematic review) e texto de Yuval Noah Harari, de março de 2021, publicado no jornal britânico  Financial Times (Lições de um ano de covid: O que podemos aprender com os avanços científicos e fracassos políticos para o futuro).

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Redobrar a atenção aos cuidados com a pele durante o verão é uma das principais recomendações de médicos e pesquisadores. Conforme o calor aumenta, dermatologistas reforçam que o desejo por uma pele bronzeada pode causar danos a longo prazo.

Um deles é o câncer de pele, sendo o melanoma o tipo mais grave da doença. Trata-se de um câncer mais agressivo que atinge os melanócitos, as células que pigmentam a pele. A lesão maligna também pode afetar as membranas mucosas, os olhos ou o sistema nervoso central. 

O câncer de pele corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos no Brasil. O melanoma equivale a 3%, devido ao risco elevado de metástase e à taxa de mortalidade alta em casos mais avançados. Os dados são do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

De acordo com os especialistas em dermatologia, entre os principais fatores de risco para melanomas estão pele e olhos claros, exposição exagerada ao sol e histórico anterior de câncer de pele na própria pessoa ou na família. Cuidados essenciais e exames de rotina são obrigatórios, uma vez que o prognóstico do tratamento pode ser bom se o tumor for detectado na fase inicial. 

Como prevenir o câncer de pele 

Manter cuidados com a pele, especialmente em momentos de exposição ao sol, é a regra número um de prevenção. Independente de estar no grupo de risco, quem estiver exposto aos raios solares durante o trabalho deve conversar com o dermatologista sobre as orientações específicas para esta rotina. Em geral, a orientação é proteger a pele contra raios ultravioletas. 

Já para quem pretende ficar ao sol em praia, piscina ou cachoeira, a recomendação é evitar o horário entre 10h e 16h, quando há maior emissão de raios ultravioletas, especialmente se tiver pele e olhos claros. Para se proteger, deve-se aplicar protetor solar sobre a pele várias vezes ao longo do dia, em especial se houver em contato com a água ou suor. 

É essencial usar creme, loção, spray ou gel com fator de proteção solar (FPS) adequado ao tipo de pele, seja branca ou negra, e à parte do corpo onde será aplicada. O uso deve ser mantido mesmo em um dia nublado no verão, porque os raios ultravioletas incidem mesmo com o céu fechado.

Todos esses cuidados também devem ser adotados com o couro cabeludo, independente se há calvície. Além de usar chapéus ou bonés, recomenda-se estar atento ao surgimento de pintas anormais ou feridas que não cicatrizam na região e buscar diagnóstico.  

Sintomas 

De forma geral, todos devem estar atentos às pintas pois alterações de tamanho, forma ou cor, podem sinalizar um melanoma. Mudanças notáveis devem ser comunicadas ao médico especializado.

Dermatologistas ressaltam que a regra ABCDE ajuda a reconhecer possíveis sintomas de câncer de pele, observando-se as seguintes alterações em pintas e manchas:

  • Assimetria: metade da mancha não coincide com a outra metade; 
  • Bordas irregulares, entalhadas ou dentadas; 
  • Cor desigual, apresentando em especial tons de preto, marrom e canela. Também pode haver áreas brancas, cinzas, rosas, vermelhas ou azuis; 
  • Diâmetro maior do que seis milímetros; 
  • Evolução: a pinta muda de tamanho, forma, cor ou aparência. 

Além desses, também são considerados sinais de alerta se uma ferida que não cicatriza, se há expansão do pigmento de uma mancha na pele, vermelhidão, inchaço, coceira, sensibilidade, sangramento, inflamação ou dor.  

Como alguns melanomas não apresentam esses sintomas ou nascem em cima de pintas, é necessária a avaliação do dermatologista sobre quaisquer alterações ou lesões de pele. 

Diagnóstico e tratamento 

O primeiro diagnóstico em casos de suspeita de câncer de pele é clínico, considerando o aspecto da lesão. A biópsia e a dermatoscopia são exames laboratoriais que contribuem para confirmar a investigação. A dosagem de lactato desidrogenase (LDH) contribui para identificar se houve metástase, quando os níveis no sangue estarão elevados. 

Todos esses elementos ajudam o dermatologista a orientar o tratamento mais indicado, que pode incluir cirurgia para retirada do tumor. Conforme o estágio da doença, o paciente é encaminhado para radioterapia, quimioterapia ou imunoterapia.

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A disfagia, doença mais comum entre idosos, pode afetar também pacientes jovens, especialmente quem sofre de distúrbios do trato intestinal

No dia 20 de março, celebra-se o Dia Nacional de Atenção à Disfagia (dificuldade de deglutição ou engolir), doença que frequentemente acomete pessoas idosas, mas também é uma sequela grave de casos da Doença de Refluxo Gastroesofágico, que não foram devidamente tratados, podendo, portanto, acometer pessoas jovens. A data foi escolhida porque nesse dia, no ano de 2010, foi publicada a Resolução Conselho Federal Fonoaudiologia (CFFa) nº 383, que dispõe sobre as atribuições e competências relativas à especialidade em Disfagia.

“Quando a disfagia surge em decorrência da doença do refluxo, normalmente é devido a sequelas graves que o refluxo causou”, explica o endoscopista membro titular da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, Hugo Gonçalo Guedes. O médico destaca que várias outras doenças são tidas como sequelas do refluxo que se estendeu por longo tempo e não foi tratado adequadamente. “Estenoses esofágicas e câncer no esôfago são complicações graves do refluxo e que também podem ocasionar a disfagia baixa, que por si pode dar sintomas graves ou moderados, mas quando relacionada ao refluxo ela tem uma intensidade maior”, esclarece.

Além da dificuldade para engolir os alimentos ou líquidos, outros sinais da disfagia são a sensação de entalamento ou de que o alimento está preso na garganta, tosse e/ou regurgitação nasal. As principais complicações que podem ser ocasionadas pela doença são: o aumento das chances de pneumonia aspirativa; a ampliação do tempo de internações – devido à desnutrição e à desidratação; o desinteresse por alimentos; a debilitação da saúde de modo geral; e a consequente perda da qualidade de vida.

“O paciente que tem refluxo e que depois de algum tempo apresenta sintomas de disfagia precisa procurar o mais breve possível uma assistência médica, preferencialmente de seu médico endoscopista, para que ele possa identificar o fator causal”, afirma Hugo Gonçalo Guedes.

Novo tratamento
O médico ainda ressalta que é  importante que se faça um diagnóstico correto do refluxo por meio de exame de endoscopia, PHmetria e estudo de manometria, para que se identifique a melhor opção de tratamento, que vai desde medidas alimentares, comportamentais, uso de medicamentos e em quadros mais graves cirurgias convencionais ou endoscópicas.

Recentemente, para os casos mais graves de doença do refluxo, o Brasil passou a contar com um novo recurso, a fundoplicatura endoscópica com o dispositivo médico Esophyx. O procedimento busca trazer o mesmo efeito da fundoplicatura cirúrgica, porém de forma muito menos invasiva e com uma recuperação mais rápida.

“Aprovado pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] em outubro do ano passado, esse novo recurso terapêutico é bem menos invasivo, traz menor nível de complicação, resultados efetivos, representando, portanto, menos tempo de afastamento do trabalho e das atividades do dia a dia”, informa Eduardo Grecco cirurgião do aparelho digestivo, especialista em endoscopia digestiva, professor da Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo e um dos responsáveis pela realização da primeira fundoplicatura endoscópica na América Latina, realizada no Brasil no final do último mês de janeiro.

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É qualquer anormalidade na estrutura ou função do coração que surge nas primeiras oito semanas de gestação quando se forma o coração do bebê.

Ela ocorre por uma alteração no desenvolvimento embrionário da estrutura cardíaca, mesmo que descoberto no nascimento ou anos mais tarde.

Segundo dados da sociedade brasileira de cardiologia no Brasil nascem aproximadamente 28 mil crianças com problemas cardíacos por ano, ou seja, a cada 100 bebês nascidos vivos 1 (um) é cardiopata. Dessas em torno de 80% necessitarão de alguma cirurgia cardíaca durante a sua evolução.

Os  sintomas podem aparecer no nascimento, durante a infância, ou então só na idade adulta. E pode ainda ser assintomática.

Se detectado precocemente, os riscos de mortalidade são pequenos.

Geralmente o exame de ultrassonografia obstétrica verificando  o coração do feto pode facilitar o diagnóstico na gestação ainda.

Por isso é aconselhável, o ecocardiograma fetal nas consultas de rotina de gestantes no pré-natal e exames de ultrassom morfológico. Eles são realizados, em geral, no segundo trimestre gestacional e possibilitam a identificação de má formação no coração da criança. Quando há suspeita de alguma anormalidade é realizado um ecocardiograma do coração do feto, o que permite avaliar e detectar detalhadamente anormalidades estruturais e da função cardíaca.

A detecção precoce é importante pois permite que o bebê possa receber cuidados adequados, medicações específicas e/ou cirurgia de urgência caso necessário.

O diagnóstico precoce, durante a gravidez, é importante para o planejamento do parto e pode salvar a vida do bebê naquelas cardiopatias mais complexas.

Há 2 tipos de cardiopatia:

1) Cardiopatia congênita cianótica

Este tipo de cardiopatia é mais grave, pois o defeito no coração pode afetar de forma significativa o fluxo sanguíneo e a capacidade de oxigenação do sangue.

2) Cardiopatia congênita acianótica

Este tipo de cardiopatia provoca alterações que nem sempre provocam repercussões tão graves no funcionamento cardíaco, e a quantidade e intensidade dos sintomas depende das gravidade do defeito cardíaco, que vão desde ausência de sintomas, sintomas somente durante esforços, até a insuficiência cardíaca.

Sintomas

  • Nos recém-nascidos e bebês, eles podem ser:
  • Cianose , que é a coloração roxa na ponta dos dedos ou nos lábios;
  • Suor excessivo;
  • Cansaço excessivo durante as mamadas;
  • Palidez e apatia;
  • Baixo peso e pouco apetite;
  • Respiração rápida e curta mesmo em repouso;
  • Irritação.

Nas crianças mais velhas ou nos adultos:

  • Coração acelerado e boca roxa após esforços;
  • Infecções respiratórias frequentes;
  • Cansaço fácil em relação as outras crianças da mesma idade;
  • Não desenvolve, nem ganha peso normalmente.
  • Os pais devem ficar atentos aos sinais.

Max Lima é médico especialista em cardiologia e terapia intensiva, conselheiro do CFM, médico do corpo clínico do hospital israelita Albert Einstein, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia de Mato Grosso(SBCMT), Médico Cardiologista do Heart Team Ecardio no Hospital Amecor e na Clínica Vida , Saúde e Diagnóstico. CRMT 6194

Email: maxwlima@hotmail.com

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A atenção à saúde feminina é uma recomendação do Ministério da Saúde e as mulheres sabem dessa importância. Uma pesquisa do Datafolha, realizada a pedido da Federação Brasileira da Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), apontou que oito em cada dez das entrevistadas consideram a consulta ginecológica uma prioridade. A prevenção é o principal motivo que as levam ao consultório.   

Fazer exames de rotina é a orientação do Ministério da Saúde, da Febrasgo e das associações médicas regionais. Os órgãos ressaltam que, a partir da primeira menstruação, cada fase da vida demanda consultas e procedimentos que podem diagnosticar problemas inicialmente assintomáticos ou despercebidos nos exames clínicos.  

O check-up com mamografia, ultrassonografias, Papanicolau, colposcopia e os exames de análise clínica de sangue e de urina permitem o acompanhamento da saúde da paciente. Por detectar alterações de forma precoce, as investigações podem aumentar as chances de cura.   

Mamografia   

A mamografia é parte das estratégias para diagnóstico e rastreamento do câncer de mama. Sua realização está preconizada nas Diretrizes para a Detecção Precoce do Câncer de Mama no Brasil organizadas pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). O exame tem se mostrado eficiente para a descoberta da doença, por localizar sinais de tumores antes que seja possível palpar as lesões.   

Trata-se de uma radiografia com imagens de altíssima qualidade. Durante o procedimento, o seio é colocado entre as duas placas do mamógrafo, que emite raios-x para produzir as imagens, feitas a partir da compressão das mamas. É comum que pacientes relatem desconforto na realização.   

A recomendação dos órgãos de saúde é que a primeira mamografia seja feita entre os 35 e 40 anos. O exame é indicado para mulheres com menos idade apenas em casos de histórico familiar ou de suspeita de câncer de mama. A frequência é definida pelo ginecologista. 

Ultrassonografias   

As ultrassonografias fazem parte do Protocolo de Atenção Básica da Saúde da Mulher desenvolvido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa. As regiões pélvica e da mama demandam acompanhamento por meio desses exames de imagem.  

A ultrassonografia transvaginal permite a análise com maior precisão do útero e dos ovários, a partir das imagens capturadas pelo transdutor introduzido na vagina. O equipamento observa o aparelho reprodutor, permitindo a avaliação de órgãos genitais e identificando patologias.   

Também com foco no aparelho reprodutor feminino, o ultrassom pélvico capta imagens a partir de uma sonda colocada na parte exterior do abdome. Combinados, estes dois ultrassons podem ajudar a detectar ovários policísticos, gravidez ectópica, endometriose, sangramentos vaginais, útero aumentado e causas de infertilidade.   

Outro procedimento de imagem preconizado é a ultrassonografia das mamas, que contribui para detectar nódulos, cistos, secreções nos mamilos e espessamento do tecido mamário. O exame ainda avalia o estado de próteses mamárias e o resultado de tratamento quimioterápico.  

No exame, o médico desliza o transdutor nos seios, após a aplicação de um gel, obtendo imagens da estrutura interna em tempo real. A investigação pode ser solicitada em combinação com a mamografia.   

Papanicolau   

Também conhecido como preventivo, o Papanicolau permite o diagnóstico de câncer de colo uterino ou de infecções sexualmente transmissíveis como tricomonas e HPV. A recomendação da Febrasgo é que o exame seja feito a partir dos 25 anos, até os 64 anos de idade.  

O exame é feito a partir da raspagem das células externas e internas no colo do útero. Esse material é enviado para análise laboratorial, que aponta fungos, bactérias e eventuais anormalidades identificados na amostra. 

Colposcopia   

De acordo com a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), a colposcopia é indicada nos casos de alteração do colo do útero, das paredes vaginais ou da vulva, como mudanças celulares benignas, tumores vaginais e sinais de infecção ou inflamação.  

Além de ser um exame de rotina, pode ser usada para complementar o Papanicolau, quando é percebida alguma alteração não identificada com clareza. O ginecologista aplica diferentes produtos no colo do útero e na vagina. Então, ele observa, com um binóculo, se há alguma alteração na região e, se necessário, coletar amostras para biópsia. O procedimento pode causar desconforto ou ardência.   

Exames de análises clínicas  

Não há check-up sem exame de sangue e de urina. A Febrasgo destaca que análises clínicas servem para verificar se os componentes dos fluidos estão nos níveis normais e para avaliar alterações hormonais. As análises clínicas do hemograma completo, da microbiológica da urina ou de secreção vaginal permitem identificar doenças infecciosas sexualmente transmissíveis, além de fazer o rastreamento infeccioso.

Fonte site Rede Dor

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A congestão nasal, conhecida popularmente como nariz entupido, ocorre quando a mucosa do nariz inflamam por conta de uma gripe ou resfriado. Entretanto, distúrbios estruturais, como por exemplo o desvio do septo, podem fazer com que o problema se torne crônico, prejudicando a qualidade de vida do indivíduo.

Problema quando não tratado adequadamente pode prejudicar qualidade de vida do indivíduo. Foto divulgação

Segundo o otorrinolaringologista da Clínica Dolci, em São Paulo, e professor na Santa Casa, Dr. Ricardo Dolci, a realização da septoplastia pode ser indicada para casos recorrentes do problema. “Trata-se de uma cirurgia realizada para a correção do desvio do septo nasal, que é uma estrutura formada por cartilagem e osso, localizado na porção interna do nariz e responsável por separar as duas fossas nasais. Este procedimento é realizado por dentro do nariz, sem a necessidade de incisão externa, não deixando nenhuma cicatriz visível no rosto”, explica o otorrino.

Porém, para aliviar este sintoma tão comum no inverno, o otorrinolaringologista ensina alguns métodos simples para fazer em casa:

Lave seu nariz: Realize essa técnica com soro fisiológico 0,9% em temperatura ambiente, com auxílio de uma seringa de 20 ml sem agulha, de três a quatro vezes por dia. O paciente deve inclinar seu corpo para frente, apertar a seringa pela narina esquerda e deixar a solução entrar e escorrer. Em seguida, repetir o procedimento do outro lado. Sempre respirando pela boca e em cima de algum recipiente onde o soro possa cair. Essa ação ajuda a retirar resíduos de poluição atmosférica e possíveis invasores, como vírus e bactérias. 

Esquente suas vias respiratórias: Para dilatar as vias respiratórias tome um banho quente e inale a fumaça presente no banheiro. Outra técnica é ferver a água e colocar uma toalha ao redor da borda da tigela ou pia, com cuidado para não se queimar, e se inclinar sobre ela para respirar o vapor.  Além disso, outra orientação é colocar umidificador na casa, em especial, no quarto aonde irá dormir, proporcionando uma melhora da umidade do ar.

Beba líquidos: Procure ingerir pelo menos dois litros de água por dia, isso vai ajudar a diluir o muco gradualmente. E para relaxar as cavidades nasais e facilitar a descida da secreção pela garganta aposte no consumo de chás e sopas quentes.

“A congestão nasal com frequência faz com que o paciente precise respirar pela boca, o que pode desencadear outros problemas, como irritação da garganta, voz anasalada e ronco. Por isso, caso este sintoma persista por mais de sete dias, o indicado é marcar uma consulta com o otorrinolaringologista”, finaliza Dolci. 

 
Dr. Ricardo Landini Lutaif Dolci, é sócio da Clínica Dolci – Otorrinolaringologia e Cirurgia Estética Facial, em São Paulo; Professor Instrutor de Ensino do Departamento de Otorrinolaringologia da Santa Casa de São Paulo; Membro titular da Associação Brasileira de Otorrinolaringologista e Cirurgia Cervico-Facial; Membro da Comissão de Comunicação da Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial; Doutorando pela Ohio StateUniversity (OSU/USA) e Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. 
Facebook – @ClinicaDolci
Instagram – ClinicaDolci_otorrino  
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Independentemente da data que marca o Dia Internacional da Incontinência Urinária (14 de março), a perda súbita de urina de forma involuntária pela uretra é um problema de saúde pública. No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, mais de 10 milhões de pessoas, entre homens e mulheres, de diferentes faixas etárias, sofrem com essa disfunção, que é mais comum em mulheres e pode interferir nas atividades diárias.

Muitas vezes, as mudanças fisiológicas ocorrem com o envelhecer, sobretudo a partir dos 65 anos de idade, com índices de 10% entre os homens e 20% entre as mulheres. No entanto, a Incontinência Urinária pode acometer pessoas jovens e, em todos os casos, traz impactos pessoais e profissionais, enfim, na qualidade de vida de todos.

Uma infecção urinária pode ser o sinal de que algo não vai bem no organismo, atingindo principalmente os rins e a bexiga. Para homens diagnosticados com câncer de próstata e que se submetem a tratamentos, como cirurgia e radioterapia, a incontinência urinária é um dos efeitos colaterais possíveis.

Atenção às manifestações de sintomas

É preciso procurar um médico especialista ao detectar sintomas, como:

  • Dores ou ardências ao urinar;
  • Aumento excessivo da frequência urinária;
  • Necessidade imediata de urinar;
  • Alterações no fluxo urinário (jatos mais fracos ou dificuldade em manter um fluxo constante);
  • Alterações na coloração da urina;
  • Necessidade excessiva de urinar durante à noite;
  • Disfunções sexuais em homens (ejaculação precoce, perda de ereção).
  • Prevenção

    Beber bastante água;

  • Não segurar a urina;
  • Evitar usar as duchas vaginais;
  • Manter a higiene íntima correta;
  • Urinar logo depois da relação sexual ajuda a eliminar bactérias que possam ter entrado durante o ato;
  • Parar de fumar;
  • Perder peso;
  • Alimentação adequada;
  • Reduzir a cafeína;
  • Reduzir o consumo de álcool para melhorar a incontinência;

Como melhorar a condição da Incontinência Urinária

  • Faça exercícios diários no assoalho pélvico – a contração do períneo (do músculo do esfíncter), com exercícios de 3 a 5 vezes ao dia, pode ser feita durante 30 a 40 dias;
  • Fisioterapia: o profissional pode recomendar a estimulação elétrica, além de outros procedimentos para o tratamento;
  • Calmante para a bexiga;
  • Não tomar grandes quantidade de líquidos de uma só vez;
  • A introdução de um esfíncter artificial pode auxiliar no esvaziamento da bexiga;
  • Quando muito grave, a cirurgia é uma recomendação que pode resolver a incontinência urinária, com bons prognósticos;
  • Telemedicina – inicialmente, uma anamnésia por meio virtual pode avaliar a condição do paciente e interpretar as queixas principais, como o grau possível de acometimento – se a incontinência urinária é simples ou grave. Com atendimento remoto, inicialmente o médico saberá se o paciente tem incontinência urinária quando está sentado, deitado, em pé ou ao fazer exercícios e atividades físicas. A partir disso, indicará nova consulta ou tratamentos.

Câncer de Próstata

Homens acometidos por câncer de próstata podem ter como um dos efeitos colaterais a incontinência urinária – assim como disfunção erétil -, após tratamentos como radioterapia ou cirurgia.

Cirurgia: na prostatectomia radical a próstata e as vesículas seminais são totalmente removidas. Este método pode ser indicado quando a doença tem a característica de ser restrita à próstata ou está localmente avançada. Em termos de risco da doença (classificação específica), quanto mais elevado, melhor a indicação para a cirurgia radical. Isto se baseia na perspectiva de cura com o método e sua relação com os efeitos colaterais mais importantes, como disfunção erétil e incontinência urinária.

Radioterapia: a radioterapia utiliza raios de alta energia ou partículas para eliminar as células doentes. A radiação perturba o DNA da célula, evitando o crescimento ou divisão das células cancerosas. Como a radiação tem a capacidade de exercer seus efeitos por onde passa, ela também determina consequências em todos os tecidos que encontra em seu trajeto. Em função disto, se procurou reduzir os efeitos colaterais e aumentar a sua capacidade de destruição com uma tecnologia denominada “modulada e conformacional”. A longo prazo, o tratamento pode causar disfunção erétil ou problemas urinários e intestinais, incluindo frequência urinária aumentada, dificuldade para urinar, sangue na urina ou incontinência.

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Dia Mundial do Rim têm o objetivo de conscientizar milhões de pessoas sobre a Doença Renal Crônica, que atinge 10% da população brasileira adulta. Mas quais são os desafios para esses pacientes quando falamos em Covid-19? O especialista em nefrologia explica

Na próxima quinta-feira, dia 11, o Cristo Redentor receberá iluminação especial nas cores vermelho e azul para alertar milhões de pessoas sobre a Doença Renal Crônica (DRC). A campanha que acontece há 15 anos, têm como objetivo trazer notoriedade sobre a enfermidade que atinge 10% da população adulta brasileira e é caracterizada por uma lesão nos rins que se mantém por três ou mais meses e é capaz de alterar as funções vitais do órgão como filtrar o sangue, regular a pressão arterial, eliminar toxinas do corpo, controlar a quantidade de sal e água do organismo, produzir hormônios que evitam anemias e doenças ósseas.

Com o importante tema “Vivendo Bem com a Doença Renal”, o especialista em nefrologia da EdTech Jaleko, doutor Felipe Magalhães, alerta para outros temas mais factuais ao momento que vivenciamos: os de prevenção, uma vez que algumas principais causas da doença renais são também comorbidades fatais ao covid-19, como hipertensão e diabetes.

Um dos grandes problemas da DRC é que em seus estágios iniciais ela é silenciosa, portanto, não apresenta sintomas e quando o faz, geralmente são inespecíficos, tornando o diagnóstico tardio. Para pacientes que dependem de diálise ou já transplantados os riscos se tornam maiores ainda. Dr. Felipe falará sobre prevenção, os maiores riscos para as comorbidades, dicas fundamentais para manter uma boa rotina, informações e cuidados para evitar riscos desnecessários durante a pandemia.

– Como qualquer cidadão mundial todos os cuidados devem ser mantidos. Apenas saídas necessárias, máscara, álcool em gel e distanciamento.

– Os pacientes com DRC devem estar atentos às comorbidades, que devem ser levadas em consideração, como diabetes e hipertensão, muito comum nas doenças renais e que são um grande risco em relação ao COVID-19.

– Tratamentos e remédios não devem ser interrompidos. Qualquer risco de prejudicar o paciente, o médico informará. Portanto, a continuidade deve ser mantida.

– A hemodiálise, em hipótese alguma, deve ser interrompida. Apesar da dificuldade de manter o distanciamento das clínicas, é necessário fazer e tomar todas as precauções pessoais e observar se no local estão cumprindo com os requisitos necessários para a proteção.

– Para os transplantados, não muda muita coisa, é só dar continuidade nos remédios e no acompanhamento médico, para não prejudicar o órgão transplantado.

Felipe Magalhães é médico e diretor científico da EdTech Jaleko, graduado na UFF- Universidade Federal Fluminense, com residência clínica médica no Hospital Adventista Silvestre e residência em nefrologia na UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente é  também coordenador da comissão de residência médica do Hospital Federal da Lagoa.

 

 

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A obesidade infantil é um tema que vem preocupando os pais e médicos a cada ano que passa. Segundo  dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma a cada três crianças, com idade entre cinco e nove anos, está acima do peso. Já uma pesquisa feita em 2019 pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, revelou que 16,33% das crianças brasileiras entre cinco e dez anos estão com sobrepeso, 9,38% com obesidade e 5,22% com obesidade grave. Entre os adolescentes, os números também são preocupantes: 18% apresentam sobrepeso, 9,53% são obesos e 3,98% têm obesidade grave. A doença é uma preocupação generalizada e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2025 o número de crianças obesas no planeta pode chegar a 75 milhões. 

Os números são realmente preocupantes se pensarmos que estamos vivendo uma pandemia há um ano, com escolas fechadas, rotinas completamente diferentes e ansiedade alta. Além disso, com a dificuldade econômica, o acesso a uma alimentação mais equilibrada e saudável, também está mais difícil. Com a alta dos preços dos alimentos, muitas pessoas acabam substituindo alimentos ricos em nutrientes por opções industrializadas e com excesso de açúcar e gorduras. 

“Estamos vivendo um momento muito atípico no mundo, mas é importante alertar que a obesidade infantil é um problema antigo e que precisa de mais atenção tanto dos pais como dos nossos líderes políticos, com ações como merendas mais saudáveis e ricas em nutrientes, além de uma educação alimentar”, explica a Pediatra Felícia Szeles. 

Além da alimentação, outro fator importante para o sobrepeso infantil é o estilo de vida das crianças e adolescentes, que estão cada vez mais sedentários por conta do excesso de telas e poucos estímulos físicos na rotina familiar. Os tempos também são outros, isso é fato: a nova geração não brinca na rua como a geração de seus pais, que jogavam bola na rua, brincavam de pega-pega ou tinham que exercitar a mente com brincadeiras criativas para ocupar o tempo. 

“As telas são, sem dúvida nenhuma, um dos fatores que mais facilitam o sedentarismo e, consequentemente, a obesidade. E com a pandemia, isso só piorou, já que a maioria das crianças acorda e já vai para as aulas online ou para o desenho. O desafio para os pais é grande, mas é preciso impor limites pensando na saúde e qualidade de vida dos pequenos. Por mais chato que seja ver a criança chorar ou fazer manha querendo as telas, vale a pena segurar agora para garantir mais saúde e qualidade de vida para os pequenos”, ressalta a Dra. 

#FicaADica – pequenas atitudes que incentivam as crianças a uma vida mais saudável: 

  • Use e abuse dos alimentos coloridos. As cores estimulam as crianças, facilitando a ingestão de verduras, legumes e frutas; 
  • Ofereça água várias vezes ao dia, seu filho pode achar que está com fome e muitas vezes ele está com sede.
  • Não dê suco de rotina. Mesmo os naturais são muito calóricos e possuem poucas fibras. 
  • Evite falar: “você tem que comer isso”. No lugar, coloque no prato de todos da casa e coma junto, o exemplo vale mais que mil palavras; 
  • Sempre  introduza novos alimentos – pode ser tipo ou forma de preparo -isso favorece a aceitação e dificulta a seletividade ; 
  • Faça da refeição um momento agradável. Comer sempre que possível em família e respeitar os sinais de saciedade de cada criança. Lembra-se que a quantidade que você acha ideal pode ser muito para seu filho; 
  • Leve seu filho à feira, deixe ele conviver com aquela variedade linda de cores e sabores. Deixe ele escolher o que quer experimentar, cheirar, tocar. Se sentir útil e importante já é meio caminho andado; 
  • Limite horários para as telas, evitando pelo menos duas horas antes de dormir. Dormir bem também é importante no combate à obesidade;  
  • Reserve um tempo para brincadeiras mais ativas, em pé, correndo, dançando ou fazendo algum esporte. Faça também alguma atividade física, atitudes saudáveis inspiram e estimulam;
  • Insira a criança em rotinas da casa, como por exemplo: peça ajuda para guardar os brinquedos,  arrumar a cama ou mesmo lavar as frutas e saladas;  
  • Não faça estoque de bolachas, refrigerantes e doces. É muito mais fácil falar que não tem do que não pode; 
  • Evite ao máximo o consumo de frituras 
Dra. Felícia Szeles
Formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC – Campinas), é especialista em Pediatria e Alergia e Imunologia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Pediatra nas áreas de Puericultura, Infância e Adolescência, também realiza acompanhamento pediátrico pré-natal em gestante. Como Alergista, atua com foco no atendimento infantil.

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A maioria das pessoas não sabem que o maior e mais complexo sistema do corpo humano é o aparelho digestivo. Constituindo-se por um longo tubo que começa na boca, passa pelo esôfago, segue pelo estômago, intestino delgado, intestino grosso e, por fim, o esfíncter anal, além de estar ligado a dois importantes órgãos: o fígado e o pâncreas.

Podem existir múltiplos pontos para o descontrole deste complexo sistema. Como é uma rede interligada, para algumas funções é preciso que outras aconteçam antes, durante ou depois do processo digestivo

Esta maravilhosa máquina é capaz de executar muitas funções independentes em cada setor, mas que de alguma maneira estão interligadas. Podemos compará-la à regência de uma orquestra, composta por vários instrumentos que, juntos e em perfeita harmonia, produzem um concerto encantador. Da mesma maneira, o aparelho digestivo produz o milagre da perpetuação de nossa espécie através da manutenção do processo de absorção e transformação dos vários elementos nutritivos necessários à nossa vida.  

Representando o grande maestro, temos o sistema nervoso entérico (SNE). Uma complexa rede, formada por neurônios e gânglios nervosos, denominados plexos, que se interligam e executam multitarefas com relação à condução, absorção de proteínas, gorduras, vitaminas e eliminação de produtos desprezados pelo processo de excreção. Há também o mecanismo de reciclagem, como é o caso do ferro, no qual aproveitamos 98% daquilo que perdemos, em função da sua reabsorção no intestino grosso.

Outra comparação que podemos fazer é à uma fábrica, em que as máquinas e engrenagens são orientadas por um sistema micro e comandados por um sistema maior. No caso do sistema digestivo, o cérebro (sistema nervoso central) ajuda a regular algumas funções. O termo “Eixo cérebro intestinal” representa esta interação e, por meio dele, é possível observar que um sistema influencia o outro. Por exemplo, quando subimos em uma montanha russa e estamos no ponto mais alto do brinquedo, sentimos um “frio na barriga”, que nada mais é do que uma manifestação da emoção, do medo, causado pelo nervo vago que emerge do sistema nervoso central e que excita o sistema nervoso entérico e produz a sensação de desconforto na região central da barriga.

Portanto, podem existir múltiplos pontos para o descontrole deste complexo sistema. Como é uma rede interligada, para algumas funções é preciso que outras aconteçam antes, durante ou depois do processo digestivo.

Para ter ideia: uma alimentação mal mastigada tem dificuldade de ser transportada no esôfago e, quando chega ao estômago, demora para ser digerida. Por conta disso, o processamento do alimento é dificultado, atingindo os intestinos que ainda não estão prontos para a absorção de nutrientes e podem, eventualmente, influenciar o funcionamento intestinal para mais ou para menos. Muitas situações são decorrentes dos nossos hábitos de vida, do tipo de alimentação, podem ser consequências de outras doenças, pós estados tóxicos ou infecciosos ou por alteração de estados emocionais. Existem vários fatores em conjunto e individuais que podem determinar uma disfunção em um setor específico ou então em vários que se interdependem.

As doenças funcionais digestivas constituem o maior contingente de motivos para consultas e exames em todo o mundo, pois são universais, atingindo todas as etnias, classes sociais e faixas etárias.

Podemos dizer que as síndromes mais frequentes são a Dispepsia Funcional, a Síndrome do Intestino Irritável e a Constipação Intestinal Funcional. Como característica principal e comum entre elas, apresentam sintomas diários ou intermitentes que tiram a qualidade de vida do indivíduo, com longa duração, menos ou mais intensos, impedindo que as pessoas atingidas por essas síndromes tenham uma vida com mais conforto.

Dispepsia Funcional

A dispepsia funcional é caracterizada por sintomas que sugerem o acometimento do estômago ou do duodeno na ausência de qualquer anormalidade de natureza orgânica, estrutural ou metabólica que possa explicar o quadro. Os sintomas mais comuns são dor na região do estômago, difícil digestão, peso ou de estufamento no abdômen alto, regurgitação e arrotos frequentes.

Síndrome do Intestino Irritável

A síndrome do intestino irritável caracteriza-se pela combinação dos principais sintomas: dor ou desconforto abdominal e alterações bem definidas do hábito intestinal, como constipação ou diarreia. Essas manifestações têm intensidade variável, piorando com alguns tipos de alimentação e em determinadas épocas de vida. Não existem também alterações estruturais ou orgânicas que os justifiquem.

Constipação Intestinal Funcional

Muito frequente em nossa era, a constipação intestinal funcional caracteriza-se pela dificuldade de evacuar em diferentes intensidades, com presença de fezes endurecidas, havendo muito esforço para o movimento evacuatório, associada com frequência à sensação de abdômen inchado e dor no baixo ventre.

Diagnóstico

Para diagnosticar qualquer doença funcional, o médico tem que excluir causas orgânicas mais graves como inflamações, tumores ou doenças metabólicas. Para isso, é necessário solicitar exames especializados, que são realizados muitas vezes ao longo da vida de um indivíduo.

 Neurogastroenterologia

As doenças funcionais são um grande desafio e derivaram uma nova especialidade: a Neurogastroenterologia. Temos evoluído muito nos últimos anos no conhecimento para a compreensão destas alterações, mas ainda há um longo caminho para percorrer até o entendimento de toda a complexidade.

É possível afirmar que cada paciente tem um perfil geral comum, mas com respostas distintas, evolução em tempos diferentes, podendo-se dizer que cada um tem a sua doença funcional e o desafio do médico é saber interpretar e entender como funciona ou não o maior órgão do corpo humano naquele indivíduo.

Dr. Ricardo Guilherme Viebig é Diretor Técnico do Núcleo de Motilidade Digestiva de Neurogastroenterologia (MoDiNe) do Hospital IGESP e Presidente da Sociedade Brasileira De Motilidade Digestiva e Neurogastroenterologia.

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