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Autor

Ricardo Bastos

Por Bruno Carone*

Recentemente, tive conhecimento de dois dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios) que chamaram muito a minha atenção. O primeiro é que a cada grupo de dez famílias, em média, apenas duas costumam viajar para fora do seu ambiente habitual ao longo do ano. Além disso, entre as que declararam que não viajam, 48% revelaram que o motivo é a falta de dinheiro.

O dado me preocupa porque, muito mais do que um simples passeio, viajar é ter a oportunidade de sair da rotina, é uma forma de autocuidado e de busca pelo bem-estar e por tempo com nós mesmos ou com quem é importante para nós. Há destinos com poder de minimizar nosso estresse, potencializar a nossa criatividade ou ampliar a nossa cultura, entre tantos outros benefícios.

Do ponto de vista corporativo, acredito fortemente que o profissional que tem um período de descanso de qualidade tende a voltar mais motivado para o trabalho. Isso, seja nas férias, após um dia de expediente, no final de semana ou em algum período de folga pré-estabelecida com o gestor. Além disso, se essa desconexão das obrigações profissionais é genuinamente incentivada e respeitada pela organização, estou certo de que os melhores talentos pensarão, pelo menos, duas vezes antes de se abrir para o mercado e deixar um ambiente tão acolhedor assim.

No meu entender, essa preocupação ganha um caráter ainda mais genuíno quando direcionada do mesmo grau a profissionais de todos os níveis hierárquicos, dos mais operacionais aos mais estratégicos, entendendo que todos os cargos e funções são necessários para fazer a operação se manter ativa. Do contrário, posições simples que apoiam muitos profissionais e muitas áreas não existiriam.

O bem-estar do colaborador deve estar no radar do RH não só por uma necessidade vital do ser humano, mas também por esse momento pós-pandemia em que as pessoas estão seriamente repensando seus propósitos e rumos da carreira. De acordo com dados do Page Group, 53,3% dos profissionais da América Latina estão dispostos a se abrir para o mercado, o que tem impulsionado 41,3% dos empregadores entrevistados a se movimentarem para oferecer benefícios atrativos combinados com remuneração competitiva.

Diante da necessidade de inovar na atração e retenção de profissionais, minha recomendação é a oferta de benefícios diferenciados, ou seja, aqueles que permitem que o colaborador tome decisões dentro do que foi ofertado. Pode ser, por exemplo, um incentivo para o profissional viajar, permitindo que, além de democratizar o descanso para todos os níveis hierárquicos, o colaborador decida como, quando e onde quer descansar. É possível, ainda, dar incentivos para ações educacionais e ou para o cuidado com o corpo e a mente. O céu é o limite.

A grande questão aqui é que os profissionais de talento não estão mais dispostos a serem tratados como números de registro dentro da organização. Eles querem ser vistos e valorizados como pessoas que são. O melhor é que eles encontrem isso no seu negócio. Mas se isso não acontecer, diante do conceito anywhere office, eles vão atrás disso em outra parte do mundo. Pode aposta


*Bruno Carone é co-fundador do Férias & Co

A época mais fria do ano exige cuidados redobrados, principalmente por ser um período em que a nossa imunidade pode cair e nos deixar mais suscetíveis a gripes e resfriados. Afinal, sabemos que após os 50 anos o nosso organismo está mais fragilizado, mas, nada de alarmes: mantenha a sua saúde em dia para que a sua imunidade esteja forte para passar a estação ileso!

Para ajudá-lo nessa missão, separamos algumas dicas essenciais que vão dar aquela mãozinha na sua saúde:

1 Hidrate-se!

É fato que no inverno a vontade de tomar água diminui, mas é preciso manter a hidratação e se forçar a beber água. Muitas pessoas esperam sentir sede para então se hidratar, mas vale lembrar que quando sentimos sede significa que a falta de água em nosso organismo já está crítica e, então, vem o alerta. O ideal é não chegar nesse ponto, bebendo água constantemente, mesmo sem sentir sede.

Há quem consuma muitos chás e outras bebidas quentes nessa época, como café e chocolate quente. Apesar de ser uma ótima pedida para combater as baixas temperaturas da época, ainda assim, é importante beber água pura mesmo.

2 Movimente-se!

Apesar de dar preguiça de se movimentar por conta do frio e a vontade maior seja a de ficar debaixo das cobertas, pratique exercícios em casa, principalmente alongamentos. Afinal, é normal estarmos mais inflexíveis pela postura mais contraída com a queda da temperatura.

Em nosso site já postamos alguns canais – tanto no Facebook quanto no Youtube – de pessoas que estão oferecendo aulas on-line de exercício ou dança para que você se movimente em casa.
Vale lembrar que é preciso que respeite o seu corpo e vá no seu ritmo ao fazer as atividades para que não sobrecarregue as suas articulações. Verifique sempre se as aulas on-line que irá acompanhar são para pessoas acima de 60 anos e sempre consulte o seu médico.

3 Agasalhe-se!

Muito provavelmente você conhece algum idoso que, mesmo o dia estando bem frio, com temperatura a 15ºC, por exemplo, veste apenas uma blusa fina de malha. Mas, na terceira idade é preciso se atentar e manter o corpo sempre bem agasalhado, porque a friagem da estação aumenta o risco das perigosas pneumonias, além de resfriados e gripes.

É necessário ainda manter as extremidades protegidas, como calçar meias para não deixar os pés gelados, luvas para proteger as mãos e gorros para manter a cabeça aquecida. Reforce também os cobertores à noite, porque as temperaturas tendem a cair bastante durante a madrugada.

4 Alimente-se adequadamente!

Apesar de ser uma época do ano que pede pratos quentes é preciso prestar atenção na alimentação e manter sempre verduras e legumes crus, além de frutas nas refeições.

Aproveite para se deliciar com as comidas típicas da época, como pinhão, quentão, pamonha, entre outros, e, claro, abuse dos caldos quentes, canjas e sopas, mantendo o consumo de saladas também.

5 Higienize as mãos

Quem não tem aquecedor nas torneiras precisa seguir firme e manter os procedimentos de higiene recomendados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para combater o coronavírus: lavar as mãos com água e sabão por, pelo menos, 30 segundos, além de continuar usando o álcool em gel, ainda que as suas mãos fiquem geladas.

6 Hidrate a sua pele!

Apesar da grande maioria das pessoas maduras não ter o costume de utilizar cremes hidratantes, é preciso aplicá-los na pele, que fica mais ressecada nessa época do ano, principalmente nas pernas. O ideal é aplicar diariamente após o banho e, assim, evitar até mesmo irritações na pele, que podem ser causadas pela desidratação da derme.

Vale lembrar que a hidratação da pele também é diretamente ligada à hidratação do organismo com água.

A pele do rosto e as mãos também precisam ser diariamente cuidadas e hidratadas para não sofrerem com as baixas temperaturas, que podem até mesmo causar maior sensibilidade no rosto e rachaduras nas mãos causadas pelo ressecamento.

7  Reforce a sua imunidade!

Você está em dia com a vacina da gripe? Ainda mais no inverno, é importante reforçar a imunidade e tomar a vacina. Se você ainda está com essa pendência, coloque a sua máscara de proteção, leve álcool em gel nas mãos e busque se vacinar o quanto antes. Caso possa ir de carro, a grande maioria dos postos de saúde tem adotado um esquema ‘drive-thru’ para evitar a aglomeração de pessoas.

Além da vacinação, é importante para a imunidade tomar vitamina D, que é ativada na presença de sol: ou seja, nos dias ensolarados, mantenha-se no sol nos períodos em que a radiação solar é saudável: na parte da manhã, até 10h ou no final da tarde, depois das 16h.

*Por Marcos Spagnoli

Os últimos anos trouxeram intensa mudança para o universo escolar. Salas de aulas híbridas, uso de tecnologias para facilitar o aprendizado e cuidados com a saúde emocional e psicológica dos alunos são alguns dos elementos comuns à realidade da maioria das instituições de ensino em 2022. Entretanto, há temas que continuam a ocupar espaço na agenda dos educadores. Um deles, é o bullying.

Diversos autores já estão estudando os impactos da pandemia no comportamento e no desempenho dos alunos. Mas, não é preciso uma análise muito profunda para perceber que o isolamento afetou, e muito, crianças e adolescentes de todas as idades, em especial no que tange a socialização. O apego excessivo aos aparelhos celulares também se mostrou um agravante após o retorno e a possibilidade de registrar um colega sem consentimento ou de divulgá-lo sem autorização, tudo com facilidade, tornou-se uma enorme preocupação da equipe pedagógica. O receio no aumento de casos de cyberbullying virou uma realidade.

É fácil perceber um aumento em casos de indisciplina, principalmente no início do ano. Isso já era esperado e o importante, então, é estar preparado e não negligenciar nenhuma situação do tipo. Para enfrentarmos alguns destes desafios é preciso muito envolvimento, trocas com os alunos e ações em conjunto como forma de resolução. O ponto principal é mostrar que o bullying é algo que afeta o coletivo e, portanto, tem de ser combatido coletivamente.

Quando é identificado uma situação em determinada turma ou grupo de estudantes, os encaminhamentos precisam ser feitos com os envolvidos, mas também com o restante do grupo, mesmo que estes não estejam relacionados diretamente. Dessa forma,  é possível aproveitar as vivências dos próprios estudantes para elucidar o trabalho de conscientização que deve ser feito.

Nesse contexto, todos os colaboradores têm papel importante. O olhar cuidadoso e atento dos docentes continua a ser um fator diferenciado. Com pequenas intervenções em sala de aula, ou à frente de projetos interdisciplinares, o vínculo entre professor e aluno continuará a ser eficaz no combate ao bullying. Se há envolvimento, há, inevitavelmente, maior respeito entre todos e, com isso, há menos espaço para casos de bullying no dia a dia.

Outro ponto fundamental no combate a este tipo de violência é o envolvimento das famílias. Ter um diálogo aberto com os responsáveis, garantir a transparência das situações que ocorrem e estabelecer alinhamentos de condutas são primordiais para o sucesso e a eficácia das ações propostas pela escola.

É possível também combater o bullying de uma forma mais ampla: criar ambientes acolhedores, nos quais os alunos sintam-se confortáveis e fomentem uma cultura de respeito à diversidade, ajuda a construir um senso coletivo de respeito e de não tolerância a este tipo de violência. Diversas escolas têm incorporado a grade de aulas disciplinas como Projeto de Vida, que traz em sua proposta ações e reflexões para trabalhar temas diretamente relacionados ao assunto.

Por esses motivos, se antes da pandemia o tema já não era fácil de ser vencido, agora, no pós, com as sequelas do isolamento, pode ser ainda mais difícil. Mas é possível, de fato, minimizar os episódios e fomentar uma cultura de não tolerância a este tipo de conduta. Atuar na prevenção e na conscientização, constantemente, é fundamental. Afinal, educar é sempre o melhor caminho.

*Marcos Spagnoli tem MBA em Gestão Escolar pela USP Esalq e foi professor de Geografia, Empreendedorismo e Projeto de Vida por mais de 10 anos, com experiência em diferentes sistemas de ensino.

Que a dicotomia entre as mudanças provocadas pela pandemia e o modelo de trabalho poderiam gerar impactos na saúde ocupacional, já não era dúvida. Basta um breve acompanhamento das equipes para identificar que sintomas de exaustão e perda de eficácia não resultavam somente no efeito do trabalho remoto. Mais do que isso: é a Síndrome de Burnout se revelando aos poucos. Fato que pode ser comprovado pelos dados reunidos por Conexa. Afinal, de novembro de 2021 a março de 2022, ocorreu um aumento de 12% nas consultas de telepsiquiatria com registros de quadros relacionados à doença.  As teleconsultas psicológicas também tiveram um boom em março, chegando a 120 mil atendimentos, contra apenas 5 mil no mesmo mês em 2020.

“Diferentemente do início da pandemia de Covid-19, hoje as empresas já conseguem analisar como está a saúde de seus colaboradores de uma forma mais ampla. Afinal, além dos mecanismos, como a telemedicina e a telepsicologia, há programas de bem-estar que oferecem uma nossa visão à liderança, a qual deixa de ser pautada no controle e passa a acolher e humanizar profissionais em quadro de estresse crônico”, destaca a psicóloga Luciene Bandeira, diretora de saúde mental de Conexa e responsável técnica por Psicologia Viva.

Visão holística

O primordial, de acordo com Luciene, é o meio corporativo compreender o conceito de saúde como algo que não se restringe aos comportamentos e resultados no ambiente de trabalho, mas sim a uma ação global, que, inclusive, resvala nas premissas de ESG (Environmental, Social and Corporate Governance). “As organizações podem gerar relatórios variados para mostrar as iniciativas em prol da preservação ambiental, das relações com a comunidade, com acionistas e governo, mas se atentar ao social como uma forma de entender as particularidades do indivíduo e o que o aflige nos âmbitos profissional e pessoal se faz essencial. O bem-estar deixou de ser algo de responsabilidade particular e o mundo já está abrindo os olhos para o cuidado integral da saúde, sem dissociar os ambientes frequentados, suas práticas e impactos”, ressalta.

Desafios para o RH

Se antes seguir a legislação já era o suficiente para ofertar o básico à saúde dos colaboradores, hoje o verdadeiro desafio dos departamentos de recursos humanos é ir além. Com a pandemia, questões atreladas à produtividade e clima organizacional são relatadas de forma recorrente por líderes e funcionários e saber endereçá-las de forma propositiva se tornou parte de um processo de assessment em todos os níveis. “A adoção de protocolos de Covid-19, a manutenção de ritos que mantivesse o engajamento em dia, as orientações aos gestores para manter os times motivados e o tato para lidar com quadros de medo generalizado, necessidade de reintegração social e questões de ansiedade, depressão e burnout foram apenas algumas das atribuições incorporadas à área.

Por essa razão, segundo Luciene, a tendência de atuação humanizada e pautada em pessoas precisou sair rapidamente do discurso e entrar na prática. “A Conexa tem mais de 280 clientes B2B que decidiram ofertar os serviços de saúde digital e treinamentos à liderança como uma maneira de suportar as demandas destinadas ao RH. Vemos nisso um movimento interessante com ampla projeção de crescimento e do reconhecimento do bem-estar como o pilar prioritário na condução de qualquer estratégia de negócios”, pontua.

Fonte: https://www.conexasaude.com.br/

Cada mulher sente de uma forma, mas quando ela chega, todas sabem o nome: TPM (Tensão Pré-Menstrual). Composta por uma lista de sintomas nada agradáveis, o que muitas mulheres não imaginam é que ela vai além da flutuação hormonal. Inclusive, ela é um fenômeno repleto de questões sociais e psicológicas. Entretanto, essa ‘fera’, por mais difícil que seja de domar, não é invencível. E o caminho para amansá-la começa no cérebro.

Oscilações de humor, dores por todos os lados, acne, choro fácil e apatia são apenas alguns dos sinais que anunciam sua chegada. Mesmo a TPM sendo uma ‘velha conhecida’, não é difícil cair em estigmas sociais gerados por ela, afirma Sabrina Amaral, da Epopéia Desenvolvimento Humano: “Acompanhei de perto os impactos que a crise de TPM causa na vida das pessoas. Também vi como, muitas vezes, ela se torna uma ‘muleta’, para que elas não olhem para questões que as incomodam, principalmente na esfera do sentir. Já escutei muitas falas do tipo ‘são os hormônios’, ‘todo mês é assim’, ‘vai passar’, ‘sei que há um exagero, é normal’.”

Mas antes, de onde a TPM vem?

Acredite, a Tensão Pré-Menstrual não se trata de algo restrito ao corpo físico, e sim um fenômeno Bio-Psico-Social. Apesar do nome assustar um pouco, a explicação é simples, como detalha a psicóloga Sabrina Amaral logo abaixo:

BIO: Sim, mulheres sofrem muito com as questões hormonais e os impactos biológicos do ciclo menstrual. O aspecto fisiológico precisa ser compreendido e levado em consideração, mas, na visão da especialista, ele é supervalorizado. “Quando ouço alguém falar que a ‘a culpa é dos hormônios’, parece que eles são uma espécie de possessão incontrolável, mas na prática tem muito mais coisas envolvidas além dele”, destaca.

PSICO: Questões psicológicas e emocionais estão inclusas aqui. Para Sabrina, a mulher possui uma espécie de ‘cofrinho emocional’. “Ao longo do mês, ela vai colocando moedinhas lá dentro, representando todas as situações com as quais ela não quer lidar: carência, insegurança, ciúme, baixa autoestima, dificuldade de dizer não. Enfim, moedas não faltam! Só que, quando chega aquela época fatídica do mês, a pessoa explode o cofrinho e aí é moeda para tudo quanto é lado. E a culpa é atribuída a quem? À TPM”, pontua.

SOCIAL: Quase como nos filmes da saga Harry Potter, em que o Voldemort é chamado como ‘aquele que não deve ser nomeado’, a TPM também tem seu ‘apelidinho’. É o famoso ‘estar naqueles dias’. A sociedade já enxergou a existência da TPM, mas entende como se, neste período do mês, existisse uma permissão para ‘explodir’. Como se fosse justificável ter crises de choro, explosões de raiva, comportamentos impulsivos, atitudes que não seriam aceitas em ocasiões ‘normais’. “Note que há aceitação social do sintoma, de forma que tudo é normalizado sem questionamentos”, reflete Sabrina Amaral.

Chegou a hora: 3 passos para domar a TPM

Depois de compreendida a formação deste fenômeno, é hora de pegar o seu ‘cofrinho emocional’ e aprender como cuidar melhor de você ao longo deste período. Para isso, a psicóloga Sabrina Amaral desenvolveu uma estratégia em 3 passos, que aplica diariamente em seu consultório, descrita logo abaixo:

1.º Passo: Junte e conte as suas moedinhas

Ao invés de encher seu ‘cofrinho emocional’ com moedas de insatisfação, observe seus sentimentos diariamente. Uma ótima ferramenta para isso é o journaling, o famoso diário. Não, isso não é coisa de adolescente. É um recurso precioso de autoconhecimento. Significa criar o hábito de, ao final do dia, olhar para os acontecimentos e tomar consciência de como você percebeu cada um deles.

Assim, fica mais fácil identificar o que te deixou feliz e, principalmente, o que não te deixou feliz. Encare isso como um ‘extrato diário’ da sua conta emocional, para entender se você está com crédito ou no vermelho. Dica adicional: enriqueça sua prática com o ‘emocionário’ produzido pela especialista, e que está disponível aqui.

2.º Passo: Avalie o câmbio do dia

Bem, agora que você sabe quantas moedas têm no seu cofrinho, e como elas foram parar lá, você precisa observar o ‘câmbio do dia’. Isto quer dizer que você vai pensar sobre quais comportamentos que você teve que te levaram ao lugar de insatisfação. De onde eles vieram? Qual era a sua intenção? Que necessidades você estava tentando atender?

Depois disso, é preciso analisar que escolhas ou atitudes diferentes poderão ser adotadas no futuro para não acumular esse lixo emocional. A dica aqui é não cair na tentação de ficar ruminando a culpa, e sim, focar em ações simples e factíveis que estejam no controle e que aproximem do resultado desejado.

3.º Passo: Diversifique seus investimentos

Chegou o momento de fazer ‘experimentos’. A beleza deles é o fato de não serem definitivos. E mesmo que não se chegue no resultado almejado, basta abandonar o plano e simplesmente voltar ao estado inicial, ou seja, o pior que pode acontecer é: nada.

Pensando nisso, a psicóloga faz uma recomendação: “Permita-se testar hipóteses, comportamentos, falas, atitudes, posturas, isto é, tudo aquilo que você acha que pode ajudar a minimizar o impacto da sobrecarga emocional na sua vida e aliviá-la. Em um primeiro momento, pode surgir medo agir diferente e sair da zona de conforto, mas, na prática, o medo é bem maior na sua cabeça do que na realidade. Acredite.”

 Assuma o protagonismo!

Ao percorrer estes três passos, a TPM deixa de ser a protagonista no seu ciclo e na sua vida e volta ao lugar onde ela deveria estar. “É algo que acontece com você, mas não define quem você é. Cuidar da TPM antes dela chegar, significa que você não vai mais deixar combustível para explosões naquela época do mês. E que quando os hormônios se exaltarem, você vai estar mil vezes mais preparada e, de uma certa forma, blindada para lidar com eles. Assuma o controle!”, conclui Sabrina Amaral.

Artigo na íntegra: clique aqui 


Sabrina Amaral: Psicóloga, hipnoterapeuta clínica, Practitioner em PNL e Coach da Mente, pós-graduada em Gestão de Pessoas e especialista em neurociência aplicada ao comportamento humano.

Infográfico saúde mental
Psicologia Viva/Eurofarma

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil tem o maior índice de pessoas com transtorno de ansiedade no mundo. São quase 19 milhões de brasileiros diagnosticados, o que se intensificou durante a pandemia da covid-19.  A percepção desse quadro entre os brasileiros está cada vez maior e a busca por esse tema no País lidera o ranking das pesquisas, representando 20,1%. É o que revela o “Report Anual da Saúde Mental dos Brasileiros”, relatório quantitativo detalhado com dados extraídos da plataforma Psicologia Viva, maior empresa de saúde mental da América Latina e integrante do Grupo Conexa, em parceria com a Eurofarma. 

Entre junho de 2020 e junho de 2021, foram avaliados mais de 84 mil registros distintos de pacientes, associados a aproximadamente 925 mil agendamentos de teleconsultas psicológicas. Além da ansiedade, que lidera as buscas dos pacientes na plataforma com 20,1% de procura, depressão (6,5%), desenvolvimento pessoal (4,93%), psicologia clínica (3,27%) e saúde mental (2,59%) entram no ranking dos 5 temas mais buscados entre todas as faixas etárias. 

Para Fabiano Carrijo, CEO Brasil da Psicologia Viva, esta pesquisa ajuda a entender os principais desafios de cada fase da vida, desde a infância até a terceira idade, e se torna um ponto de partida para que os psicólogos também possam dar uma orientação com ainda mais qualidade e direcionamento aos seus pacientes.  

De acordo com o relatório, as mulheres agendaram mais consultas na plataforma durante o período analisado. Entre os que optaram em informar o gênero (62,5%), 73,8% dos pacientes são do sexo feminino e 26,2% são do sexo masculino. Esses números refletem uma informação de conhecimento popular, de que a mulher, historicamente, busca se cuidar mais. “Ao notar que algo não está bem, seja relacionado à sua saúde física ou mesmo emocional, elas já procuram ajuda, ao contrário dos homens, que acabam relutando mais em buscar um apoio profissional”, comenta Luciene Bandeira, psicóloga e cofundadora da Psicologia Viva.  

Os jovens adultos são os que mais procuram por assistência psicológica on-line. Os da faixa etária entre 21 e 40 anos representam cerca de 40% dos agendamentos de teleconsultas no período, entre os que reportaram a idade. Sobre os temas mais buscados na plataforma por essa faixa de idade, a ansiedade ocupa o primeiro lugar, com 21,3% das pesquisas. Tanto homens quanto mulheres de 15 a 30 anos têm como segundo principal tema de busca o desenvolvimento pessoal, com 6,2% das buscas. Já dos 31 aos 45 anos, o segundo lugar é ocupado pelo tema depressão (6,0%). 

“Uma possível explicação para o desenvolvimento pessoal ser foco das buscas dos jovens talvez seja o ingresso no mercado de trabalho e as questões psicológicas que isso envolve. Já dos 31 ao 45, é preocupante avaliar que a depressão ocupa este lugar, o que pode sugerir uma relação com a Síndrome de Burnout (relacionada ao estresse gerado pelo trabalho excessivo), problemas financeiros ou de relacionamento”, explica Luciene. 

Pais de crianças e adolescentes também se mostram preocupados com a saúde mental de seus filhos, buscando aconselhamento para esse público. Os meninos de 0 a 16 anos agendaram mais atendimentos psicológicos, equivalendo a 5,5% do total de agendamentos por pessoas do sexo masculino no período, em comparação com as meninas na mesma faixa etária (2,7% dos agendamentos por pessoas do sexo feminino). “A literatura especializada sugere algumas possíveis explicações para o caso. A prevalência de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) em meninos é de 14%, por exemplo, contra apenas 6,3% nas meninas. O autismo também é mais prevalente nos garotos, cerca de 4,3 vezes mais”, conta a psicóloga. 

É importante destacar que pessoas acima dos 80 anos, que geralmente não têm familiaridade com as novas tecnologias, representam 0,35% do total, aproximadamente dois mil agendamentos de consultas psicológicas on-line, o que não deixa de ser um número expressivo. Entre os temas mais buscados por homens e mulheres acima dos 60 anos está “acompanhamento psicológico de idosos” (22% mulheres e 18% homens), seguido de ansiedade e depressão. “É interessante notar que este público está em busca de ajuda através da tecnologia, pois é uma fase da vida em que muitos já perderam membros importantes da família, sentem os impactos da idade, ou podem se sentir sozinhos”, conclui Luciene. 

Para visualizar o relatório completo, acesse: https://conteudo.psicologiaviva.com.br/report-pviva-eurofarma 


Notas: 

  1. Dos mais de 84 mil pacientes que agendaram consultas, aproximadamente 32 mil, 37,5%, optaram por não informar o gênero.
  2. Dos 925 mil agendamentos, mais de 360 mil agendamentos não apresentavam a idade do paciente.
  3. Dos mais de 920 mil agendamentos efetuados na plataforma, em mais de 700 mil casos o estado civil não foi informado, ou seja, 77% do total de agendamentos.
  4. Quase 50 mil pacientes responderam o estado de origem, dos mais de 80 mil com pelo menos um agendamento. Apenas 3 estados representam aproximadamente 79,5%. Estados com maior número de agendamentos tendem a ter um público mais velho, enquanto os estados com menos agendamento tendem a ter um público em média mais jovem.
  5. Assim como o tema buscado pelos pacientes é de grande relevância, os temas de uma consulta reportados pelos psicólogos são importantes para entender o comportamento dos pacientes. Porém, das mais de 920 mil consultas, em quase 825 mil agendamentos o psicólogo não reportou o tema.

A tecnologia do QR Code já é utilizada em diversas áreas, desde a entrada de um show até para fazer um pagamento. Sua praticidade fez com que os mais variados segmentos a adotassem, e não seria diferente na área da saúde. Uma das formas que essa tecnologia é aplicada neste segmento é nos resultados de exames médicos. Além de ser uma alternativa rápida, é um meio que garante a segurança do resultado, visto que o risco de fraude diminui consideravelmente.

“O QR Code nos laudos de exames médicos permite que a veracidade das informações possam ser facilmente verificadas. Ao fazer a leitura do QR Code, ocorre a abertura de uma página web onde uma cópia do laudo é apresentada. Assim, é possível confrontar as informações entre o laudo apresentado pelo paciente e o laudo do sistema”, explica Rodrigo Faitta Chitolina, supervisor de laboratório e responsável técnico do ID8 – Inovação em Diagnóstico.

Segurança garantida pelo QR Code

O QR Code, que significa Quick Response Code, existe desde os anos 1970 e consiste em um gráfico 2D que pode ser lido por câmeras da maioria dos celulares do mundo. Nos últimos meses, alguns países tornaram obrigatório, tanto na entrada como na saída de viagens internacionais, a apresentação do exame molecular de antígeno RT-PCR negativo, 72 horas antes do embarque. Por este motivo, o uso de QR Code nos resultados dos exames começou a ser requisitado, para evitar fraudes e/ou adulterações no laudo médico. 

O Egito, por exemplo, foi um dos primeiros países a tornar obrigatória esta exigência, que pede, além do QR Code, o exame PCR impresso e com carimbo do laboratório, até 96 horas antes do embarque. A comprovação por meios eletrônicos identifica a clínica ou o laboratório no qual o teste foi realizado, além de data, horário e local. 

Laboratórios de análises clínicas ao redor do mundo já passaram a aderir o uso do QR Code nos resultados de exames médicos, como é o caso do ID8, que já chegou a emitir mais de 100 mil laudos de RT-PCR em um único mês. “Todos os exames são parametrizados para liberação com QR Code de verificação e validação”, destaca Chitolina. 

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, países como Alemanha, Bolívia, Canadá, Catar, Equador, Peru, Paraguai, Índia, Itália, Suíça, Turquia, entre outros, exigem o RT-PCR com resultado negativo emitido até 72 horas antes do embarque. Comprar ou vender um teste falsificado é crime, podendo resultar em fraude e prisão. No Brasil, diversos casos desse tipo de fraude já foram noticiados, inclusive em atestados médicos trabalhistas, sendo que o QR Code também pode evitar este tipo de fraude no ambiente corporativo. 

Outro documento que pode ser obrigatório para a entrada em alguns países é o comprovante de vacinação. Para os brasileiros, a carteira é disponibilizada no aplicativo . O certificado digital de vacinação também está disponível e conta com a tecnologia do QR Code, garantindo segurança e sua autenticidade. 

Agilidade é fundamental para tratamento eficaz

Com a pandemia de Covid-19, é imprescindível rapidez e agilidade nos resultados de exames. “Um resultado assertivo e liberado em poucas horas garante uma detecção precisa e rápida dos patógenos mesmo em situações de sintomatologia não definida, orienta o tratamento assertivo na conduta médica e ainda permite reduzir gastos hospitalares, morbidade e mortalidade”.

Com a resposta dos exames no menor tempo possível, o tratamento correto é iniciado antes, evitando a ocupação de leitos em hospitais e o uso de medicamentos mais fortes, como antibióticos. “Entendemos que o diferencial do diagnóstico reside, além da precisão e acurácia, em uma liberação rápida dos resultados”, finaliza Chitolina, do ID8. 


Rodrigo Faitta Chitolina, supervisor de laboratório e responsável técnico do ID8 – Inovação em Diagnóstico. 

 

O britânico Chris Staniforth, de 20 anos, morreu com coágulos no sangue depois de ficar jogando Xbox por 12 horas a cada sessão. O jovem sofreu um bloqueio pulmonar quando desenvolveu uma trombose venosa profunda. Foto divulgação

Pessoas que têm o hábito de passar grandes períodos sentadas ou deitadas, sem movimentar as pernas, sobretudo as adeptas dos videogames, correm riscos quanto à saúde vascular e elevam a ocorrência de doenças como a trombose. E a preocupação é que esse perigo também se estende à faixa etária dos 15 aos 24 anos de idade.

Entre os jovens, a prevalência da doença anteriormente era baixa, e se manifestava em casos específicos como em internações hospitalares – principalmente em UTI -, câncer, uso de cateter central para infusão de medicamentos e obesidade. Nos últimos anos, com o sedentarismo, casos de Covid-19 e isolamento social, permanecer muito tempo na frente da TV, do computador ou do videogame intensificou o surgimento da trombose, como relata o cirurgião vascular e presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP), Dr. Fabio Rossi.

“Quando permanecemos imobilizados por muito tempo, seja sentado ou em pé, existe a estase, que é o represamento do sangue nas pernas. O sangue parado tende a se solidificar, formando o coágulo ou trombo. Isso significa um aumento do risco de trombose que, atualmente, tem atingido também os jovens gamers, que permanecem sentados por horas na frente de um computador”, explica o médico.

Sintomas

A doença ocorre quando há a formação de um coágulo na circulação sanguínea, que prejudica o fluxo de sangue no organismo, que também surge com a trombose venosa profunda (TVP) e a embolia pulmonar (TEP). Um dos principais mecanismos responsáveis pelo retorno do sangue venoso dos membros é a contração da bomba muscular da panturrilha, que por sua vez impulsiona a coluna de sangue de volta ao coração, e é prejudicada com a falta de movimento.

A trombose se manifesta com inchaço, edema, dor e arroxeamento nas pernas. Nos casos de embolia, são comuns dores no peito, tosse, falta de ar, palpitação e, em ocorrências mais graves, parada cardiorrespiratória e óbito. “Nessas situações, é indispensável procurar um médico vascular que, na maioria dos casos, fará um exame chamado Doppler Vascular, que tem a capacidade de confirmar o diagnóstico e verificar a gravidade da trombose”, alerta Dr. Rossi.

Prevenção

Para evitar o desenvolvimento do tromboembolismo venoso, o profissional recomenda a adesão de iniciativas simples, porém saudáveis, na rotina:

  • Evitar longos períodos em uma mesma posição, seja em pé, deitado ou sentado;
  • Fazer pausas durante as partidas de videogame para movimentar os membros inferiores, com pequenas caminhadas e alongamentos ao longo do dia;
  • Praticar exercícios físicos regularmente;
  • Manter uma alimentação balanceada, sem o exagero de alimentos gordurosos;
  • Ingerir bastante líquido.

O médico ainda reforça a necessidade de sempre se hidratar bebendo água e não sucos ou outros tipos de bebidas. “Não vale refrigerante, porque eles contêm cafeína, que promove a diurese e pode provocar até mesmo a desidratação”, alerta.

A prevenção e o diagnóstico precoce ajudam a evitar maiores complicações em relação à doença. É fundamental consultar um angiologista ou cirurgião vascular e estar alerta aos sinais do corpo. “Sobretudo, é necessário que a população se informe sobre o significado da doença e como evitar o TEV, além de ficar atenta aos principais sinais e sintomas, pois há casos onde a intervenção imediata por equipes multidisciplinares, treinadas e equipadas se faz necessária para evitar a morte por embolia pulmonar, tão prevalente em nossa sociedade, e as suas sequelas crônicas”, afirma Dr. Fabio Rossi.


O Dr Fabio H Rossi possui Doutorado e Pós-Doutorado pelo Instituto Dante Pazzanese (IDPC) e Universidade de São Paulo (USP), e especialização internacional pelo Montefiore Medical Center ( Prof Frank J Veith – Nova Iorque – EUA). É o Professor coordenador responsável pela Residência Médica em Cirurgia Vascular e Endovascular, e também pela disciplina de Pós-Graduação de Tecnologia em Cirurgia Cardiovascular e Endovascular extra-cardíaca (IDPC-USP). Atualmente é Presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP).

Por Rafael Kenji Fonseca Hamada

Com o anúncio do metaverso pela empresa Meta, em 2021, algumas companhias já estão em busca do pioneirismo nesse novo universo, que se propõe a ser o maior avanço de tecnologia desde o surgimento da internet. Com o 5G e o aumento da velocidade de download e navegação, o metaverso ganha ainda mais notoriedade.

Em 2022, a previsão é de um maior surgimento de startups voltadas à acessibilidade e inclusão, uma vez que o modo de se relacionar está cada vez mais virtual. Já existem discussões para transferência de reuniões de trabalho para o ambiente de realidade virtual, o que facilita o acesso a pessoas com deficiência física e motora, mas é um grande desafio a pessoas com déficit de acuidade visual e auditiva. A boa notícia é que existem diversas startups brasileiras com soluções para esses problemas que já existem no meio real e serão transferidos para o virtual.

Os avanços na a área da saúde não serão diferentes. Em breve os novos consultórios serão virtuais formados por avatares, uma evolução da telemedicina tradicional. O paciente ganha ainda mais conforto ao solicitar um atendimento de sua casa, sem precisar de deslocar para alguma unidade de saúde para triagem ou em casos leves, como muito utilizado no enfrentamento da pandemia de COVID-19. A possibilidade de gameficação em todo esse processo aumenta o protagonismo do paciente no acompanhamento do seu cuidado em saúde e facilita a prevenção de agravos.

O metaverso será um grande aliado ao enfrentamento de problemas de saúde e nos programas de prevenção, já que surge uma nova forma de disseminação de informações, coleta de padrões de uso, pensamento e atuação, além de estimular o comportamento de usuários para o cuidado de sua própria saúde.

A promessa das healthtechs, startups com soluções voltadas para a saúde, é o uso da realidade virtual e da inteligência artificial na educação em saúde e no acesso aos serviços de saúde. Faculdades de medicina já utilizam a realidade virtual par ao ensino de disciplinas como anatomia e radiologia. Psiquiatras e psicólogos já usam há algum tempo a realidade virtual para o tratamento de fobias e transtornos do pânico. Isso tudo vem complementar a tecnologia tradicional, que, ao contrário do que se pensa, tecnologias como a telemedicina e os óculos de realidade virtual já estão presentes no Brasil desde antes dos anos 2000.

Como em todo período de catástrofes, guerras ou situações de privação durante a História, apesar dos momentos infelizes, foram desenvolvidas tecnologias essenciais em saúde. A amoxicilina, a dipirona e o soro fisiológico surgiram durante as guerras, e a pandemia de Covid-19 certamente será um momento de descoberta e desenvolvimento de novas tecnologias e produtos que impactarão a saúde das próximas gerações. A criação acelerada das vacinas, que demoraram menos de um ano para serem testadas, aprovadas e aplicadas, já é um grande exemplo dessa evolução.

No próximo ano, aguardamos o surgimento de novas tecnologias e produtos que auxiliarão no combate desta e de próximas pandemias e facilitarão o acesso à saúde, bem como já esperamos um aumento do investimento em healthtechs, além da criação de novas healthtechs nos segmentos de realidade virtual, inteligência artificial, acessibilidade e inclusão, telemedicina — apesar da saturação vista no último ano — e biotecnologia.


*Rafael Kenji Hamada é médico, investidor anjo e CEO da Feluma Ventures, uma corporate venture builder cujo principal objetivo é desenvolver soluções inovadoras voltadas ou adaptadas para as áreas de saúde e educação. É, também, fundador da @academy.abroad; intercambista da Harvard Medical School e speaker do TEDx FCMMG — [email protected]

No primeiro ano da pandemia da Covid-19, os brasileiros recorreram mais às bebidas alcóolicas e às drogas. Levantamento feito pela Global Drug Survey (GDS) em 2020 e divulgado no ano passado, mostra um aumento de 17.2% no consumo de maconha; 7.4% de cocaína e de 12.7% de benzodiazepínicos (ansiolíticos e hipnóticos) no Brasil. Com relação ao consumo de álcool, o aumento foi de 13,1%, um pouco abaixo da média mundial de 13,5%. A pesquisa foi realizada com mais de 55 mil pessoas em todo o mundo e  desenvolvida como parte de um esforço global para entender melhor o impacto da pandemia na vida das pessoas, com foco no uso de álcool e outras drogas, saúde mental e relacionamentos.

Para alertar sobre o assunto, foi criado o Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, no próximo dia 20 de fevereiro. Após dois anos de pandemia, a rotina das pessoas voltou a uma certa normalidade e os feriados prolongados seguem como oportunidade para o uso dessas substâncias. No Brasil, o principal deles é o Carnaval, período popularmente conhecido pelas pessoas se extravasarem e cederem aos excessos. Neste ano, devido a variante ômicron, muitas cidades cancelaram as celebrações da data, principalmente as públicas, mas as festas particulares seguem permitidas. 

Legalizadas, as bebidas alcóolicas são de fácil acesso para as pessoas. O hepatologista Rafael Ximenes, que atende no centro clínico do Órion Complex, percebe aumento de demanda após feriados prolongados. “Depois de festas e feriados, aumenta a procura médica, seja de quem já consome álcool e piora, seja de quem bebe pouco e passa mal”. Ele ainda fala dos sinais imediatos do consumo de álcool. “Em um primeiro momento existem mudanças de comportamento, perdas de reflexo, as quais causam acidentes, e ainda violência”, detalha.

O médico explica que o consumo constante e exagerado das bebidas causa, a longo prazo, pancreatite, cirrose, lesões neurológicas e no coração, mas que no início elas não apresentam sinais. “Os sintomas só aparecem quando a doença já está grave. A pancreatite causa dor na parte superior da barriga e diarréia. A icterícia, que são os olhos e a pele amarelados, pode ser sinal de cirrose ou hepatite alcóolica”, exemplifica Rafael, citando que uma forma de prevenção é ir ao médico regularmente.

Ao contrário do que algumas pessoas pensam, não é o tipo da bebida que irá fazer mais ou menos mal, mas o seu consumo. “Dependendo da quantidade ingerida, a cerveja é mais leve, com menor teor alcóolico, mas as pessoas costumam beber mais”, ressalta Rafael Ximenes. “O recomendado é que as mulheres consumam no máximo sete doses por semana e os homens 14, sendo que uma dose equivale a uma lata de cerveja, 40 ml de destilado ou uma taça de vinho de 125 ml”, indica o hepatologista.

Outras drogas
A psiquiatra Lucila Pereira Neves, que também atende no centro clínico do Órion Complex, conta que normalmente as pessoas começam a beber ou experimentam drogas por curiosidade, incentivo de amigos, para se divertir ou para dar alívio a algum sentimento ruim, como tristeza, timidez ou ansiedade. “O uso repetitivo poderá levar ao vício devido a um mecanismo neurobiológico desencadeado pela própria substância consumida, que leva a uma descarga de dopamina no cérebro. A dopamina é um neurotransmissor que nos dá a sensação de prazer. Com isso, ocorre o desejo de repetir o uso”, explica ela.

Tanto as drogas quanto às bebidas trazem muitas consequências para quem consome. “Os males físicos, como alterações hepáticas, pulmonares, dores neuropáticas, desnutrição; males cognitivos, como prejuízo da inteligência, atenção, memória e raciocínio. Existem os males emocionais, como depressão, ansiedade e piora dos transtornos psiquiátricos que a pessoa já possua; males sociais, com prejuízo nos relacionamentos com familiares, amigos e profissionais. E ainda os males financeiros, pois o dependente químico, além de perder emprego ou não conseguir ser empregado, se desfaz de seus bens para financiar o vício”.

A médica destaca que a melhor forma de evitar o vício é não experimentar. “Uma vez experimentadas, a chance de evolução para dependência pode ser imprevisível, a depender de vários fatores”, explica. Um dependente químico não afeta apenas a si, mas também a quem está à sua volta. “Traz tristeza aos familiares, que muitas vezes não sabem como ajudar. Além de ficar mais exposto a violência e acidentes e ele mesmo praticar atos violentos e criminosos, levando a repercussões jurídicas”.

Lucila Pereira concorda que, após o Carnaval e feriados prolongados, aumenta a procura por atendimento médico. “Principalmente por quem teve recaída, ou seja, já estava em um processo terapêutico e procura com maior facilidade o atendimento médico, sem tanto medo e preconceito, que ainda são grandes entraves ao tratamento e a busca de ajuda”, detalha. Dentre os tratamentos disponíveis para os dependentes químicos, ela cita a psicoterapia, terapia ocupacional, mudanças do estilo de vida com atividade física regular, higiene do sono, alimentação adequada e combate ao estresse, suporte espiritual e tratamento medicamentoso clínico e psiquiátrico. 


A psiquiatra Lucila Pereira Neves cita todos os malefícios causados pelo uso das drogas e como eles afetam os usuários e quem está a sua volta. Arquivo Pessoal

 

Hepatologista Rafael Ximenes explica que as doenças causadas pelo consumo exagerado de bebidas só apresentam sinais quando estão avançadas. Arquivo Pessoal

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