Mente saudável

Imagem de capa da newsletter
Fonte: LinkedIn/ Renata Cox
 
Vamos falar a verdade: hoje em dia, é muito bonito falar que você está investindo em autoconhecimento, essa palavra que virou moda e vive aparecendo nas conversas e em posts nas redes sociais. Mas será que você está MESMO desenvolvendo essa que é uma das habilidades mais importantes para o seu crescimento como profissional, e mais do que isso, como pessoa em todas as áreas da sua vida?

Como psicóloga, eu vejo como esse tema se tornou batido e constantemente alimentado por crenças que nos afastam do nosso verdadeiro objetivo. Aliás, tenho a impressão de que muita gente pensa que se trata de algo que se compra no supermercado, sabe? Embalado e pronto para o consumo.

Basta fazer um curso ou ler um livro que pronto, você se tornou o(a) mestre(a) de si mesmo(a). Como se fosse tão simples assim!

Pensando nisso, resolvi escrever este artigo com alguns puxões de orelha em relação a esse assunto, rs, mas com as melhores das intenções, ou seja: torná-lo mais palpável e nos aproximar do que ele realmente significa. Vamos juntos(as)?

Autoconhecimento não é sobre apenas conhecer seus pontos fortes e fracos

 Nos ambientes profissionais, é muito comum escutarmos que essa habilidade nos permite entender aquilo que somos bons e aquilo que precisamos desenvolver mais, direcionando os nossos esforços futuros. Isso é verdade? Claro! Só que esta é apenas uma informação básica sobre você mesmo(a).

O se autoconhecer vai muito mais além. Ele possibilita que a gente se enxergue como realmente somos, e não quem pensamos ser, tendo clareza da nossa personalidade, das nossas atitudes, dos nossos valores e da forma como reagimos diante das situações, nos munindo de uma consciência que nos permite viver com mais propósito.

Entender seus pontos fortes e fracos é importante. Contudo, apenas um conhecimento profundo sobre quem você é permite o desenvolvimento do seu máximo potencial e o alcance da realização pessoal.

Autoconhecimento não se compra em livros

 Atualmente, existe uma vasta oferta de leituras que têm esse tema como norte, e todas elas possuem, sim, o seu valor. Afinal, quanto mais nos familiarizamos com algo, mais facilmente compreendemos o seu significado.

O problema é que a teoria sem prática não traz nenhum efeito. É como se você lesse sobre vida saudável e não iniciasse uma rotina de exercícios físicos, e começasse a se alimentar melhor. Seu corpo não vai mudar se não colocar no seu dia a dia aquilo que foi aprendido.

Portanto, leia quantos livros quiser sobre o assunto, desde que seja um(a) aluno(a) nota 10 e pratique o que foi estudado.

Autoconhecimento não tem linha de chegada

 Pense comigo: você se considera, hoje, a mesma pessoa que era 10 anos atrás?

Provavelmente a resposta é “não”, certo? Por isso que eu digo: dificilmente, chegará um momento da sua vida que você saberá absolutamente tudo sobre a sua pessoa, sem necessidade de alguma outra investigação. Somos seres mutáveis e, portanto, sempre existe algo novo para descobrir em relação a nós mesmos.

E quer saber? É isso que torna esse processo tão interessante e muito mais bonito.

Vou usar mais uma metáfora importante aqui: pense que o se autoconhecer é como construir uma casa. Uma vez que se tenha a fundação forte e bem estruturada, é possível, com o passar do tempo, mudar as cores das paredes, trocar as mobílias, usar os cômodos de outras formas, enfim, se adequar a tudo o que está acontecendo ao seu redor sem grandes sofrimentos. Afinal, existe segurança de que as paredes não vão cair e o chão não vai afundar.

Autoconhecimento não se conquista sem investimentos

 Pessoas que gostam de estar sempre estudando e aprimorando suas habilidades comumente investem em diferentes cursos e especializações para potencializar suas hard skills e se destacar cada vez mais no mercado. E a lógica é exatamente a mesma quando falamos sobre soft skills, habilidades comportamentais que fazem parte de todo o processo de se autoconhecer.

Dedicar tempo e atenção para os nossos recursos internos é o que garante que eles se desenvolvam cada vez mais. Esqueça essa história de que eles são inatos ou que eventualmente vão cair do céu. Novamente, eu reforço: você precisa ser proativo(a) e correr atrás.

Autoconhecimento pede orientação profissional

 Vamos voltar à história da casa: se eu te pedir para iniciar essa construção em um terreno vazio, conseguiria fazer isso sem ajuda — mesmo que seja engenheiro(a), pedreiro(a) ou arquiteto(a)?

Qualquer processo mais complexo demanda orientação profissional, e o autoconhecimento não é diferente. É preciso método e ciência para que você percorra esse caminho de forma mais assertiva e sem fazer curvas erradas, fortalecendo-se cada vez mais.

Eu sou psicóloga especialista em carreira e nos meus atendimentos ajudo os clientes a construírem suas casas internas para que possam, a partir daí, atingir seus objetivos profissionais em busca de realização e de uma vida mais plena e feliz!

Convido você a dar uma olhadinha nas mais de 140 recomendações que eu tenho aqui no LinkedIn de quem já iniciou essa caminhada comigo. Você também pode me enviar uma mensagem clicando aqui.

Espero que este artigo tenha inspirado uma busca mais supimpa pelo se autoconhecer. Até a próxima, vamos que vamos!

Renata Cox -Psicóloga especialista em carreira

Que a dicotomia entre as mudanças provocadas pela pandemia e o modelo de trabalho poderiam gerar impactos na saúde ocupacional, já não era dúvida. Basta um breve acompanhamento das equipes para identificar que sintomas de exaustão e perda de eficácia não resultavam somente no efeito do trabalho remoto. Mais do que isso: é a Síndrome de Burnout se revelando aos poucos. Fato que pode ser comprovado pelos dados reunidos por Conexa. Afinal, de novembro de 2021 a março de 2022, ocorreu um aumento de 12% nas consultas de telepsiquiatria com registros de quadros relacionados à doença.  As teleconsultas psicológicas também tiveram um boom em março, chegando a 120 mil atendimentos, contra apenas 5 mil no mesmo mês em 2020.

“Diferentemente do início da pandemia de Covid-19, hoje as empresas já conseguem analisar como está a saúde de seus colaboradores de uma forma mais ampla. Afinal, além dos mecanismos, como a telemedicina e a telepsicologia, há programas de bem-estar que oferecem uma nossa visão à liderança, a qual deixa de ser pautada no controle e passa a acolher e humanizar profissionais em quadro de estresse crônico”, destaca a psicóloga Luciene Bandeira, diretora de saúde mental de Conexa e responsável técnica por Psicologia Viva.

Visão holística

O primordial, de acordo com Luciene, é o meio corporativo compreender o conceito de saúde como algo que não se restringe aos comportamentos e resultados no ambiente de trabalho, mas sim a uma ação global, que, inclusive, resvala nas premissas de ESG (Environmental, Social and Corporate Governance). “As organizações podem gerar relatórios variados para mostrar as iniciativas em prol da preservação ambiental, das relações com a comunidade, com acionistas e governo, mas se atentar ao social como uma forma de entender as particularidades do indivíduo e o que o aflige nos âmbitos profissional e pessoal se faz essencial. O bem-estar deixou de ser algo de responsabilidade particular e o mundo já está abrindo os olhos para o cuidado integral da saúde, sem dissociar os ambientes frequentados, suas práticas e impactos”, ressalta.

Desafios para o RH

Se antes seguir a legislação já era o suficiente para ofertar o básico à saúde dos colaboradores, hoje o verdadeiro desafio dos departamentos de recursos humanos é ir além. Com a pandemia, questões atreladas à produtividade e clima organizacional são relatadas de forma recorrente por líderes e funcionários e saber endereçá-las de forma propositiva se tornou parte de um processo de assessment em todos os níveis. “A adoção de protocolos de Covid-19, a manutenção de ritos que mantivesse o engajamento em dia, as orientações aos gestores para manter os times motivados e o tato para lidar com quadros de medo generalizado, necessidade de reintegração social e questões de ansiedade, depressão e burnout foram apenas algumas das atribuições incorporadas à área.

Por essa razão, segundo Luciene, a tendência de atuação humanizada e pautada em pessoas precisou sair rapidamente do discurso e entrar na prática. “A Conexa tem mais de 280 clientes B2B que decidiram ofertar os serviços de saúde digital e treinamentos à liderança como uma maneira de suportar as demandas destinadas ao RH. Vemos nisso um movimento interessante com ampla projeção de crescimento e do reconhecimento do bem-estar como o pilar prioritário na condução de qualquer estratégia de negócios”, pontua.

Fonte: https://www.conexasaude.com.br/

Cada mulher sente de uma forma, mas quando ela chega, todas sabem o nome: TPM (Tensão Pré-Menstrual). Composta por uma lista de sintomas nada agradáveis, o que muitas mulheres não imaginam é que ela vai além da flutuação hormonal. Inclusive, ela é um fenômeno repleto de questões sociais e psicológicas. Entretanto, essa ‘fera’, por mais difícil que seja de domar, não é invencível. E o caminho para amansá-la começa no cérebro.

Oscilações de humor, dores por todos os lados, acne, choro fácil e apatia são apenas alguns dos sinais que anunciam sua chegada. Mesmo a TPM sendo uma ‘velha conhecida’, não é difícil cair em estigmas sociais gerados por ela, afirma Sabrina Amaral, da Epopéia Desenvolvimento Humano: “Acompanhei de perto os impactos que a crise de TPM causa na vida das pessoas. Também vi como, muitas vezes, ela se torna uma ‘muleta’, para que elas não olhem para questões que as incomodam, principalmente na esfera do sentir. Já escutei muitas falas do tipo ‘são os hormônios’, ‘todo mês é assim’, ‘vai passar’, ‘sei que há um exagero, é normal’.”

Mas antes, de onde a TPM vem?

Acredite, a Tensão Pré-Menstrual não se trata de algo restrito ao corpo físico, e sim um fenômeno Bio-Psico-Social. Apesar do nome assustar um pouco, a explicação é simples, como detalha a psicóloga Sabrina Amaral logo abaixo:

BIO: Sim, mulheres sofrem muito com as questões hormonais e os impactos biológicos do ciclo menstrual. O aspecto fisiológico precisa ser compreendido e levado em consideração, mas, na visão da especialista, ele é supervalorizado. “Quando ouço alguém falar que a ‘a culpa é dos hormônios’, parece que eles são uma espécie de possessão incontrolável, mas na prática tem muito mais coisas envolvidas além dele”, destaca.

PSICO: Questões psicológicas e emocionais estão inclusas aqui. Para Sabrina, a mulher possui uma espécie de ‘cofrinho emocional’. “Ao longo do mês, ela vai colocando moedinhas lá dentro, representando todas as situações com as quais ela não quer lidar: carência, insegurança, ciúme, baixa autoestima, dificuldade de dizer não. Enfim, moedas não faltam! Só que, quando chega aquela época fatídica do mês, a pessoa explode o cofrinho e aí é moeda para tudo quanto é lado. E a culpa é atribuída a quem? À TPM”, pontua.

SOCIAL: Quase como nos filmes da saga Harry Potter, em que o Voldemort é chamado como ‘aquele que não deve ser nomeado’, a TPM também tem seu ‘apelidinho’. É o famoso ‘estar naqueles dias’. A sociedade já enxergou a existência da TPM, mas entende como se, neste período do mês, existisse uma permissão para ‘explodir’. Como se fosse justificável ter crises de choro, explosões de raiva, comportamentos impulsivos, atitudes que não seriam aceitas em ocasiões ‘normais’. “Note que há aceitação social do sintoma, de forma que tudo é normalizado sem questionamentos”, reflete Sabrina Amaral.

Chegou a hora: 3 passos para domar a TPM

Depois de compreendida a formação deste fenômeno, é hora de pegar o seu ‘cofrinho emocional’ e aprender como cuidar melhor de você ao longo deste período. Para isso, a psicóloga Sabrina Amaral desenvolveu uma estratégia em 3 passos, que aplica diariamente em seu consultório, descrita logo abaixo:

1.º Passo: Junte e conte as suas moedinhas

Ao invés de encher seu ‘cofrinho emocional’ com moedas de insatisfação, observe seus sentimentos diariamente. Uma ótima ferramenta para isso é o journaling, o famoso diário. Não, isso não é coisa de adolescente. É um recurso precioso de autoconhecimento. Significa criar o hábito de, ao final do dia, olhar para os acontecimentos e tomar consciência de como você percebeu cada um deles.

Assim, fica mais fácil identificar o que te deixou feliz e, principalmente, o que não te deixou feliz. Encare isso como um ‘extrato diário’ da sua conta emocional, para entender se você está com crédito ou no vermelho. Dica adicional: enriqueça sua prática com o ‘emocionário’ produzido pela especialista, e que está disponível aqui.

2.º Passo: Avalie o câmbio do dia

Bem, agora que você sabe quantas moedas têm no seu cofrinho, e como elas foram parar lá, você precisa observar o ‘câmbio do dia’. Isto quer dizer que você vai pensar sobre quais comportamentos que você teve que te levaram ao lugar de insatisfação. De onde eles vieram? Qual era a sua intenção? Que necessidades você estava tentando atender?

Depois disso, é preciso analisar que escolhas ou atitudes diferentes poderão ser adotadas no futuro para não acumular esse lixo emocional. A dica aqui é não cair na tentação de ficar ruminando a culpa, e sim, focar em ações simples e factíveis que estejam no controle e que aproximem do resultado desejado.

3.º Passo: Diversifique seus investimentos

Chegou o momento de fazer ‘experimentos’. A beleza deles é o fato de não serem definitivos. E mesmo que não se chegue no resultado almejado, basta abandonar o plano e simplesmente voltar ao estado inicial, ou seja, o pior que pode acontecer é: nada.

Pensando nisso, a psicóloga faz uma recomendação: “Permita-se testar hipóteses, comportamentos, falas, atitudes, posturas, isto é, tudo aquilo que você acha que pode ajudar a minimizar o impacto da sobrecarga emocional na sua vida e aliviá-la. Em um primeiro momento, pode surgir medo agir diferente e sair da zona de conforto, mas, na prática, o medo é bem maior na sua cabeça do que na realidade. Acredite.”

 Assuma o protagonismo!

Ao percorrer estes três passos, a TPM deixa de ser a protagonista no seu ciclo e na sua vida e volta ao lugar onde ela deveria estar. “É algo que acontece com você, mas não define quem você é. Cuidar da TPM antes dela chegar, significa que você não vai mais deixar combustível para explosões naquela época do mês. E que quando os hormônios se exaltarem, você vai estar mil vezes mais preparada e, de uma certa forma, blindada para lidar com eles. Assuma o controle!”, conclui Sabrina Amaral.

Artigo na íntegra: clique aqui 


Sabrina Amaral: Psicóloga, hipnoterapeuta clínica, Practitioner em PNL e Coach da Mente, pós-graduada em Gestão de Pessoas e especialista em neurociência aplicada ao comportamento humano.

Infográfico saúde mental
Psicologia Viva/Eurofarma

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil tem o maior índice de pessoas com transtorno de ansiedade no mundo. São quase 19 milhões de brasileiros diagnosticados, o que se intensificou durante a pandemia da covid-19.  A percepção desse quadro entre os brasileiros está cada vez maior e a busca por esse tema no País lidera o ranking das pesquisas, representando 20,1%. É o que revela o “Report Anual da Saúde Mental dos Brasileiros”, relatório quantitativo detalhado com dados extraídos da plataforma Psicologia Viva, maior empresa de saúde mental da América Latina e integrante do Grupo Conexa, em parceria com a Eurofarma. 

Entre junho de 2020 e junho de 2021, foram avaliados mais de 84 mil registros distintos de pacientes, associados a aproximadamente 925 mil agendamentos de teleconsultas psicológicas. Além da ansiedade, que lidera as buscas dos pacientes na plataforma com 20,1% de procura, depressão (6,5%), desenvolvimento pessoal (4,93%), psicologia clínica (3,27%) e saúde mental (2,59%) entram no ranking dos 5 temas mais buscados entre todas as faixas etárias. 

Para Fabiano Carrijo, CEO Brasil da Psicologia Viva, esta pesquisa ajuda a entender os principais desafios de cada fase da vida, desde a infância até a terceira idade, e se torna um ponto de partida para que os psicólogos também possam dar uma orientação com ainda mais qualidade e direcionamento aos seus pacientes.  

De acordo com o relatório, as mulheres agendaram mais consultas na plataforma durante o período analisado. Entre os que optaram em informar o gênero (62,5%), 73,8% dos pacientes são do sexo feminino e 26,2% são do sexo masculino. Esses números refletem uma informação de conhecimento popular, de que a mulher, historicamente, busca se cuidar mais. “Ao notar que algo não está bem, seja relacionado à sua saúde física ou mesmo emocional, elas já procuram ajuda, ao contrário dos homens, que acabam relutando mais em buscar um apoio profissional”, comenta Luciene Bandeira, psicóloga e cofundadora da Psicologia Viva.  

Os jovens adultos são os que mais procuram por assistência psicológica on-line. Os da faixa etária entre 21 e 40 anos representam cerca de 40% dos agendamentos de teleconsultas no período, entre os que reportaram a idade. Sobre os temas mais buscados na plataforma por essa faixa de idade, a ansiedade ocupa o primeiro lugar, com 21,3% das pesquisas. Tanto homens quanto mulheres de 15 a 30 anos têm como segundo principal tema de busca o desenvolvimento pessoal, com 6,2% das buscas. Já dos 31 aos 45 anos, o segundo lugar é ocupado pelo tema depressão (6,0%). 

“Uma possível explicação para o desenvolvimento pessoal ser foco das buscas dos jovens talvez seja o ingresso no mercado de trabalho e as questões psicológicas que isso envolve. Já dos 31 ao 45, é preocupante avaliar que a depressão ocupa este lugar, o que pode sugerir uma relação com a Síndrome de Burnout (relacionada ao estresse gerado pelo trabalho excessivo), problemas financeiros ou de relacionamento”, explica Luciene. 

Pais de crianças e adolescentes também se mostram preocupados com a saúde mental de seus filhos, buscando aconselhamento para esse público. Os meninos de 0 a 16 anos agendaram mais atendimentos psicológicos, equivalendo a 5,5% do total de agendamentos por pessoas do sexo masculino no período, em comparação com as meninas na mesma faixa etária (2,7% dos agendamentos por pessoas do sexo feminino). “A literatura especializada sugere algumas possíveis explicações para o caso. A prevalência de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) em meninos é de 14%, por exemplo, contra apenas 6,3% nas meninas. O autismo também é mais prevalente nos garotos, cerca de 4,3 vezes mais”, conta a psicóloga. 

É importante destacar que pessoas acima dos 80 anos, que geralmente não têm familiaridade com as novas tecnologias, representam 0,35% do total, aproximadamente dois mil agendamentos de consultas psicológicas on-line, o que não deixa de ser um número expressivo. Entre os temas mais buscados por homens e mulheres acima dos 60 anos está “acompanhamento psicológico de idosos” (22% mulheres e 18% homens), seguido de ansiedade e depressão. “É interessante notar que este público está em busca de ajuda através da tecnologia, pois é uma fase da vida em que muitos já perderam membros importantes da família, sentem os impactos da idade, ou podem se sentir sozinhos”, conclui Luciene. 

Para visualizar o relatório completo, acesse: https://conteudo.psicologiaviva.com.br/report-pviva-eurofarma 


Notas: 

  1. Dos mais de 84 mil pacientes que agendaram consultas, aproximadamente 32 mil, 37,5%, optaram por não informar o gênero.
  2. Dos 925 mil agendamentos, mais de 360 mil agendamentos não apresentavam a idade do paciente.
  3. Dos mais de 920 mil agendamentos efetuados na plataforma, em mais de 700 mil casos o estado civil não foi informado, ou seja, 77% do total de agendamentos.
  4. Quase 50 mil pacientes responderam o estado de origem, dos mais de 80 mil com pelo menos um agendamento. Apenas 3 estados representam aproximadamente 79,5%. Estados com maior número de agendamentos tendem a ter um público mais velho, enquanto os estados com menos agendamento tendem a ter um público em média mais jovem.
  5. Assim como o tema buscado pelos pacientes é de grande relevância, os temas de uma consulta reportados pelos psicólogos são importantes para entender o comportamento dos pacientes. Porém, das mais de 920 mil consultas, em quase 825 mil agendamentos o psicólogo não reportou o tema.

Hoje estamos enfrentando um estresse prolongado que tem gerado doenças ou piorando as já existentes. Além de prejudicar o funcionamento saudável do nosso organismo, a Síndrome Estresse Covid está modificando o nosso comportamento com certas compulsões que trarão outros problemas de saúde: ou seja, é muito comum que o estresse leve a pessoa a consumir mais doces e alimentos ricos em carboidratos, alimentos chamados de confort food, ou, comida que traga conforto. E notório então o ganho ponderal de peso pós pandemia e também o aumento dos quadros de diabetes. Também já é notório o aumento do consumo patológico de álcool e outras drogas, causado por esse mesmo estresse.

Um dos efeitos mais nocivos que está se apresentando hoje é a normalização do que é patológico. Por exemplo, as pessoas hoje já começaram a se acostumar com o fato do transtorno de ansiedade se tornar corriqueiro. As pessoas já estão normalizando a situação, minimizando o problema. Não importa se está todo mundo adoecido, mais ansioso e sofrendo com algum transtorno, e não faz diferença quem sofre mais ou menos, uma vez que a doença está sendo vista como algo normal nos dias de hoje, o que é muito perigoso– Alerta a Dra.  Gesika Amorim.

Hoje há uma enorme multidão de pessoas que desenvolveram quadros de ansiedade e depressão, e aquelas que já tiveram esse problema antes da pandemia, e mesmo com a situação controlada, voltaram a ter crises mais frequentes e intensas. E isso tem agravado, principalmente, na saúde mental de crianças e adolescentes.

Com um evento tão adverso em uma escala global, sendo ainda considerada um fator de estresse e violência, a pandemia quebrou o ciclo do desenvolvimento das crianças, seja através de alterações na arquitetura cerebral, alterações imunológicas e hormonais, e também estresse parental e social que pode prejudicar o crescimento e desenvolvimento da criança; o estrese crônico vai comprometer este desenvolvimento – Explica a Dra.  Gesika Amorim.

A saúde mental da criança e do adolescente – Os desafios e as consequências futuras no pós-pandemia

O maior problema é que, com o “novo normal”, e como já dito, o Transtorno de Ansiedade está sendo visto e levado como não patológico. A doença está se normalizando, as pessoas estão se acostumando com os sintomas de palpitações, sudorese nas palmas das mãos, expectativa de coisas ruins sensação de desesperança e sofrimento, minimizando o problema.

Outro grande problema que faz parte do novo normal, e que está atingindo crianças e adolescentes, são as mudanças comportamentais.

 Crianças entre 2 a 4 anos de idade perderam, praticamente, dois anos do início de suas vidas, são crianças que não conviveram em sociedade, elas não sabem brincar com outras crianças, não conviveram em família e, em muitas situações, não aprenderam a cumprir regras e ordens. São crianças que não tiveram infância, sem acesso a nossa realidade antes da pandemia, elas conhecem uma realidade completamente anômala, principalmente crianças que vivem em apartamentos – Alerta a Dra.  Gesika Amorim.

Muitas destas crianças estão com dificuldade de se ressocializarem com seus colegas, inclusive com a volta às aulas, sentindo-se inseguras no contato com o ambiente escolar. Adolescentes passaram a se isolar ainda mais com a pandemia, voltando-se para as telas, com jogos virtuais ou fazendo uso excessivo das redes sociais, afastando-se ainda mais da realidade.

Os adolescentes, na faixa de 12 a 16 anos de idade, ficaram dois anos em casa, em uma fase em que a socialização é muito importante. Esses adolescentes ficaram convivendo online, no mundo virtual. A consequência é que agora temos uma juventude que não sabe lidar com o embate, não sabem trabalhar o emocional. Estamos tendo uma leva de adolescentes com transtornos comportamentais, transtornos de humor e quadros depressivos, isso porque eles não conhecem as emoções ruins, não sabem viver em sociedade, e agora precisam encarar a realidade – diz a Dra.  Gesika Amorim.

É urgente que todos nós, médicos, pais, professores, cidadãos, governantes, olhem com atenção a este problema, poraquê ele é só o início de um iceberg. O retorno das aulas e consequentemente o viver em sociedade causara um boom de transtornos comportamentais” – finaliza a especialista.


 

Dra Gesika Amorim é Mestre em Educação médica, com Residência Médica em Pediatria, Pós Graduada em Neurologia e Psiquiatria, com formação em Homeopatia Detox (Holanda), Especialista em Tratamento Integral do Autismo. Possui extensão em Psicofarmacologia e Neurologia Clínica em Harvard. Especialista em Neurodesenvolvimento e Saúde Mental; Homeopata, Pós Graduada em Medicina Ortomolecular – (Medicina Integrativa), dentre outros títulos.

Instagram: @dragesikaautismo

Site: https://dragesikaautismo.com.br

O excesso de débitos pode afetar o sono, a autoestima e levar a consequências físicas. Negociar é sempre o melhor caminho

Dizem que dinheiro não traz felicidade, mas pode trazer tranquilidade e sossego para a mente. Embora pouco discutido, um dos aspectos da vida que mais causam impacto na saúde mental são as finanças e, consequentemente, as dívidas. Segundo o Artur Zular, cofundador da QueroQuitar e médico especializado em comportamento, coordenador do curso de pós-graduação em psicossomática da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e presidente do departamento científico de medicina psicossomática da Associação Paulista de Medicina, estar endividado afeta diretamente a autoestima, podendo causar ansiedade, transtorno do pânico e depressão. Por isso, é tão importante chamar atenção para esse tema que ainda é um tabu em boa parte da população.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), em torno de 12 milhões de brasileiros sofrem de depressão. Esse número é equivalente a 5,8% da população, colocando o país em segundo lugar no ranking americano, atrás apenas dos Estados Unidos. Dentre esse grupo, muitos têm dificuldade de fechar as contas no azul no fim do mês: são mais de 64 milhões de brasileiros negativados no país.

“As pessoas não ficam endividadas porque querem, ficam porque não conseguiram  honrar os pagamentos daquilo que elas queriam ou precisavam, seja uma casa, o carro, o aluguel, um item de mobília doméstica ou as contas do dia a dia. Essa condição afeta diretamente a autoestima delas”, comenta Zular. O stress crescente desencadeia o aparecimento de somatizações, alterações de apetite, insônia, mudança repentina de humor, queda de cabelo, aumento da pressão arterial, arritmia cardíaca, derrame e infarto, problemas de pele, de estômago e intestino, entre muitos outros, além de quadros depressivos e suicídio.

Segundo ele, o primeiro passo para reverter essa situação é procurar ajuda de um médico especialista nos sintomas que mais incomodam. Em paralelo, negociar as dívidas e manter estabilidade na vida financeira. Hoje, graças ao avanço da tecnologia, existem novos canais digitais de negociação de dívidas, mais fáceis, rápidos e acessíveis, que proporcionam descontos melhores e com taxas e condições personalizadas. “Quando o cliente procura a melhor forma de quitar suas dívidas, como na plataforma da QueroQuitar, é que esse jogo começa a virar. A parte emocional volta aos trilhos, os sintomas começam a desaparecer, alcançando o equilíbrio entre a vida financeira e o emocional”, diz Zular.

Ainda vale ressaltar a importância da educação ou reeducação financeira. Depois de sair das dívidas e de uma situação que mexeu tanto com a saúde, é importante que haja uma educação financeira para que não aconteça novamente. “Se, ainda assim, for necessário fazer uma compra parcelada, procure condições e parcelas que sejam condizentes com a sua realidade financeira, que se encaixem no orçamento mensal, e torne isso uma prioridade de pagamento”, finaliza o especialista.

Por Helen Mavichian*

A maioria de nós acha que entende o comportamento humano, até que o filho entra nas nossas vidas. Ter a experiência única de acompanhar cada reação e cada passo do desenvolvimento do ser faz com que algumas de nossas certezas sejam questionadas ou até desconstruídas. E é normal, já que nosso conhecimento foi construído a partir da teoria. E, sim, a teoria na prática é outra.

Uma das dúvidas mais recorrentes em consultório gira em torno da birra — esse comportamento que pai e mãe nenhum escapam de vivenciar com o filho. É difícil e, para muitos adultos, desafiador, lidar com uma criança que grita, se joga no chão, se recusa a comer, a deitar, a obedecer. “O que estou fazendo de errado?”, “O que devo fazer nesses casos?”. São diversas as perguntas e, uma delas, em especial, angustia muito os pais. “Isso é uma birra passageira ou é TOD (Transtorno Opositor Desafiador)?”.

Antes de antecipar qualquer diagnóstico é fundamental entender o que é essa sigla que andam falando por aí. E, principalmente, conferir se temos bem claro o significado de birra, que ouvimos falar desde os tempos de nossas avós.

O que é birra?

Começando pela famigerada birra, antes de suspirar, é bom saber que ela é esperada e, por que não, bem-vinda. Se coloque no lugar da criança, por exemplo, com um sentimento incômodo e, ao mesmo tempo, sem encontrar uma forma de expressá-lo. Você não domina bem a linguagem oral; então, faz uso do recurso que dispõe para simplesmente dizer: “Olhe pra mim. Não estou bem, não estou satisfeito, me sinto incomodado”.

Em outras palavras, o que chamamos de birra nada mais é do que a criança aprendendo a se posicionar diante das negações dos adultos. É a forma que ela encontra de expressar uma frustração. Não existe desenvolvimento saudável sem birra. Faz parte do eu da criança.

Observe que algumas situações podem desencadear a birra, como por exemplo, fome, cansaço, sono, falta de vontade para realizar determinadas tarefas, alimentar-se, tomar banho no lugar de assistir uma animação.

Como cada criança é diferente da outra, pode ter um período mais birrento ou menos birrento. Uma pesquisa realizada com cientistas portugueses identificou que entre dois e três anos, aproximadamente 20% das crianças apresentam birras pelo menos uma vez por dia; e 50% a 80% das crianças têm birras pelo menos uma vez por semana.

Outro dado interessante é que as crianças que têm birras frequentes aos dois anos continuam a ter birras aos três anos, em 60% dos casos; e destas, 60% persistem aos quatro anos. Ou seja, quanto mais birrenta for a criança aos dois anos, há mais chances de prosseguir até os quatro anos. A boa notícia é que o temperamento explosivo mantém-se ao longo da infância em apenas 5% das crianças.

Podemos concluir que birra é um comportamento passageiro. A solução vai depender muito mais da escuta dos pais e do equilíbrio que vão oferecer entre as vontades e os limites necessários.

O que é TOD?

Vamos falar, agora, sobre o TOD, o Transtorno Opositor Desafiador. Este é um transtorno neuropsiquiátrico, do grupo de Transtornos Comportamentais Destrutivos da infância. Apesar de ser mais comum na pré-adolescência e na adolescência, pode surgir antes dessas fases.

A causa exata ainda é desconhecida, de acordo com a American Academy of Child and Adolescent Psychiatry (Academia Americana de Psiquiatria Infantil e Adolescente). Mas, acredita-se que a base dos relacionamentos familiares pode ser um fator importante para o desenvolvimento do distúrbio. Violência doméstica, abuso sexual, abuso físico, negligência, abuso de álcool e drogas pelos pais, bem como conflitos familiares, podem desencadear o Transtorno na criança.

O TOD é caracterizado pela provocação extrema contra autoridades. Os sintomas incluem raiva, comportamento argumentativo, provocação e desobediência, fácil irritação, temperamento forte, colocação indevida de culpa nos outros e comportamento vingativo.

Birra não é TOD

Você pode até argumentar que esse comportamento é normal para qualquer criança, já que todas passam por fases difíceis. E, muitas vezes, poderiam ser descritas como “de oposição”, especialmente quando se está cansado, com fome, estressado ou chateado.

Claro que há momentos no desenvolvimento normal que o comportamento de oposição é esperado — entre dois e três anos de idade, ou até mesmo na pré-adolescência. Entretanto, ao contrário da birra, que é um comportamento imaturo e transitório da criança, o comportamento hostil deve se tornar uma preocupação quando é frequente e consistente.

Ele se destaca, quando comparado com outras crianças da mesma idade e nível de desenvolvimento, e afeta a família, o convívio social e a escola. O padrão de comportamento do TOD pode incluir:

● Frequentes acessos de raiva e ressentimento;

● discussões excessivas com adultos, muitas vezes, questionando as regras;

● desafio e recusa em cumprir com os pedidos de adultos;

● deliberada tentativa de irritar ou perturbar as pessoas;

● culpar os outros por seus erros e mau comportamento;

● muitas vezes, ser suscetível ou facilmente aborrecido pelos outros;

● agressividade contra colegas;

● dificuldade em manter amizades;

● problemas no aproveitamento escolar.

O diagnóstico deve ser feito por um profissional que possa executar uma avaliação. A melhor maneira de tratar uma criança com TOD inclui psicoterapia infantil, que abrange técnicas de manejo e modificação do comportamento, utilizando uma abordagem coerente. Para fechar um diagnóstico correto é necessário ter no mínimo seis meses de causa e apresentar, pelo menos, quatro dos sintomas.

Partindo dessas informações, entendemos que a birra e o TOD não estão relacionados. O que acontece é que algumas crianças fazem muita birra e agem de forma desobediente em determinado momento. Mas, sempre depois de algum tempo ou outro estímulo, retomam a normalidade. Não é algo que vai durar muito.

Por outro lado, o caso de uma criança com TOD é diferente. As crises tendem a ser frequentes e até mais sérias, necessitando de um acompanhamento profissional especializado que possa oferecer subsídios para uma intervenção eficaz.

Se o seu filho tem TOD, aí vão algumas dicas de ouro:

● Tenha cuidado ao discutir perto da criança;

● nunca use de agressividade e violência;

● reforce a autoestima da criança, intensifique as boas ações;

● utilize o diálogo. Apesar de ser difícil no momento de tensão, quanto mais você brigar ou discutir, mais desafiada a criança vai se sentir;

● trabalho em equipe com práticas de esportes e atividades em grupo geram disciplina, assim como cooperação e dinamismo;

● corrigir e disciplinar sempre, porém, com calma e sabedoria.

E o principal, tenha paciência! É o mais difícil, porém o principal para lidar com essa situação e ajudar a sua criança, assim como toda a família, a superar esse sofrimento

Helen Mavichian. Foto Divulgação

* Helen Mavichian é psicoterapeuta especializada em crianças e adolescentes e Mestre em Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. É graduada em Psicologia, com especialização em Psicopedagogia. Pesquisadora do Laboratório de Neurociência Cognitiva e Social, da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Possui experiência na área de Psicologia, com ênfase em neuropsicologia e avaliação de leitura e escrita.

Aproveitando que estamos no Janeiro Branco, mês dedicado à discussão da saúde mental, é importante falar sobre como evitar o burnout e estresse. Por ser o primeiro mês do ano, que traz consigo a esperança de mudança e novas realizações, a grande maioria das pessoas escolhe o período para criar novas metas, por exemplo.

Por isso, torna-se essencial falar sobre as férias. Ela é peça-chave para trazer esse tempo de parada para que o colaborador possa retomar o trabalho de forma saudável e feliz.

Com o objetivo de “empoderar” nossas férias em prol da saúde mental e física, algumas ações podem ser interessantes. Primeiro, devemos “curtir” as nossas férias mesmo antes de começar.

Renata Martins de Oliveira – Diretora de Serviços da LG – Lugar de gente

Se vai aproveitar esse tempo de descanso em casa, faça anotações de filmes, séries, livros, por meio de comentários na internet ou dicas com os amigos. Faça suas escolhas, mas sem cobrança em realizar esse planejamento, evitando frustação e necessidade de “preencher” todo o tempo. Afinal, o objetivo principal é exatamente ter o tempo “livre” para esvaziar a mente. O que você decidir escolher realizar, que seja com leveza. A ideia é relaxar, renovar.

Durante as férias, se permita, de fato, relaxar. Se vai viajar, não é necessário fazer todos os programas e passeios ou investir um valor alto na viagem para se apropriar dos benefícios das férias para sua saúde. Priorize lugares, experiências e as companhias que te fazem bem, gerando prazer e oportunidade de renovar as energias.

No retorno à rotina, após o período de férias, prolongue a satisfação das experiências vividas, compartilhando as histórias com amigos e familiares, republicando fotos na #tbt para reviver os momentos felizes.

E o mais importante, se dê esse tempo. Escolha o seu melhor formato de férias e seu melhor momento. E aproveite!

Por muito tempo os brasileiros se preocuparam com o isolamento social e com o início da vacinação. Agora, com a evolução na eficácia das vacinas, é o momento de saber como lidar com a mente em um período pós-vacina. 

“Com a “vida” voltando ao normal, principalmente pela flexibilização das medidas restritivas, a ansiedade por vir à tona por dois motivos: o primeiro é a expectativa de poder voltar atividades de modo até que não era possível por conta da pandemia, já o segundo está ligado no novo processo de adaptação”, explica Felipe Laccelva, psicólogo e CEO da Fepo Psicólogos. 

As principais mudanças no psicológico das pessoas estão relacionadas à vacinação, que traz a sensação de segurança para poder retomar as atividades em segurança. Visto que é uma sensação de alívio que é possível “estar protegido”, isso reflete na redução nos níveis de ansiedade e estresse, devido à preocupação. 

De acordo com o psicólogo, é importante levar em consideração que cada pessoa é única e pode reagir de um jeito. “A ansiedade gerada pelo isolamento via de regra será reduzida, uma vez que poderemos retornar ao convívio social”, comenta. 

Felipe Laccelva, psicólogo e CEO da Fepo Psicólogos.
Divulgação

Quase dois anos em casa trabalhando, e agora? 

As pessoas se adaptaram a rotina do home office, a retomada ao presencial vai exigir um novo período de adaptação. Nesse caso, é importante que as empresas possuam um programa para acolher esses funcionários e que tenham flexibilidade para que eles possam se reorganizar, como um funcionário que levava o filho para a escola, e agora ele precisa de um tempo para contratar uma van e o filho possa se acostumar. 

A terapia foi a “luz em meio ao caos” nesse período pandêmico, o que mudou positivamente o modo como as pessoas enxergam as sessões com os psicólogos. Uma pesquisa realizada pela Fepo indica que 73% dos brasileiros pretendem continuar fazendo terapia em 2022.

“O modelo online, principalmente, se tornou muito acessível, vale ressaltar que a terapia é algo do dia a dia, algo que tem espaço para fazer parte do cotidiano, assim como cuidar do corpo é preciso cuidar da mente”, explica Felipe. 

 

A partir de janeiro, grande parte do segmento corporativo voltará com suas operações no modelo híbrido. Com a retomada presencial, ainda que parcial, novos desafios surgem aos gestores e RHs com relação ao que a Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a denominar como a “quarta onda da Covid-19″. Trata-se do aumento de transtornos mentais e do trauma psicológico provocados diretamente pela infecção ou por seus desdobramentos secundários, como os transtornos ligados ao trabalho. Esse tema traz à tona a importância de as empresas terem ações em prol da saúde mental de seus profissionais e evidencia a urgência de focar no “S” de ESG (environmental, social and corporate governance). Segundo Fabiano Carrijo, CEO da Psicologia Viva, maior empresa de saúde mental da América Latina e integrante do Grupo Conexa, as empresas que não tiverem ações neste sentido ficarão para trás. 

Entre os problemas agravados pela pandemia, a Síndrome de Burnout ganhou destaque nos últimos dias com a decisão da Organização Mundial da Saúde (OMS) em classificá-la oficialmente como uma doença do trabalho a partir de 1º de janeiro de 2022, com a CID 11. A síndrome é caracterizada por exaustão física e mental relacionada à vida profissional do indivíduo e pode evoluir para doenças psiquiátricas como a depressão e transtornos de ansiedade. Com a pandemia, a sobrecarga de tarefas e a falta de limites entre vida pessoal e profissional fez o tema se popularizar. 

O retorno às atividades presenciais também é um motivo de preocupação para as empresas, pois pode desencadear sentimentos de angústia e estresse em algumas pessoas. A F.O.R.T.O. (Fear Of Returning To the Office), ou “medo de retorno ao escritório” (em português) é caracterizada pelo receio de retomar uma rotina corporativa tal qual era antes. Em geral, as pessoas com esta síndrome tendem a ser mais silenciosas sobre seus sentimentos com relação à retomada e precisam de tempo e coragem para dar este passo.  

“Ter um RH focado em gente e cultura é o primeiro passo que as empresas devem ter neste momento. É preciso se preparar para acolher essas pessoas e entender a particularidade de cada indivíduo, sem que as regras sejam impostas a todos da mesma forma. Treinar os líderes e entender que a saúde mental influencia no trabalho de diversas formas é a chave para que essa nova fase ocorra de forma menos abrupta nas empresas”, explica Carrijo.  

De acordo com dados apresentados na última edição do Fórum Econômico Mundial, as empresas perdem cerca de US$ 2,5 trilhões em produtividade com faltas no trabalho e rotatividade. Para a psicóloga e cofundadora da Psicologia Viva, Luciene Bandeira, um clima organizacional baseado na pressão, jornadas extenuantes e exaustivas e falta de abertura para o diálogo podem desencadear os transtornos mentais, que geram turnover e absenteísmo. Para ela, a solução é criar ambientes saudáveis em que haja segurança psicológica para os funcionários.  

“Não adianta o RH oferecer consultas psicológicas e realizar todo um trabalho de engajamento se a liderança não agir em consonância com essa diretriz. É preciso que, cada vez mais, os líderes aprendam a não minimizar o sofrimento alheio. Um dirigente que fala em uma palestra que faz acompanhamento psicológico tem um alto poder de influência para adesão à terapia, passando a mensagem de que cuidar da saúde mental é algo normal, quebrando a barreira do tabu”, finaliza a psicóloga.

Fonte: Psicologia Viva

Postagens mais recentes

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Aceito Leia mais

Política de privacidade e cookies