
A cúrcuma, também conhecida como açafrão-da-terra, é comum na cozinha brasileira. Ela aparece em temperos, chás, receitas caseiras e suplementos. Mas o uso como tempero não é a mesma coisa que tomar cápsulas concentradas.
A Anvisa atualizou as regras para suplementos alimentares com cúrcuma em 22 de abril de 2026. A mudança foi feita pela Instrução Normativa 438/2026, que alterou a norma de 2018 sobre suplementos e passou a exigir novos limites e mudanças nos rótulos desses produtos.
O motivo foi a identificação, no monitoramento pós-mercado, de possível risco de danos ao fígado associado ao uso de suplementos e medicamentos com cúrcuma, Curcuma longa, ou curcuminoides. Segundo a agência, o alerta se baseou em avaliações internacionais que encontraram casos suspeitos de intoxicação hepática em pessoas que usaram esses produtos.
O problema não é o tempero usado na comida
O alerta não significa que a cúrcuma usada no arroz, no frango, em sopas ou em outras receitas deva ser tratada como perigosa.
A própria Anvisa esclarece que o risco não está relacionado ao uso culinário da cúrcuma. O pó usado na alimentação é considerado seguro dentro do uso normal na comida. A diferença está nos medicamentos e suplementos, que podem ter concentrações mais altas e maior absorção pelo organismo.
Na prática, o ponto de atenção é este. Um ingrediente natural, quando concentrado em cápsulas, extratos ou fórmulas com maior absorção, pode agir de forma diferente no corpo.

O que muda nos suplementos
A nova regra exige advertência obrigatória nos rótulos de suplementos com derivados de cúrcuma. O aviso informa que o produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes, crianças, pessoas com doenças hepáticas, biliares ou úlceras gástricas. Também orienta pessoas com enfermidades ou em uso de medicamentos a consultar um médico.
A Anvisa também determinou que os limites de consumo da curcumina sejam calculados pela soma dos principais curcuminoides totais. Além disso, incluiu os tetraidrocurcuminoides na lista de ingredientes permitidos, mas com restrição de mistura com o extrato natural da planta no mesmo produto, para evitar sobrecarga da substância no organismo.
No voto técnico da Anvisa, aparecem limites de referência para suplementos com derivados de Curcuma longa, como 130 mg por dia para curcumina e 120 mg por dia para tetraidrocurcuminoides. O documento também explica que a interpretação dos limites deve considerar o conjunto de curcuminoides totais, não apenas uma substância isolada.
Quem precisa ter mais cuidado
A atenção deve ser maior para quem tem doença no fígado, problema biliar, úlcera gástrica, usa medicamentos de forma contínua, está grávida, amamenta ou pretende oferecer o produto a crianças.
Nesses casos, o suplemento não deve ser usado por conta própria. A avaliação de um médico ou nutricionista é importante porque suplementos podem interagir com remédios, somar efeitos no organismo ou ser inadequados para algumas condições de saúde.
Também é importante desconfiar de promessas muito amplas, como “desinflama tudo”, “protege o fígado”, “emagrece rápido” ou “serve para qualquer pessoa”. Suplemento não é tratamento universal.
Sinais que exigem atenção
A Anvisa orienta que alguns sintomas podem indicar necessidade de avaliação médica, como pele ou olhos amarelados, urina muito escura, cansaço excessivo sem explicação, náuseas e dores na região do abdômen. Caso esses sinais apareçam durante o uso de produtos com cúrcuma, a orientação é interromper o uso e procurar ajuda de um profissional de saúde. Suspeitas de eventos adversos podem ser notificadas ao VigiMed, no caso de medicamentos, ou ao e-Notivisa, no caso de suplementos.
Isso não significa que toda pessoa que usa suplemento de cúrcuma terá problema no fígado. O alerta trata de um risco raro, mas que pode ser sério. Por isso, o uso sem orientação merece cuidado.
Como se proteger antes de comprar ou usar
Antes de tomar cúrcuma em cápsulas, leia o rótulo completo. Veja a concentração, a porção diária recomendada, as advertências e a presença de outros ingredientes que aumentem a absorção.
Evite combinar vários suplementos sem orientação. Também não use suplemento para substituir acompanhamento médico, exames ou tratamento indicado por profissional de saúde.
Se você já toma remédios, tem diagnóstico de alguma doença ou sente sintomas novos após começar o suplemento, procure atendimento. Levar a embalagem do produto pode ajudar o profissional a avaliar a situação.
O que muda na vida prática
A cúrcuma na comida continua sendo parte normal da alimentação. O cuidado maior está nas cápsulas, extratos e fórmulas concentradas.
A regra prática é simples. Quanto mais concentrado o produto, maior deve ser a cautela. Natural não significa automaticamente seguro para todos. Antes de usar, vale conferir o rótulo, desconfiar de promessas exageradas e buscar orientação profissional quando houver qualquer condição de saúde ou uso de medicamentos.