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O Ministério da Saúde atualizou as orientações referente a vacinação das pessoas que possuem comorbidades. De acordo com o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO), esse será o próximo grupo prioritário a ser vacinado.

A principal atualização no documento informa que as pessoas com comorbidades precisam estar pré-cadastradas no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI) ou em alguma unidade de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). Com o prontuário ativo dos interessados, os municípios garantem uma maior precisão no quantitativo do grupo. Caso não tenha inscrição, a apresentação de um comprovante que demonstre que a pessoa pertence a um destes grupos de risco, como exames, receitas, relatório médico ou prescrição médica também é válida no momento da vacinação.
Entre as comorbidades incluídas como prioritárias para vacinação contra a Covid-19 estão Diabetes, Pneumopatias crônicas graves e Hipertensão Arterial Resistente (HAR). O Ministério da Saúde também orientou que pessoas com comorbidades sejam convocadas de acordo com a sua idade.

Conferira a lista completa de comorbidades prioritárias.

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A Pfizer divulgou uma nota informando que “está ciente das observações israelenses sobre inflamação no coração que ocorreram predominantemente em uma população de homens jovens que receberam a vacina da Pfizer-BioNTech contra a Covid-19″.

“Os eventos adversos são revisados regular e exaustivamente e não observamos uma incidência maior de miocardite do que seria o esperado na população em geral. Uma relação causal com a vacina não foi estabelecida. Não há evidências neste momento para concluir que a miocardite é um risco associado ao uso da vacina da Pfizer-BioNTech contra a Covid-19”, finalizou.

“É uma situação que deve ser investigada e precisamos esperar por um relatório final, mas em uma análise intermediária parece que o risco de adoecer com Covid-19 é muito maior do que com os eventos adversos da vacina, e o risco de inflamação no coração após a vacina da Pfizer é baixo e temporário”, disse Nadav Davidovitch, diretor da escola de saúde pública da Universidade Ben Gurion.

Fonte: reuters.com

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No dia 7 de abril é comemorado o Dia Mundial da Saúde. A data, criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tem como intuito principal a conscientização da sociedade a respeito de cuidados e prevenção. No último ano, a pandemia de Covid-19, o isolamento social e o medo dos pacientes de frequentar os consultórios fizeram com que diversas doenças fossem negligenciadas e, consequentemente, muitas tiveram seus quadros agravados.

Na especialidade vascular, problemas como aneurisma da aorta, isquemia dos membros inferiores (falta de circulação), pé diabético, varizes e trombose venosa precisam de acompanhamento médico periódico. “Nunca foi tão importante cuidar da saúde. E para manter nossa imunidade alta é preciso uma boa alimentação, um sono reparador, praticar atividade física diariamente e ter controle do estresse. Além disso, fazer consultas regulares para monitorar os cuidados da saúde vascular. E no que tange à Covid-19, lembramos a possibilidade aumentada do aparecimento de eventos circulatórios até quatro semanas após o término da doença. É importante que os pacientes sejam orientados sobre como prevenir tais problemas”, alerta o cirurgião vascular e presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, Dr. Bruno Naves.

Com o cenário de crise de saúde, os atendimentos médicos remotos tornaram-se uma alternativa viável para as consultas eletivas e de acompanhamento de comorbidades. Mas, é importante destacar que a Telemedicina não descarta a consulta presencial e deve ser utilizada apenas com a finalidade de esclarecer dúvidas. Durante a assistência, o especialista tem a liberdade de aconselhar o paciente a agendar uma consulta presencial ou até mesmo buscar um atendimento de emergência.

Dr. Naves explica que, na área vascular, há muitos pacientes com doenças que progridem de forma lenta, quando há o acompanhamento da especialidade. Na grande maioria, trata-se de idosos que, apesar da vacina, ainda precisam manter o distanciamento. Nesses casos, o atendimento virtual é uma boa alternativa. Entretanto, com o surgimento de novos sintomas, ou agravamento notório da condição, a consulta presencial é mais recomendada.  

O especialista ainda afirma que a procura pela especialidade durante e após a infecção pelo novo coronavírus é muito importante. “Temos atendido uma grande quantidade de pacientes com complicações após a Covid-19. Pessoas que tinham varizes, por exemplo, com flebites ou tromboses”.

Os consultórios médicos são ambientes limpos e preparados para prevenir a disseminação, não somente do Sars-CoV-2, como de muitos outros agentes infecciosos. Mesmo que não seja possível a identificação da presença, ou não, do vírus no ambiente, é importante ressaltar que existem locais muito mais frequentados, como supermercados e transportes públicos, onde há uma possibilidade muito maior de contágio. O uso correto de máscaras, a higiene pessoal com a lavagem constante das mãos e sua desinfecção com álcool em gel 70%, o distanciamento físico e evitar aglomerações ainda são as principais formas de prevenir a doença.

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Junto com a pandemia, muitos profissionais passaram a acumular cargas de trabalho excessivo e desgastante. E se há quem pense que isso pode ser bom ou ter algum glamour, a advertência médica é clara: a sobrecarga pode levar ao esgotamento físico e psíquico, dando espaço ao surgimento da Síndrome de Burnout. 

 
 
Segundo a psicóloga do Hospital Edmundo Vasconcelos, Marina Arnoni Balieiro, o cenário atual é altamente propício para o desenvolvimento do problema. Motivos: a flexibilidade de horário do trabalho remoto e as restrições a escapes, como uma parada para almoçar ou tomar café fora. “Isso eleva mais a pressão no indivíduo e pode levar a uma crise de ansiedade ou até mesmo a um estágio de depressão”, reforça Marina.
 
A psicóloga esclarece que há um fator importante que explica por qual razão algumas pessoas desenvolvem o problema e outras não, mesmo trabalhando nas mesmas condições. “O desenvolvimento da síndrome não pode ser generalizado, pois é uma soma entre o ambiente e atributos individuais. Por vezes, a pressão profissional pode ter origem na instituição empregadora, na própria profissão ou mesmo estar associada a características do paciente”, explica. 
 
Independentemente do fator desencadeante, é importante estar atento aos sinais para um diagnóstico rápido. É comum que esse processo de esgotamento seja gradual. Ao longo da evolução do quadro podem ser percebidos sinais como insônia, dificuldade de concentração, irritabilidade, baixa autoestima, desânimo e, em pacientes com estágio mais avançado, surgimento de dores no corpo e na cabeça, insegurança e depressão.
 
“Para evitar essa evolução dos sintomas, o ideal é um diagnóstico no início. Neste estágio, em geral, conseguimos bons resultados com acompanhamento profissional e terapia. Em quadros mais avançados, é necessário incluir a medicação para tratar os sintomas e permitir uma melhora na qualidade de vida, o que não significa ser possível abrir mão do acompanhamento por meio da terapia”, enfatiza a psicóloga.
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Neste mês de março, quando completamos um ano de pandemia, o Instituto Oncoguia, com o apoio da Roche, divulga novos dados do Radar do Câncer que destacam os impactos da pandemia de COVID-19 em todas as etapas da jornada dos pacientes com a doença. As informações foram compiladas por meio da coleta de dados do DATASUS, mapeando procedimentos de rastreamento, diagnóstico e tratamento dos pacientes e os comparando com o período de 2019.

Exames citopatológicos e mamografias tiveram queda na casa de 50% e as biópsias, que servem para confirmar a doença, diminuíram em 39%

Um dos principais procedimentos para o diagnóstico do câncer, as biópsias, tiveram uma redução de 39,11%, quando comparados os meses de março a dezembro de 2019 e 2020. Em 2019 foram realizados 737.804 desses procedimentos e, em 2020, um total de 449.275. As maiores quedas ocorreram nos meses de abril (-63,3%) e maio (-62,6%). “A redução do número de biópsias para diagnóstico de câncer tem repercussão muito grande na mortalidade. Quando vemos essa queda, entendemos que muitas pessoas estão deixando de ser diagnosticadas e tratadas, o que permite que o tumor cresça e se torne menos curável”, comenta Rafael Kaliks, oncologista clínico e diretor científico do Oncoguia.

Outros exames importantes para a saúde da mulher, como o citopatológico cervico vaginal, tanto para diagnóstico, como para rastreamento de câncer do colo do útero, também apresentaram queda, assim como a mamografia. Houve redução de mais de 50% nos exames citopatológicos e a mamografia de rastreamento, fundamental para o diagnóstico precoce, apresentou queda de 49,81%. “São dados extremamente preocupantes”, lamenta a fundadora do Instituto Oncoguia, Luciana Holtz. “A pandemia afetou e continua afetando profundamente o cenário do câncer. Exames, tratamentos e consultas pré-agendados foram suspensos ou cancelados, tanto a pedido do paciente, como por medida de segurança adotada pelas instituições de saúde”, explica.

A cada ano no Brasil, cerca de 700 mil pessoas recebem o diagnóstico de câncer e 225 mil morrem por conta da doença. Em situações normais, o país já possui uma alta taxa de diagnóstico tardio, agora, com a pandemia, tudo indica que o problema vai aumentar muito. Essa é uma das principais preocupações surgidas pós-levantamento desses dados públicos feito pelo Instituto Oncoguia, que realizou duas fases de uma pesquisa, em 2020, para compreender, pela voz do paciente e do familiar, as dificuldades e os desafios que as pessoas com câncer têm enfrentado para realizar seus tratamentos.

“Apesar de termos acompanhado muito de perto as preocupações, os sentimentos e os cancelamentos vividos pelos pacientes com câncer durante todo esse período, esses novos dados do Radar do Câncer materializam uma realidade que temos que começar a enfrentar desde agora”, reitera Luciana. “Onde estão essas pessoas que não fizeram seus exames e, em especial, as biópsias? O câncer não espera, e os cuidados com a saúde não devem ser interrompidos.”

Patrick Eckert, Presidente da Roche Farma Brasil, explica que pela gravidade e pelo grande número de casos, o diagnóstico e o tratamento do câncer precisam ser um tema de interesse de toda a sociedade. “Apoiar a análise dos dados sobre esse impacto nos coloca no caminho de traduzir essas preocupações em ações, sem deixar nenhum paciente para trás, ainda mais em um momento de pandemia, em que a falta de atenção adequada pode resultar em avanço da doença”, exemplifica.

Todos os dados e gráficos podem ser acessados no Radar do Câncer, disponível em COVID.

Sobre o Instituto Oncoguia

O Instituto Oncoguia é uma associação civil sem fins lucrativos fundada em 2009. Tem como missão ajudar o paciente com câncer a viver mais e melhor por meio de ações de educação, conscientização, apoio e defesa dos direitos dos pacientes.
Site: www.oncoguia.org.br

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* Por Dra. Rita de Cássia Salhani Ferrari

Era dezembro de 2019 e surgiam as primeiras notícias sobre uma pneumonia de causa desconhecida que se espalhou rapidamente na China. Vimos e ouvimos sobre o ocorrido sem nos alarmar para o verdadeiro desastre que ele causaria em âmbito mundial.

Coronafobia é classificada como um medo extremo de contrair o vírus levando a sintomas excessivos de ordem física, psicológica e comportamental. 

Coronafobia é classificada como um medo extremo de contrair o vírus levando a sintomas excessivos de ordem física, psicológica e comportamental. Dois meses depois, o assunto tomava maior proporção e a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciava que a COVID-19 causada por um tipo de coronavírus chamado SARS-CoV-2 se tratava de uma pandemia.

Em 10 meses, o mundo que conhecíamos até então mudou. E enquanto escrevo este artigo, são contabilizadas mais de 2,5 milhões de mortes em 192 países.  Mas para quem fica, além da dor que avassala aqueles que perderam parentes, amigos e colegas de trabalho, existe uma outra batalha que precisa ser driblada, e ela já tem nome: Coronafobia.

Mas, afinal, do que se trata o termo CORONAFOBIA e como se tornou nomenclatura oficial dos estados mentais relacionados às fobias?

Em um estudo recente publicado em dezembro de 2020 pela US National Library of Medicine que analisou 500 casos de ansiedade e depressão, verificou que todos eles estavam ligados à pandemia. 

A COVID-19 provoca na população um aumento de sentimentos como medo e ansiedade.  Sendo que o medo e a insegurança, por exemplo, são alguns dos sentimentos mais presentes por conta da imprevisibilidade do comportamento do vírus em cada pessoa atingida.  Mas não apenas isso. Estamos falando ainda da imprevisibilidade das questões socioeconômicas, da carreira e dos negócios. E todas as incertezas levaram a um aumento considerável dos transtornos psiquiátricos e emocionais desde que a pandemia começou e se tornou um evento traumático de proporções maiores do que os surtos de doenças anteriores dos últimos tempos.

Eventos traumáticos podem levar a fobias específicas, logo, o termo Coronafobia, criado ao final de 2020, trata-se de uma ansiedade grave causada pela condição pandêmica. É classificada como um medo extremo de contrair o vírus levando a sintomas excessivos de ordem física, psicológica e comportamental. 

Se um simples espirro ou tosse, por exemplo, suscitam uma preocupação irracional de ser COVID-19, isto pode estar relacionado à Coronafobia. Ou seja, é importante ficar atento para analisar se a ansiedade é desproporcional ao risco real prejudicando a qualidade de vida.

Alguns dos sintomas físicos são: palpitações, tremores, dificuldades para respirar e alterações de sono.  No âmbito emocional, os sintomas mais predominantes são tristeza, culpa, medo de perder o emprego ou medo de contaminar e levar ao óbito seus familiares.  Já entre os sintomas comportamentais mais frequentes estão o medo excessivo de encontrar pessoas, de tocar em superfícies, evitando locais públicos mesmo que sejam abertos, e ir repetidamente ao médico achando que está doente.

A preocupação com a saúde e a tomada de cuidados recomendadas pela OMS são altamente benéficos, mas, se houver uma preocupação irracional, levando a “comportamentos de controle”, como aferir a frequência cardíaca ou a temperatura muitas vezes ao dia, ou ir ao médico com frequência apenas para garantir que não está doente, pode ser sinal de que a ansiedade está fora de controle e é preciso procurar um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento.

O Ministério da Saúde realizou uma pesquisa com 17.491 brasileiros com idade média de 38,3 anos, variando entre 18 e 92 anos, durante os meses de abril e maio de 2020, quando as mortes pelo novo coronavírus aumentaram. O levantamento revelou que 8 entre 10 brasileiros estavam sofrendo de algum transtorno de ansiedade.

Um outro estudo, que reuniu diversas universidades brasileiras, mostrou que o impacto negativo da pandemia na saúde mental da população brasileira evidenciou que os grupos mais afetados pela Coronafobia foram jovens mulheres, além de pessoas com diagnóstico prévio de algum distúrbio mental e dos grupos de alto risco para coronavírus.

Um dado que pode assustar é o fato de os jovens estarem presentes nos grupos mais afetados. Mas existe uma explicação possível: talvez, por terem de enfrentar a pausa nos estudos presenciais, o distanciamento físico de amigos, a falta de opções de lazer e entretenimento, e o medo de se tornar um transmissor da doença e assim, contaminar familiares pertencentes ao grupo de risco. Além disso, foi relatado também, nesse grupo, o início de problemas de sono durante a pandemia ou o agravamento desses quando preexistentes.

A pandemia por si só já nos assola com preocupações e sofrimentos reais. Mas, quando se está fora do controle, há como reverter esse cenário, portanto, para a Coronafobia, também chamada de “pandemia do medo” há tratamento, tanto cognitivo-comportamental, como por meio de medicamentos. Para quem busca qualidade de vida e prefere ter suporte da medicina alternativa, o uso de fitoterápicos, como a Passiflora incarnata associada a Crataegus rhipidophylla e Salix alba L, também pode ser um caminho. No entanto, qualquer um dos tratamentos acima deve ser prescrito por profissionais, que irão avaliar qual o tratamento de acordo com os sintomas e outros aspectos clínicos.

 

Dra. Rita de Cássia Salhani Ferrari é médica formada pela Universidade Federal de São Paulo, com Fellowship no Geriatric Medicine Program na University of Pennsylvania responsável pelo departamento de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Marjan Farma.

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Pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer (INCA) realizaram duas pesquisas de grande relevância para a oncologia, em relação ao vírus da Covid-19. Em um dos estudos, foi descoberto que o vírus SARS-CoV-2 tem uma variabilidade genética maior em pacientes com câncer, do que os infectados que não têm câncer. No segundo estudo foi comprovada a capacidade de múltipla infecção, em uma paciente do INCA, que tinha duas variantes do vírus desde o primeiro contágio. 

Em destaque, os estudos mostram que a variabilidade genética do vírus é maior em pacientes com câncer e comprovam a capacidade de múltipla infecção

O pesquisador do INCA responsável pelos estudos, Marcelo Soares, explica que essas descobertas podem ajudar no controle e prevenção da pandemia.

“A maior diversidade genética do vírus em pacientes com câncer permite ao vírus explorar as possibilidades de mutações com mais eficiência e rapidez, podendo culminar com o aparecimento de variantes mais transmissíveis ou mais letais”, aponta o pesquisador Marcelo Soares.

O primeiro estudo, que foi publicado pela Revista Vírus Evolution, foi iniciado em abril e maio de 2020, quando foram coletados exames de 57 pacientes e 14 profissionais do Instituto. Com isso, foi possível observar que pacientes oncológicos têm uma diversidade genética viral significativamente maior se comparada à dos profissionais de saúde. A pesquisa tem uma relevância sobre a análise das novas variantes virais, como por exemplo, a do Reino Unido, da África do Sul e a de Manaus (AM). O que os pesquisadores entendem é que a baixa imunidade dos pacientes oncológicos pode ser a relação dessa maior diversidade genética do vírus.        

Publicado pela revista Infection Genetics and Evolution, a segunda pesquisa investiga casos de co-infecção, situações em que são detectadas variantes em diferentes momentos de infecção pelo vírus da COVID-19. O resultado é fruto de uma análise feita em uma paciente oncológica no INCA. Na primeira infecção, pelo SARS-CoV-2, havia uma variante minoritária pré-existente, enquanto o vírus principal foi detectado. Essa variante voltou a aparecer na reinfecção, 102 dias depois, como o vírus principal da infecção. 

“A múltipla infecção pode gerar formas recombinantes mais agressivas do vírus ou que não sejam reconhecidas pelas vacinas existentes. É possível que muitos casos definidos como reinfecção sejam, na verdade, a reativação de uma variante viral pré-existente no indivíduo infectado”, esclarece o pesquisador Marcelo Soares.

A pesquisa, coordenada por pesquisadores do INCA, contou com o apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), através de editais emergenciais de covid-19 lançados em 2020, além de suporte da Fundação Swiss-Bridge (Suíça) e dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA. 

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Cirurgião vascular explica cuidados necessários com pacientes, especialmente os de UTI, e como família pode ajudar

Pesquisas indicam que Covid-19 predispõe paciente a desenvolver trombose venosa e arterial
Divulgação

Segundo uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), 39% dos médicos entrevistados atenderam ao menos um paciente infectado pela Covid-19 que desenvolveu trombose. Cerca de 470 angiologistas e cirurgiões vasculares, associados da entidade, participaram da iniciativa. O objetivo do levantamento foi identificar o percentual de médicos que atenderam pacientes infectados pelo novo coronavírus e a sua implicação na formação de trombose, que é a formação de coágulos (trombos) no interior dos vasos sanguíneos, podendo acometer as veias e as artérias, impedindo a circulação do sangue no local e causando uma inflamação na região. 

O cirurgião vascular e endovascular Fábio Cypreste explica que já existem protocolos para prevenção e tratamento de trombose em pacientes com Covid-19
Arquivo Pessoal

O cirurgião vascular e endovascular Fábio Augusto Cypreste Oliveira (CRM 14.474), que atende na clínica AngioGyn, no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, acredita que a Covid-19 é uma doença que predispõe o paciente a desenvolver trombose venosa e arterial. “A infecção por esse novo coronavírus provoca distúrbios no processo de coagulação e hemostasia, além de um processo inflamatório grave que, associado aos fatores pessoais e patológicos de cada paciente, podem resultar em tromboembolismo venoso (trombose venosa e embolia pulmonar), infarto, AVC, coagulação intravascular disseminada e morte cardiovascular”, explica o médico.

Ele analisa que pessoas com Covid-19 internadas em Centros e Unidades de Terapia Intensiva (CTI e UTI) apresentam um risco muito elevado de desenvolver qualquer complicação tromboembólica. “Apesar da doença ser recente, estudos atuais mostram que pacientes com coronavírus internados em CTI apresentam risco de desenvolvimento de trombose de aproximadamente 30% e aqueles que não tem a taxa fica entre 3% e 10%, ou seja, pacientes com Covid tem entre três e dez vezes mais chances de desenvolver trombose quando comparado aos pacientes internados fora do CTI ou seja no quarto”.

A trombose venosa e dos membros inferiores é a forma mais frequente da doença, causando dor, inchaço e calor local. “A complicação mais temida dessa doença circulatória é a embolia pulmonar, quando o coágulo se desprende da veia e atinge a circulação do pulmão, podendo levar à morte. Já na trombose arterial, o suprimento sanguíneo rico em oxigênio é interrompido e o território nutrido por essa artéria entra em isquemia e, caso não ocorra a restauração da circulação de forma rápida, esse tecido entra em processo de morte”, detalha o especialista.

Fábio Cypreste revela que já existem protocolos de prevenção e tratamento da trombose venosa profunda (TVP) em pacientes com coronavírus. “Essas diretrizes estão presentes na prática clínica há muitos anos, com excelentes resultados, e as mesmas orientações são direcionadas aos pacientes com Covid-19. Atualmente, com o maior conhecimento sobre a doença e sua relação com os eventos trombóticos, ajustes foram realizados. No último semestre de 2020, guias destinados especificamente ao diagnóstico, prevenção e tratamento das complicações tromboembólicas da Covid foram publicados. Eles são ajustados de acordo com as realidades e características locais”, ressalta.

Fatores de risco e tratamento
Fábio salienta que pacientes internados em UTI podem desenvolver a trombose venosa por vários fatores. “Existem três principais, que denominamos Tríade de Virchow, que é a combinação da lesão na parede dos vasos, estado de hipercoagulação e redução na velocidade do fluxo sanguíneo (estase). Os pacientes internados em UTI, em sua grande maioria, apresentam muitos desses fatores predisponentes”, salienta. “Outros fatores de risco para o desenvolvimento da trombose venosa incluem o tabagismo, a obesidade e a presença de alterações genéticas (trombofilias) que estimulam a formação de coágulos. O somatório desses fatores associados a características pessoais e as patologias que motivaram a sua internação em UTI se somam de forma negativa para a formação dos trombos”, completa. 

O médico reforça quais as principais medidas preventivas disponíveis na atualidade durante a internação. “O uso de botas de compressão pneumáticas, meias elásticas compressivas, medicações anticoagulantes, fisioterapia, dentre outras, de acordo com a estratificação de risco trombótico do paciente. Além disso, exames de rotina como a ecografia vascular com Doppler são realizados para o diagnóstico precoce e o tratamento imediato da TVP, minimizando assim os riscos de complicações graves e fatais”, destaca o cirurgião.

Fábio Cypreste destaca que a participação da família é de fundamental importância em todo processo de internação daqueles que estão com o novo coronavírus. “Muitos pacientes internados em UTI podem estar sedados e entubados, dificultando a coleta de sua história patológica pregressa. Sendo assim, informações sobre doenças pré-existentes e medicações em uso, histórico prévio de procedimentos cirúrgicos, histórico familiar ou pessoal de trombose, bem como informações da história social do paciente, tais como o tabagismo e o sedentarismo, auxiliam na tomada de decisão da equipe de saúde”.

Para o cirurgião vascular e endovascular, manter uma rotina saudável e ter um acompanhamento médico é a melhor forma de evitar complicações. “As doenças cardiovasculares, ou seja, as doenças circulatórias periféricas e cardíacas, representam a principal causa de óbito por doença crônica em todo mundo e, sendo assim, sua prevenção é o melhor caminho. Hábitos alimentares saudáveis, atividade física regular, acompanhamento médico regular e evitar o tabagismo são as principais atitudes para termos uma vida saudável, longa e com qualidade”, afirma o especialista.

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Um estudo brasileiro, realizado no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor/FMUSP), mostra que disfunções cognitivas, como perda de memória recente, desequilíbrio e dificuldade de concentração, são efeitos tardios da infecção pelo coronavírus.

A equipe liderada pela neuropsicóloga Lívia Stocco Sanches Valentin chegou a essa conclusão após analisar 185 pessoas — com idades de 8 a 80 anos —, entre março e setembro de 2020. Para isso, ela usou uma ferramenta chamada MentalPlus.

Dra. Lívia Valentin -Neuropsicóloga formada pela USP; PhD em ciências médicas pela Duke University e FMUSP e Posdoctoral – Harvard Medical School – Neuromodulation

“É um jogo digital que criei em 2010. Ele analisa as funções cognitivas para ajudar no tratamento de problemas neurológicos e psiquiátricos”, conta Lívia.

O MentalPlus funciona quase como um videogame comum, jogado em um tablet. Mas em vez de só divertir, ele testa a memória, a atenção, a função executiva, a percepção visual e o controle inibitório. Há uma fase de avaliação, outra de reavaliação e dez de reabilitação.

O estudo ainda está em andamento, mas os resultados iniciais acabaram de ser publicados. Eles apontam que, em 80% dos participantes, o coronavírus provocou dificuldade de atenção, perda de memória, problemas com a compreensão e déficits no raciocínio e na execução de tarefas comuns do dia a dia.

“Isso atrapalha atividades como fazer contas, dirigir um carro, ler, arrumar a casa”, enumera Lívia. De acordo com os dados preliminares, os sinais cognitivos são mais intensos em quem desenvolveu as formas graves de Covid-19. Porém, essas consequências podem surgir mesmo em casos antes tidos como assintomáticos.

Mas como ter certeza de que o Sars-CoV-2 é quem está por trás disso tudo? Lívia explica que os resultados dos testes foram comparados com o de um grupo de indivíduos testados anteriormente.

“Nós comparamos cada participante com pacientes de perfil compatível. Se o voluntário era portador de síndrome de Down, sua avaliação era comparada à de pessoas com síndrome de Down que não tiveram Covid-19, por exemplo”, complementa a neuropsicóloga.

Como dissemos, essa foi a primeira fase da investigação. Atualmente, já são 430 indivíduos em acompanhamento. Se você já pegou o coronavírus, está curado e tem interesse em se voluntariar, clique neste link para se inscrever.

Como o coronavírus causa disfunções cognitivas

Cientistas do mundo todo estão estudando as sequelas do Sars-CoV-2 no cérebro. No Brasil, um trabalho da Universidade Estadual de Campinas que ainda está em fase de pré-print (não foi publicado em uma revista científica) relatou lesões nos neurônios de 26 indivíduos que morreram por Covid-19, através de autópsias. Elas seriam decorrentes da hipóxia — ou seja, da falta de oxigenação no sangue.

O vírus pode dificultar a circulação de oxigênio no cérebro ou provocar danos diretamente nos neurônios.

Mais uma pequena análise, essa da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, comparou a ressonância magnética cerebral de três pessoas que pegaram coronavírus com a de outras três que haviam sofrido com a falta de oxigênio por outras doenças. Os resultados dos dois grupos foram similares.

Há também uma ação direta do Sars-CoV-2 nos neurônios. O neurocirurgião Feres Chaddad, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que o vírus é capaz de afetar o nervo olfatório, o responsável por transmitir os cheiros que sentimos para o cérebro. “E essa estrutura tem conexão direta com o sistema nervoso central. É por isso que hoje se nota uma associação entre a doença e encefalites, meningites e acidente vascular cerebral”, informa.

Já uma investigação da Universidade Yale, nos Estados Unidos, utilizou células-tronco de indivíduos saudáveis para criar um modelo de cérebro no laboratório. A partir daí, eles constataram que o coronavírus é capaz de infectar neurônios e se replicar.

É possível tratar esses sintomas da Covid-19?

Sim, mas não há um remédio específico. As estratégias são as mesmas empregadas contra disfunções cognitivas em geral.

“Podemos usar atividades lúdicas, terapia ocupacional, exercícios de memória. Mas antes é preciso avaliar o grau de comprometimento neurocognitivo do paciente”, orienta Chaddad.

Já Lívia destaca que, mesmo após se curar da Covid-19, é necessário ter atenção com certos sinais. “Fique de olho se apresentar sonolência excessiva diurna, falha na memória e confusão mental. Ou se começar a tropeçar com facilidade”, aponta.

Nesses casos, procure um neurologista. Quanto antes a reabilitação for iniciada, maiores as chances de ser bem-sucedida.

Fonte: saude.abril.com.br

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