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Covid

Mesmo ainda com muitos casos confirmados de COVID-19 aqui no Brasil, afetando parte das empresas com os desfalques de colaboradores, a Europa pode estar caminhando para ‘uma espécie final da pandemia’, baixando restrições e até dispensando uso de máscaras. Com isso, será que chegou a hora encararmos uma ‘vida normal’? Rebeca Toyama, especialista em estratégia de carreira e bem-estar financeiro comenta sobre o desafio que as empresas enfrentam com a volta do trabalho presencial e ainda fala sobre o momento certo para organizar as finanças, tendo em vista as incertezas sobre os efeitos desta nova onda da pandemia.

O crescimento de casos tem levado a desfalques e muitas organizações se questionam sobre como proceder com as equipes para evitar a perda da produtividade.

De acordo com o Jornal EuroNews, o diretor regional da Organização Mundial da Saúde, Dr Hans Kluge, comentou sobre as variantes Ômicron e Delta onde afirmou que a pandemia está longe de terminar, mas o COVID pode se tornar uma doença sazonal nos próximos meses. “A variante Ômicron, que os estudos mostraram ser mais contagiosa que a Delta, geralmente leva a infecções menos graves entre as pessoas vacinadas, aumentou as esperanças de que o COVID está começando a mudar de uma pandemia para uma doença endêmica mais gerenciável, como a gripe sazonal”, disse Kluge, diretor regional da região europeia da OMS.

Portanto, mesmo com a maioria dos brasileiros vacinados com a dose de reforço e diante de tantas informações e também fake news a população tem ficado com receio de aos poucos irem voltando à normalidade, uma vez que as empresas estão precisando dos colaboradores mais perto, no formato híbrido ou mesmo de forma presencial. O crescimento de casos tem levado a desfalques e muitas organizações se questionam sobre como proceder com as equipes para evitar a perda da produtividade.

Para a especialista, as empresas e os colaboradores tiveram que se adaptar a uma forma nova de trabalho e muitos sofreram com isso. “Observo que nem as empresas como nem os próprios colaboradores estavam preparados para essa mudança de modalidade de trabalho, mas o que vimos é que esse é o futuro com todos seus benefícios e desafios. As empresas começam a entender que precisam investir na liderança e criar ambientes mais flexíveis e colaborativos para evitar o clima tenso nesse cenário de instabilidade”, comenta Rebeca Toyama, especialista em estratégia de carreira e bem-estar financeiro.

Mas ainda é necessário lembrar que, diante do home office, há muitos profissionais sofrendo com os impactos que a pandemia trouxe: o burnout. Então, este é o momento em que as empresas precisam acender o alerta com a saúde mental dos colaboradores e medirem esse índice. Há inúmeras ferramentas para isso, bem como os indícios claros de esgotamento e dificuldades de gerir e participar de reuniões on-line, cumprir metas e entregar resultados.

Segundo uma pesquisa encomendada pela Microsoft realizada em oito países pela empresa de análises Harris, no fim de 2020 foram os brasileiros que relataram ter maior impressão de estarem sendo afetados pela síndrome de burnout: 44% dos participantes disseram que a pandemia aumentou a sensação de exaustão no trabalho. O motivo? O fato de estarem sempre on-line e sem perspectivas de encontros e rotinas próprias da vida profissional que são desempenhadas no dia a dia das equipes.

“O papel das empresas é repensar e inovar algumas rotinas e dar uma atenção especial também à saúde mental dos colaboradores. Nem sempre é fácil identificar precocemente um colaborador com síndrome de burnout, já que os primeiros sinais da doença não se manifestam de maneira intensa. Mas, dentre os variados sintomas apresentados pela doença, tendo como uma das principais consequências a queda de produtividade, é comum observar falta de concentração, sentimento de fracasso, insegurança e alterações repentinas de humor. Por isso, é de suma importância os líderes estarem preparados para lidar com essa situação”, revela Rebeca.

E já estamos no momento ‘certo’ para organizar melhor as finanças?

De acordo com a especialista Rebeca Toyama, todo momento é o certo para se iniciar algum tipo de cronograma de reserva ou até mesmo organizar algumas contas que estão em atraso e sair das dívidas, pois nunca é tarde para se mudar de hábito. A persistência da pandemia nos leva a pensar que é preciso estar preparado com o orçamento doméstico, as contas em dia e o planejamento em tempos de incerteza.

Quando se fala em finanças, pode-se trazer o tema bem-estar financeiro a fim de levar consciência e transformar a forma como as pessoas se relacionam com o dinheiro. Como se sabe, a população brasileira não tem o comportamento de poupar, e para se iniciar uma vida próspera, feliz e repleta de bem-estar se começa na mudança do estilo de vida e nos hábitos que as famílias têm com o dinheiro.

“Sim, esse pode ser o começo de um novo ano repleto de mudanças voltadas para o bem-estar pessoal e bem-estar financeiro. Uma nova variante ou a pandemia não podem ser desculpas para não organizar as finanças. O estresse financeiro traz para a vida das pessoas desconforto, cansaço físico e psicológico e ainda pode afetar e muito na área profissional. O que é necessário se modificar para melhorar as finanças é ter uma postura sustentável pois diversas vezes gastamos por impulso, especialmente nestes tempos fazendo do consumo uma desculpa ou válvula de escape”, finaliza Toyama.

Especialista em estratégia de carreira e bem-estar financeiro, traz algumas dicas para as empresas e para os profissionais lidarem com essa nova fase do trabalho híbrido, mantendo a saúde mental em dia.

Para empresas:

1- Não aguardem o momento ideal para cuidar de seus colaboradores, o melhor momento é agora, não sabemos quando o “normal” volta e nem qual seria esse “normal”;

2- Invistam na liderança, nos atuais e nos novos, líderes podem ser fonte de soluções quando preparados ou de problemas quando não preparados;

3- Aproveitem os desafios atuais para inovar e serem mais sustentáveis.

Para profissionais:

1- Não esperem a pandemia parar para cuidar de seu bem-estar e de suas finanças, a hora é agora!

2- Escolha um estilo de vida alinhado com seus objetivos pessoais, profissionais e financeiros;

3- Inclua em sua rotina hábitos que te aproximem de suas metas e exclua os hábitos que te afastam delas.


Sobre Rebeca Toyama

Rebeca Toyama é fundadora da ACI que tem como missão desenvolver competências dentro e fora das organizações para um futuro sustentável. Especialista em educação corporativa, carreira e bem-estar financeiro. Possui formações em administração, marketing e tecnologia. Especialista e mestranda em psicologia. 

Levantamento realizado pela Dasa, maior rede de saúde integrada do Brasil, identificou que os casos de coinfecção por Covid-19 e Influenza aumentaram 12 vezes em uma semana. No dia 30 de dezembro de 2021, o percentual de coinfecção para ambos os vírus era de 0,02% e, no dia 6 de janeiro de 2022, passou para 0,24%. Na última semana, foram 136 casos de coinfecção no Brasil. A Dasa já identificou 159 casos desde dezembro. 

Covid-19  

A taxa de positividade para SARS-CoV-2, passou de 21,74%, em 30 de dezembro de 2021, para 43%, em 6 de janeiro de 2022, com base nos exames realizados nas mais de 900 unidades de medicina diagnóstica da rede por todo Brasil. O volume de testes de RT-PCR para Covid-19 cresceu 29,3% na última semana, comparado aos sete dias anteriores. 

No Rio de Janeiro, a positividade em 6 de janeiro foi de 51,14% e cresceu 28 pontos percentuais em uma semana. São Paulo teve 46,61% de positividade no mesmo dia, com 17 pontos percentuais em uma semana. Já o Distrito Federal está com 26,40% de positividade, com 13 pontos percentuais em uma semana. 

Prevalência de Ômicron 

Entre 22.122 amostras de RT-PCR analisadas no período de 21 de dezembro de 2021 e 3 de janeiro de 2022, a Dasa identificou 21,7% de positividade para SARS-CoV-2 e, entre elas, 81,4% são ÔmicronA positividade para Ômicron no Rio de Janeiro é de 83% e, em São Paulo, de 77%.  

A inferência é feita a partir de uma análise de correlação do teste de RT-PCR, e é a mesma metodologia usada em todo o mundo para indicar a presença da variante Ômicron. São considerados suspeitos para a nova variante os casos que apresentam alteração no Gene S (fenômeno “S Dropout”), identificado pelo teste de RT-PCR utilizado pela Dasa. 

Influenza 
De 31 de dezembro de 2021 a 6 de janeiro de 2022, o crescimento de volume de testes de Influenza liberados em toda a Dasa no Brasil foi de 51,4% em comparação ao período anterior (de 23 a 30 de dezembro de 2021). A positividade entre essas semanas, porém, caiu de 43,5% para 27,8%. 

No Distrito Federal, o volume de testes para Influenza aumentou 287%, comparando a última semana (31 a 6 de janeiro de 2022) com o período anterior, com positividade média de 46%. O mesmo ocorreu nas unidades da Dasa no Centro-Oeste, onde o volume de testes para Influenza cresceu 43,5% e a positividade aumentou 2 pontos percentuais na última semana, passando de 37% para 39%.  

No Rio de Janeiro, o volume de testes no mesmo período cresceu mais de 223% na última semana, mas positividade caiu 14 pontos percentuais, de 28% para 14%. Já em São Paulo, o volume de testes aumentou 12,8% e a positividade caiu de 45% para 29% no período. 

Na semana das festas de final de ano, os números de atendimentos por telemedicina para casos de Influenza e COVID-19 entre os associados da Saúde Digital Brasil dispararam, saltando de 7 mil para 15 mil, nos últimos sete dias. A Associação Brasileira de Empresas de Telemedicina e Saúde Digita, organização sem fins lucrativos que congrega entidades que atuam na cadeia de prestação de serviços de telemedicina, representam 90% deste mercado no Brasil. 

Segundo Caio Soares, presidente da Saúde Digital Brasil, esses números são alarmantes e demandam cuidados redobrados por parte da população, sendo inclusive bastante semelhantes aos números de atendimentos registrados em pleno o pico da pandemia, em março de 2021. Esses números observados entre os associados também coincidem ao número de hospitalizações de casos suspeitos de Covid-19 no Município de São Paulo, que segundo nota do Observatório COVID BR tem crescido rapidamente desde o início de dezembro. 

O especialista explica quem a telemedicina,  além de desafogar o sistema de saúde e evitar tanto a subutilização de especialistas quanto a superutilização do sistema, pela agilidade que proporciona e pelo volume de dados que registra, consegue evidenciar, do ponto de vista populacional, os movimentos que acontecem de saúde e o adoecimento com alguma antecedência. O que, nesse caso, é bem preocupante. 

“Isso tem se mostrado bastante verdadeiro durante a pandemia toda e nos coloca mais uma vez em alerta. Realizando uma análise estatística com base nas curvas de crescimento dos atendimentos via telemedicina, no caso da Covid-19, por exemplo, percebemos que eles permitem antecipar a informação entre cinco e sete dias em relação ao que é observado no presencial. Ou seja, se já há uma tendência crescente antes das festas, imagine durante este período em que as pessoas tendem a relaxar com os cuidados”, ressalta Soares.

Desta forma, evitar o máximo aglomerações, seguir com os cuidados de higiene, uso de máscaras, a vacinação segue sendo muito importante neste mimento. Além disso, procurar um médico e realizar o teste sempre que tiver sintomas ou contato com contaminados também é importante para o controle e combate a pandemia.

Fonte: Saúde Digital Brasil 

Desde o fim de 2019, a palavra “pandemia” passou a ser muito utilizada, mas existe uma diferença entre ela e as outras expressões. É a Organização Mundial de Saúde (OMS) que determina a gravidade e se é uma ameaça mundial.

Um surto acontece quando existe um aumento dos casos da doença e pode ocorrer somente dentro de um bairro, por exemplo. Já no caso da endemia, ela ocorre quando a enfermidade é recorrente na região, mas não existe um aumento significativo de casos. 

A epidemia acontece quando a doença tem um aumento de casos muito acima do esperado em diversas regiões, porém sem atingir níveis globais. 

Enquanto isso, a pandemia ocorre quando a doença atinge proporções internacionais, com disseminação mundial. A pandemia pode surgir a partir de um surto ou endemia, quando se espalha por diferentes continentes com transmissão sustentada de pessoa para pessoa. O que vai diferenciar cada uma delas é a escala em que a doença se espalhou.

Algumas doenças que quase extinguiram a raça humana

  1. Peste bubônica

Conhecida também como peste, peste negra ou doença do rato, a peste bubônica é a mais comum entre as formas clínicas da peste, causada pela bactéria Yersinia pestis. Ela é uma doença infecciosa aguda transmitida por roedores, como os ratos e, principalmente, pela picada da pulga infectada.

Ela atingiu o continente europeu no século XIV e os primeiros casos no Brasil foram registrados em 1899, na cidade de Santos, em São Paulo. A partir daí, o número começou a crescer exponencialmente.  Para tentar controlar a doença, foi feito um sistema de isolamento na cidade. 

Em 1901, a peste negra já havia chegado à cidade de São Paulo e, então, o Instituto Butantan começou a produzir um soro antipestoso. Somente no ano seguinte, o Butantan iniciou a produção da vacina antipestosa, com o intuito de controlar a doença. 

Estima-se que a pandemia da peste negra se originou na Ásia e resultou na morte de, aproximadamente, 1/3 da população europeia. Entretanto, esse número pode ter sido muito maior. 

Segundo o Ministério da Saúde, nos últimos 20 anos, houve registro de apenas 1 caso no ano de 2005, no Ceará, na região Nordeste do Brasil. 

 

  1. Gripe espanhola

De acordo com a Fiocruz, a gripe espanhola aconteceu entre os anos de 1918 e 1920 e matou – aproximadamente – 50 milhões de pessoas, ¼ da população mundial na época. Já no Brasil, a doença chegou no final de 1918 e matou 40  mil brasileiros, em média.

Conhecida como “mãe das pandemias”, a gripe espanhola foi causada pelo vírus Influenza H1N1 e, apesar de não haver confirmação, registros indicam que se iniciou nos Estados Unidos. A referência à região espanhola se deve ao fato da Espanha promover uma forte divulgação do problema na imprensa.

A transmissão acontece pelo contato direto de pessoa para pessoa ao falar, tossir ou espirrar. A utilização de máscaras foi uma das medidas adotadas, além de ser feito também um isolamento como maneira de controlar a pandemia da gripe espanhola. Na época, ainda não existia vacina contra a doença. 

  1. Gripe suína

Uma nova cepa do vírus Influenza H1N1, o mesmo da gripe espanhola, foi a responsável pelo surto da gripe suína, também chamada “gripe A” e “gripe H1N1”. O México foi o primeiro país a identificar e notificar a existência desse novo surto.

Em 2009, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica esse surto como uma epidemia de emergência de saúde pública no âmbito internacional. Entretanto, apenas dois meses depois, foi notificado que a doença havia se espalhado por mais de 75 países de todos os continentes, sendo, então, decretado estado de pandemia.

Em maio do mesmo ano, a doença chegou ao Brasil se concentrando, inicialmente, nas regiões Sul e Sudeste, de acordo com a Fiocruz.

Em 2009, no Brasil, foram 46.100 casos graves e 2.051 óbitos. Em 2010, o governo iniciou a campanha de vacinação e, em 3 meses, o país vacinou mais de 90 milhões de pessoas. Hoje, a vacina da gripe é a melhor maneira de se proteger contra essa doença.  

A transmissão da gripe H1N1 ocorre por meio das secreções das vias respiratórias de uma pessoa infectada. Ao falar, tossir ou espirrar, o indivíduo pode acabar transmitindo o vírus para outra pessoa. O contato das mãos com superfícies contaminadas por essas mesmas secreções, pode levar à infecção, já que a pessoa leva o agente infeccioso das mãos diretamente aos olhos, nariz e boca.

  1. Varíola

OMS declarou em 1980 a erradicação da Varíola, uma das doenças mais graves já existentes, que matou mais de 300 milhões de pessoas ao longo do século XX. Foi a enfermidade infecciosa que mais causou óbitos na história da humanidade. 

Por não existir um tratamento efetivo contra a varíola, a solução era tentar amenizar ao máximo a coceira e a dor causadas pela doença e esperar que o organismo reagisse e vencesse o vírus. 

Só foi possível vencer a varíola e erradicá-la após campanhas, medidas e ações realizadas pela OMS ao redor do mundo, em 1967. No Brasil, a Fiocruz teve um papel fundamental para obter o controle da doença.

  1. AIDS

A Aids é uma doença causada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) e é considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST). Ela foi identificada nos Estados Unidos nos anos 80 e circula até hoje ao redor do mundo.

A transmissão do HIV acontece por meio da relação sexual sem preservativo, do compartilhamento de seringa contaminada, da transfusão de sangue contaminado e dos instrumentos que furam ou cortam contaminados e não esterilizados. Além disso, mães infectadas também podem transmitir para o bebê durante a gestação, parto e amamentação.

Ainda não existe uma vacina contra a Aids e nem cura, porém há um tratamento com medicamento antirretroviral (ARV) que é distribuído gratuitamente no Brasil. O ARV ajuda a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico e impede a multiplicação do HIV no organismo.

Foram mais de 20 milhões de mortos desde a sua descoberta. No Brasil, o número de óbitos diminuiu em 17,1% nos últimos cinco anos. Em 2015, foram registradas 12.667 mortes e, em 2019, esse número caiu para 10.565. As ações e campanhas como a testagem para a doença e o início imediato do tratamento, em caso de diagnóstico positivo, são essenciais para a redução do número de óbitos, segundo dados do Ministério da Saúde.

  1. Ebola

O vírus do ebola, Filoviridae, foi identificado pela primeira vez em 1976 quando houve surtos da doença no Sudão e na República Democrática do Congo, na África. 

Entre 2013 e 2016, houve um surto epidemiológico também em regiões da África. Em 2014, houve suspeita de ebola no Brasil, porém foi descartado. Em 2018, foi registrado outro surto de novo no continente africano, matando mais de 2 mil pessoas.

A transmissão do ebola acontece por meio do contato direto com o sangue, tecido ou fluidos corporais de pessoas e/ou animais infectados ou do contato com objetos e superfícies contaminados.

Ainda não existe uma vacina disponível contra ebola e a melhor maneira de se prevenir é evitar contato com o sangue ou secreções de animais ou pessoas infectadas.

  1. Cólera

A cólera se espalhou pelo mundo no século XIX e é uma doença ainda em circulação. De acordo com a OMS, os últimos registros indicam mais de 140 mil mortes anuais devido à enfermidade.

Em 2009, 45 países notificaram mais de 220 mil casos de cólera e quase 5 mil mortes. Entre 2010 e 2011, ocorreram surtos no Haiti e na República Dominicana. 

Entre 1991 e 1999, foram registrados – aproximadamente – 200 casos de cólera no Brasil. A partir de 2006, não houve casos autóctones de cólera no Brasil, tendo sido notificados apenas 3 casos importados, um de Angola (2006), um da República Dominicana (2011) e um de Moçambique (2016).

A transmissão da cólera acontece após ingerir água ou alimentos contaminados com a bactéria vibrio cholerae. Já existe vacina contra cólera, contudo, ela é indicada somente para áreas com endemia, em situações de crise humanitária com alto risco para doença ou em casos de surtos. 

  1. Malária

Por não ser uma doença contagiosa, um indivíduo infectado não pode transmitir a malária para outras pessoas. A transmissão acontece, principalmente, por meio de picadas de mosquito.

Em 2017, estima-se que houve 219 milhões de casos de malária em 90 países e 435 mil mortes. No Brasil, 99% dos casos ocorrem na região Amazônica. Mais de 400 mil pessoas morrem anualmente dessa doença, sendo 95% dos óbitos registrados na África.

Apesar de ser uma doença grave, a malária tem cura e tratamento. Em outubro de 2021, segundo o Ministério da Saúde, a OMS notificou a recomendação de uma vacina contra a malária para crianças que residem em regiões com alta ocorrência. 

  1. Tuberculose

A tuberculose é uma das doenças mais antigas do mundo, descoberta em 1882. A partir de 1990, foi notado que em vários lugares do mundo o número de casos de tuberculose, principalmente ligados ao HIV, estava crescendo. A OMS informa que são registrados 10 milhões de novos casos de infecção por tuberculose  anualmente ao redor do mundo.  No Brasil, são notificados 70 mil novos casos e mais de 4 mil mortes. 

A transmissão acontece por meio da inalação de aerossóis oriundos da fala, espirro ou tosse das pessoas com tuberculose. Diferente de outras doenças, ela não é transmitida pelo contato com objetos compartilhados. 

O tratamento é feito por meio de fármacos e,no Brasil, eles são disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Se o tratamento for feito adequadamente e corretamente, é possível se curar da doença.

  1.  Febre amarela

A epidemia da febre amarela no Brasil, eclodiu no período de 1850. Na época, ainda não havia informações a respeito dessa doença. Somente no fim do século XIX, foram feitas descobertas que ajudaram na luta e controle da febre amarela.

Segundo o Ministério da Saúde, entre 2020 e 2021, no Brasil, houve registros confirmados de 37 casos em primatas não humanos com suspeita de febre amarela. 

A febre amarela é transmitida por meio da picada de um mosquito infectado e não é possível ser transmitida diretamente de uma pessoa para outra. A vacina contra a febre amarela é a principal forma de prevenir e controlar a doença.

Percebe-se como o isolamento social, boas práticas de higiene, tratamento adequado e vacinação funcionam para ajudar no controle e evitar a transmissão das doenças. 

A variante Omicron deve iniciar uma nova corrida para o desenvolvimento de vacinas, caso os imunizantes já existentes não tenham eficácia e efetividade comprovadas contra a nova variante da Covid-19. Para isso, os fabricantes já podem contar com uma tecnologia que auxiliou e dinamizou a criação das primeiras vacinas: o cloud computing (computação em nuvem).

Para o especialista em tecnologia, o CEO da dataRain, Wagner Andrade, a nuvem foi fundamental para trazer velocidade às pesquisas e assim garantir o desenvolvimento rápido das vacinas contra a Covid-19. “Trata-se de um processo de pesquisa compartilhada a nível global, envolvendo diversos institutos, indústria farmacêutica, universidades e centros governamentais, que se uniram para desenvolvê-las. E toda base de conhecimento foi compartilhada na nuvem com esses colaboradores”, comenta.

A gigante farmacêutica AstraZenca e a Universidade de Oxford foram vanguardistas no uso da nuvem e, com isso, saíram na frente. As primeiras 100 milhões de doses da vacina Oxford-AstraZeneca foram administradas no início de janeiro de 2021 no Reino Unido. Naquele momento, a mídia já voltava suas atenções à rapidez com a qual a vacina foi desenvolvida.

A Amazon Web Services (AWS) foi uma das plataformas de provedores de nuvem pública escolhidas para realizar este trabalho. A solução foi fundamental para vencer o desafio principal: a falta de tempo, pois, a partir desta tecnologia foi possível o compartilhamento de resultados de testes em massa ao redor do mundo inteiro. 

“Antes da Covid-19, os anticorpos eram testados em um pequeno subconjunto da população e aumentavam gradualmente ao longo de um período de 12 a 24 meses. No entanto, com tempo limitado, a AstraZeneca precisava coletar dados de eventos adversos de 2 bilhões de doses sendo administradas, ao mesmo tempo, em todo o mundo.  Desta forma, a farmacêutica pode executar análises em escala e obter os dados disponíveis em tempo recorde”, ressaltou Andrade.

A nuvem dá a capacidade de realização de mais de 51 bilhões de testes estatísticos em menos de 24 horas. Com estes resultados, é possível estudar os efeitos de mutações ou genes individuais, caso a caso e com uma ampla gama de fenótipos.

Ainda por meio da nuvem, a AstraZeneca produziu um pipeline de bioinformática genômica, o que dá aos seus cientistas tempo e recursos para que possam buscar inovação. Como resultado, o Center for Genomics Research da empresa está avançando em sua meta de analisar dois milhões de genomas até 2026.

Para Andrade, a nuvem pode proporcionar ainda mais benefícios para a saúde. Além de agilizar o desenvolvimento de vacinas, pode contribuir com a aceleração da implantação da telemedicina e gerar uma integração de dados, chamada interoperabilidade na saúde, organizando informações para ajudar na tomada de decisão sobre tratamentos, bem como o desenvolvimento de novos medicamentos, nos casos de pesquisas científicas. 

“Muitas das mudanças que vieram por conta da pandemia vão perdurar. Ocorreram várias descobertas, entre elas a questão das organizações de saúde, que perceberam que a telemedicina é uma forma segura de fazer o acompanhamento da evolução clínica e a interoperabilidade que significa que, ao passar por consultas com médicos de diferentes especialidades, o paciente terá seus dados prontamente disponíveis em toda a rede envolvida. Tudo isso garante atendimentos mais ágeis e eficientes”, complementa.

A dataRain, empresa brasileira 100% orientada à computação em nuvem, é um dos mais importantes parceiros na área de Saúde da Amazon Web Services (AWS) no Brasil. Com expertise de quase quatro anos no mercado, a consultoria já soma projetos relevantes de telemedicina e interoperabilidade, em organizações como o Hospital Israelita Albert Einstein, Hospitais Sancta Maggiore, Hospital Santa Marcelina, Hospital Santa Cruz, Laboratórios Sabin e a Secretaria de Saúde de São Paulo.

Atualmente, a dataRain está envolvida em projetos de Infraestrutura de Nuvem suportando os principais sistemas de missão crítica de hospitais, clínicas e laboratórios, com soluções de Big Data para sequenciamento genômico, pesquisas, processamento e armazenamento em nuvem de imagens médicas digitais, entre outras soluções. O segmento é responsável por mais de 50% do faturamento da companhia, filiada a entidades como a Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) e na Associação Brasileira de CIOs de Saúde (ABCIS). 

Assessoria de Imprensa – dataRain

Os impactos causados pela pandemia, nós já conhecemos e são muitos, mas ainda existem áreas que geram muitas dúvidas nas pessoas e é pouco comentado: O aumento do número de casos de dores crônicas, tanto em consultório quanto em hospitais e o impacto no Tratamento da Dor nestes pacientes, devido a pandemia.

A Especialista em Tratamento da Dor, Dra. Amelie Falconi, referência na área, diz que durante este tempo foram observadas algumas situações entre os pacientes. Entre elas:

  • Pacientes com dor apresentaram exacerbação da dor já existente;
  • Desenvolvimento de dor crônica em pacientes que tiveram Covid19;
  • Desenvolvimento de dor crônica em pacientes que não foram contaminados.

O isolamento social e as restrições causaram uma dificuldade e manutenção do tratamento. O acesso às prescrições e reabilitação foram limitados, causando exacerbação das dores.

Pacientes que não foram infectados apresentaram uma maior prevalência de distúrbios do sono, estresse, sofrimento emocional, interrupção das atividades físicas, redução da mobilidade e mudanças nas relações familiares, impostas pelo home office e educação escolar dentro de casa. Isso foram fatores que influenciaram no desenvolvimento de dores crônicas na população – Explica a Dra. Amelie Falconi,

Além disso, os pacientes que se infectaram com Covid19 cursam com uma incidência de dores ainda maior, especialmente cefaleias, dores musculares e neuropatias. Não podemos nos esquecer da importância dos procedimentos intervencionistas da dor nesse tempo, mesmo agora, “quase” pós pandemia.

Dra. Ameli explica que os procedimentos são minimamente invasivos, permitem uma alta rápida do ambiente hospitalar e aliviam o sofrimento, evitando assim, que esses pacientes busquem os hospitais para controle da dor e sejam expostos ao vírus. Além disso, os procedimentos permitiram a alta precoce de pacientes que estavam internados por dores após a infecção com COVID -19.

O campo da dor crônica é um dos mais atingidos pela pandemia COVID-19, deixando muitos pacientes sobrecarregados com o sofrimento causado pelas dores e o tratamento em curso atrasado – Ressalta a Dra. Amelie Falconi.

Alguns Fatores De Risco Para O Desenvolvimento De Dor Crônica Em Pacientes Que Tiveram COVID-19. 

  • Os pacientes que foram submetidos à muitos procedimentos dolorosos.
  • Na fase inicial, a covid acometeu a população mais idosa que, naturalmente, tem a saúde mais frágil, muitas vezes com outras doenças, tornando-se então, um grupo que já é alvo de dor crônica.
  • Quando os pacientes ficam imobilizados por muito tempo também é um fator de risco, isso porque há uma perda de massa muscular, podendo desenvolver um quadro de sarcopenia. Isso tudo leva a uma sobrecarga da estrutura esquelético-muscular e consequentemente causa muita dor, tanto muscular como articular.
  • Pacientes que na UTI, tiveram dificuldade de acesso à reabilitação, devido a grande demanda dos profissionais de fisioterapia terem ficado sobrecarregados com pacientes graves de ventilação mecânica.

Muito Se Fala Em Sequelas Respiratórias Associadas Ao COVID-19. Existem Outras?

Existe uma Síndrome que se chama Síndrome Pós-Terapia Intensiva, que se relaciona com várias disfunções físicas, cognitivas e psicológicas, presente em vários pacientes após a alta da UTI. A dor crônica costuma ser uma dessas disfunções. As estimativas de dor crônica após uma internação no CTI variam entre 14-77% – Explica a Dra. Amelie Falconi.

Levando isso em conta, além do grande número de pacientes internados em UTIs pelo COVID-19, pode ser que essa doença se torne mais um fator de risco para o desenvolvimento de dor crônica.

Dra. Amelie chama atenção para um fato importante: Em virtude de outras prioridades, a dor acaba sendo um sintoma frequentemente deixado para segundo plano nas UTIs. E se levarmos em conta que nessa situação de pandemia ocorreu uma demanda ainda maior das equipes, o problema se agravou.

Pacientes em UTI recebem muitos estímulos dolorosos ao longo do dia como aspiração de vias aéreas, mudanças de decúbito, troca de curativos, reposicionamento de tubo traqueal e outras intervenções. Além disso, muitos pacientes sobreviventes de COVD-19 ficam um período de tempo em sedação, imobilizados e em ventilação mecânica, causando fraqueza e fadiga, que sabemos, possui uma grande associação com a dor crônica. E mesmo em pacientes não internados em UTIS, sabemos que o COVID-19 está associado a diversos tipos de dores, entre eles mialgia, artralgia, dor abdominal, cefaleias, dores no peito e precisam ter um controle adequado dessas dores! – Conclui a Dra. Amelie Falconi

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CRÉDITOS:

  • Amelie Falconi possui formação em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora
  • Especialização em Anestesiologia MEC/ SBA
  • É especialista em dor pela Santa Casa de São Paulo
  • Tratamento Intervencionista da Dor
  • Possui Título de área de atuação em dor pela AMB (Associação médica brasileira / que determina os títulos de especialista em dor)
  • Fellow of International Pain Practice (FIPP) pela WIP (World Institute of Pain)
  • Sócia Diretora da Clínica PROSPORT
  • Professora /corresponsável da pós graduação de Tratamento Intervencionista da Dor no Einstein
  • Professora da Pós Graduação de Dor do Einstein – RJ

Autora de diversos capítulos de livros sobre dor.

Instagram: @amelie.falconi_medicin

Twitter: falconiamelie

Atendimento online e presencial -Juiz de Fora

CONTATO:

MMelo Assëssoria

Marcelā Mēlo

Jornalista/Assessora de Imprensa

@mmeloassessoria

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Tel/Whatsapp: 11 94056-0885

*Por Dr. Pedro Schestatsky

Desde março de 2020, estudos e pesquisas estão sendo desenvolvidos em torno do novo coronavírus. Principais sintomas, tratamentos, medicamentos, prevenção, vacinas são os principais focos dos pesquisadores do mundo inteiro. O vírus pode se desenvolver dentro dos seres humanos em três estágios. A esmagadora maioria dos pacientes (cerca de 90%) terá apenas a infecção inicial que varia de pacientes assintomáticos até gripados. Neste estágio ocorre a replicação normal do vírus passível de ser detectado pelo exame PCR.

O segundo estágio (5% dos pacientes), denominado fase pulmonar, é quando os pacientes já começam a apresentar quadro de falta de ar, alterações radiológicas (comprometimento pulmonar) e intensificação da multiplicação viral no organismo. E, por fim, o terceiro estágio, a fase hiperinflamatória (5%). Nesse momento, os pacientes evoluem para a chamada “tempestade inflamatória” que levam a quadros de pneumonia grave, septicemia (complicação potencialmente fatal de uma infecção) e necessidade de ventilação mecânica dentro de uma CTI.

O que os estudos estão revelando é que quanto maior o avanço da doença e duração da internação hospitalar, maiores serão os riscos neurológicos. Mas tudo isso, é claro, não impede que um paciente em estágio 1 da Covid-19 também apresente manifestações neurológicas a longo prazo. De maneira geral, 20% a 70% dos pacientes apresentam algum tipo de sintoma neurológico durante ou mesmo 6 meses após a infecção.

Isso significa que essas manifestações podem ser desde os principais sintomas – dor de cabeça, náusea, vômitos e confusão mental – até um possível AVC, demência e, em muitos casos, os principais transtornos de humor.

Existem dois mecanismos pelos quais desenvolvemos as principais manifestações neurológicas diante de um quadro de Covid-19:

  1. Neurorrespiratório: um simples ato de prender a respiração pelo nariz e boca ou hiperventilar (respiração acelerada) é suficiente para apresentar sensações estranhas que, em alguns minutos, pode levar ao sufocamento e asfixia.
  2. Invasão cerebral: causada pelo sangue ou nervos, na forma de uma trombose, inflamação ou depleção (perda) de neurotransmissores.

A questão é que a trombose, a inflamação e a depleção podem ocasionar uma hipóxia cerebral (redução da oxigenação cerebral), neurotoxicidade (alteração da atividade normal do sistema nervoso por causa de substâncias tóxicas ou artificiais no cérebro) e a lesão tecidual. Tudo isso de forma muito rápida e, na maioria das vezes, como processos irreversíveis.

Mas como o vírus entra no corpo humano?

As principais formas de um vírus entrar no corpo humano são pela boca, nariz ou olho. Mas não para por aí. Após conseguir adentrar a essas cavidades, o vírus possui estrutura suficiente para romper barreiras e alcançar, em primeiro momento, o pulmão. É por isso que, durante o diagnóstico da Covid-19, os profissionais de saúde utilizam os exames de imagem para auxiliar no processo, pois eles são capazes de identificar o comprometimento pulmonar do paciente. Em seguida, o vírus pode entrar em vasos sanguíneos presentes no pulmão e, com isso, circular por todo o corpo humano.

A partir dessa fase, o corpo humano identifica a presença deste corpo estranho (o vírus da Covid-19) e, com o objetivo de defesa do organismo, provoca inflamações. Justamente são essas inflamações que podem gerar micro tromboses e coágulos, que por sua vez causam lesões neurais, reduzindo os neurotransmissores. Um estudo publicado pela Revista Lancet, este ano, apresenta dados interessantes sobre isso. Ao entrevistar 236 mil pacientes após seis meses de alta da Covid-19, identificou-se que grande parte deles pode apresentar alterações como demência, problemas musculares, nos nervos e AVCs hemorrágicos e isquêmicos. Casos raros, mas presentes. Porém, 25% evoluíram para transtornos de humor pós-Covid-19, que os médicos ainda não sabem explicar.

Vale destacar que o nariz também pode ser a porta de entrada do vírus diretamente para o cérebro e, por isso, quem tem anosmia (diminuição ou perda total do olfato) tem mais chance de desenvolver sintomas neurológicos a longo prazo. Por fim, é importante destacar que ao mesmo tempo que os genes são capazes de nos proteger, podem nos vulnerabilizar na Covid-19. Podem regular a disfunção mitocondrial (usinas das nossas células), e o paciente terá mais tromboses, inflamações e infecções. Mesmo assim, existem pessoas que, infelizmente, vão a óbito pela doença, e no Brasil, já atingimos a triste marca de 470 mil.

Então, vale lembrar que seis dimensões da saúde precisam estar danificadas, simultaneamente, para que um quadro da Covid-19 seja fatal: estilo de vida, ambiente, comorbidades, genética do hospedeiro, genética do vírus e imunogenética. Ainda que possamos ter estilo de vida equilibrado, em um ambiente saudável e sem comorbidades, é a genética que pode ser o grande vilão no combate à guerra contra a Covid-19.

 


Sobre Dr. Pedro Schestatsky

Dr. Pedro Schestatsky é médico neurologista, professor, pesquisador, palestrante e empreendedor de novas tecnologias em Medicina, residente em Porto Alegre. Ficou nacionalmente conhecido após sua palestra TEDMED ao argumentar que a tecnologia não irá substituir os médicos no futuro, mas sim empoderar os pacientes para que se cuidem melhor de si mesmo. Também é autor do recém best-seller “Medicina do Amanhã”.

Referência

Taquet et al. 6-month neurological and psychiatric outcomes in 236 379 survivors of COVID-19: a retrospective cohort study using electronic health records. Lancet Psychiatry. 2021 May;8(5):416-427.

O infectologista Dr. Renato Grinbaum e docente do curso de Medicina da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), instituição que integra a Cruzeiro do Sul Educacional, avalia os aspectos clínicos do coronavírus e explica como são os processos desde a infecção pelo vírus, como a covid-19 age nas células, quais os aspectos de recepção e como se dão as mutações do vírus, além de avaliar as manifestações das variantes e as formas eficazes de tratamento. Confira:

A INFECÇÃO

Segundo o especialista, trata-se de um vírus de pouca complexidade, estruturado a partir da proteína S (Spike), com duas formas de infecção, a leve e a severa. A forma severa é dividida ainda em duas fases, sendo a primeira, com manifestação de cinco a sete dias, com uma grande quantidade de vírus circulantes, em que o paciente apresenta sintomas de baixa intensidade, sintomas que desaparecem em aproximadamente 85% das pessoas. Entre 15 a 20% desses pacientes, a partir do quinto ao sétimo dia até o 14º, há o recrudescimento desses sintomas, fase em que o paciente começa a sentir os problemas mais temidos, como: dispneia, sepse, com possível necessidade de UTI.

O especialista explica que para essa primeira fase não existe tratamento disponível. “Nós não temos nenhuma droga que seja verdadeiramente eficaz. Há um estudo sobre a ivermectina, por exemplo, que é o estudo mais conclusivo, o qual mostra que não há benefício clínico em termos de diminuição de mortalidade e de eventos severos, e o mesmo ocorre para outras drogas”, explica Grinbaum.

Do ponto de vista clínico, o infectologista argumenta que diante da evolução de sintomas no paciente, a partir de alguns fatores imunológicos, é possível realizar algumas intervenções que são consideradas eficazes, como o uso de imunoglobulina rica em IgM precocemente, corticoides, como o dexametasona ou o metilprednisolona, e mais recentemente, o tocilizumabe, como uma alternativa segura e que diminui o risco de intubação e o tempo de internação.

 “As intervenções são: observação na fase inicial, monitorização clínica e de exames laboratoriais, e a partir do momento que se tem uma deterioração laboratorial que antecede a deterioração clínica, é possível realizar essas intervenções e de imunomodulação, a qual procuramos deter a atividade do sistema imune inato”, explica.

RECEPTORES E SEVERIDADE

Diante da dinâmica da imunologia da doença, Grinbaum destaca que quem conhece sepse, inclusive sepse bacteriana, conhece covid e que o conhecimento de imunologia da patogênese da sepse foi crucial para o enfretamento da doença.

“Quando um invasor chega no organismo, vários sistemas o reconhecem, e uma resposta imunológica é liberada, como citocinas específicas para esse agente. Um dos sistemas mais importantes é o toll-like receptors (TLR), que sinaliza para as células se protegerem desse invasor. Entre os vários problemas que ocorrem com a covid severa, é que aproximadamente 10% dos pacientes desenvolvem anticorpos cod terfero 1, e reconhecem de forma menos eficaz ou mais lenta, esse vírus. O principal fator que leva à severidade, é a ligação do vírus, que ao entrar na célula, exerce o seu efeito e infundir o seu material genético, causando infecção, através da proteína S, que se liga “batendo” em um receptor de membrana”, esclarece o infectologista.

Outro ponto levantado pelo médico, é que em indivíduos com comorbidades, o vírus tem uma facilidade em adentrar às células, pois esses indivíduos têm uma alta expressão de Enzima conversora da angiotensina 2 (ECA2). “O ECA2 está envolvido em uma séria de processos fisiológicos, e quando o vírus se liga ao ECA2, ele faz uma regulação negativa desse receptor e tem a sua ação inibida. Isso leva a vários efeitos, como vasoconstrições, fibrose, trombose, entre outras reações. É uma infecção sistêmica.

VARIANTES

Sobre variantes, o infectologista e docente do curso de Medicina da Unicid, Dr. Renato Grinbaum, explica que elas são fenômenos naturais, e que todos os seres vivos dispõem de variantes, pois possuem variações genéticas acumuladas a partir de muitas gerações.

“A diversidade é a origem da vida. O ser humano é muito complexo, com uma mutação pouco perceptível, e o vírus, que é menos complexo, dispõe de mutações que mudam expressivamente. Em relação ao coronavírus, somos nós quem desenvolvemos uma seleção artificial. Isso ocorre com todos os patógenos. Os organismos muito complexos têm mais dificuldades para produzirem variantes. Quanto mais deixamos o vírus replicar, mais chance tem de uma variante aparecer, isto é, quanto mais gente replicar e demorarmos para ações efetivas para conter a pandemia, mais variantes teremos. Precisamos fazer a lição de casa. A principal causa de transmissão é a partir das vias respiratória, com a aproximação entre pessoas”, ressalta.

Por fim, Grinbaum avalia que no Brasil, há uma combinação perigosa, com um nível de transmissão alto, grande número de contaminados e frequência de mutações elevadas, combinadas ainda com uma taxa lenta de vacinação e contaminados que infectam pessoas já vacinadas, e disso surgem as variantes.

“As variantes do Sars-CoV2 são inúmeras. As mutações conferem em vantagem seletiva e a principal se dá quando se altera a proteína de ligação, como citado no ECA2. Não há diferenciação de gravidade entre países, que existe, é uma detecção maior entre alguns países e outros, devido ao maior ou menor grau de investimento em ciência, por exemplo”.

Variantes de interesse: com marcadores genéticos que indicam alteração em receptores de ligação, neutralização por anticorpos reduzida, diminuição da eficácia terapêutica, impacto diagnóstico ou potenciais aumento da transmissibilidade ou patogenicidade. Portanto, as mutações ocorrem na proteína S.

Variantes preocupantes: variantes com evidência demonstrada de aumento de patogenicidade, transmissibilidade, redução de resposta vacinal ou prejuízo nos exames diagnósticos. Basicamente são cinco variantes classificadas como preocupantes e como várias mutações. As principais são: a variante britânica, a sul-africana e a brasileira-japonesa.

Os cuidados ainda são o distanciamento social e a higienização frequente das mãos, finaliza.

Dr. Renato Grinbaum – Renato atua como médico infectologista. Doutorado em Clínica Médica. Atualmente é Professor da Universidade Cidade de São Paulo. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Clínica Médica, atuando principalmente em: residência, infectologia, infecção hospitalar e antimicrobianos.

Fonte: www.unicid.edu.br

Estudo publicado na revista Nature mostra que isso acontece com quem desenvolveu a covid-19 de forma leve ou moderada

MERS virus, Meadle-East Respiratory Syndrome coronovirus, 3D illustration

Estudo publicado na revista Nature revelou, pela primeira vez, que pessoas que contraíram a doença de forma ligeira ou moderada desenvolvem uma célula imunológica capaz de produzir anticorpos contra o SARS-CoV-2 para o resto da vida.

Uma das observações em pessoas infectadas pelo SARS-CoV-2 mostra que o nível de anticorpos – proteínas capazes de impedir o vírus de infectar as células – começa a diminuir após quatro meses. O importante é perceber se, apesar da queda de anticorpos, o doente desenvolveu também uma resposta imunológica completa, que inclui a criação de glóbulos brancos capazes de eliminar o vírus, muitos meses e até anos após a primeira infecção.

Fonte: https://noticias.r7.com

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