fbpx

vírus

O que é herpes zoster?

por Ricardo Bastos

A herpes zoster é uma doença viral que, geralmente, infecta o indivíduo na infância, causando o quadro de varicela (catapora). O vírus passa por uma fase de disseminação hematológica até atingir a pele e, após, caminha pelos nervos periféricos até atingir os gânglios nervosos, onde pode permanecer em latência por toda a vida.

“Situações diversas, como em pacientes portadores de doenças como AIDS, leucemia, doença de Hodgkin e outras, podem ocasionar uma reativação do vírus, fazendo-o se movimentar pelo nervo periférico até atingir a pele, causando as erupções características dessa doença”, explica a Dra. Giovanna Mori Almeida, dermatologista do Hospital Albert Sabin (HAS).

Doentes em tratamento com imunossupressores, como uso prolongado de corticoides, por exemplo, e pessoas que tiveram contato com infectados com varicela, ou até mesmo com outro doente de zoster, podem desenvolver a doença.

A herpes zoster pode deixar complicações mesmo depois da resolução da fase de infecção aguda. “Isso acontece porque durante o processo inflamatório da infecção pelo vírus, o paciente pode ter uma lesão definitiva do nervo ou da raiz, denominada neuralgia pós-herpética”, diz o neurologista do HAS, Dr. Felipe Saad.

Os sintomas são, geralmente, dores nevrálgicas que antecedem as lesões cutâneas e o tratamento deve ser iniciado o mais precoce possível, com medicamentos antivirais e analgésicos. “Quanto mais cedo for a intervenção médica, menores as chances de complicações e de neuralgia pós-herpética”, adverte a Dra. Giovanna.

Outras sequelas que a herpes zoster pode causar são:

  • Comprometimento do nervo trigêmeo, particularmente do ramo oftálmico, podendo danificar a córnea;
  • Acometimento do nervo facial (Paralisia de Bell), levando à distorção do rosto;
  • Comprometimento do nervo geniculado, devido às lesões no nervo facial e auditivo, podendo ocorrer zumbidos, vertigem e distúrbio de audição.

O diagnóstico da doença se dá através de exame clínico e histórico do paciente. “Antes de surgirem as feridas, o indivíduo pode sentir uma sensação estranha, como um toque desagradável da pele, chamado de anodinia”, acrescenta o Dr. Saad.

Importante salientar que existe vacina contra a herpes zoster, aprovada pela ANVISA e indicada principalmente aos pacientes com mais de 50 anos, fase de maior risco de infecção. A vacinação também ajuda a diminuir a dor aguda e crônica, contudo, não é eficaz sobre herpes tipo 1 (oral) e herpes tipo 2 (genital), somente sobre a tipo 3 (zoster).

Um estudo brasileiro, realizado no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor/FMUSP), mostra que disfunções cognitivas, como perda de memória recente, desequilíbrio e dificuldade de concentração, são efeitos tardios da infecção pelo coronavírus.

A equipe liderada pela neuropsicóloga Lívia Stocco Sanches Valentin chegou a essa conclusão após analisar 185 pessoas — com idades de 8 a 80 anos —, entre março e setembro de 2020. Para isso, ela usou uma ferramenta chamada MentalPlus.

Dra. Lívia Valentin -Neuropsicóloga formada pela USP; PhD em ciências médicas pela Duke University e FMUSP e Posdoctoral – Harvard Medical School – Neuromodulation

“É um jogo digital que criei em 2010. Ele analisa as funções cognitivas para ajudar no tratamento de problemas neurológicos e psiquiátricos”, conta Lívia.

O MentalPlus funciona quase como um videogame comum, jogado em um tablet. Mas em vez de só divertir, ele testa a memória, a atenção, a função executiva, a percepção visual e o controle inibitório. Há uma fase de avaliação, outra de reavaliação e dez de reabilitação.

O estudo ainda está em andamento, mas os resultados iniciais acabaram de ser publicados. Eles apontam que, em 80% dos participantes, o coronavírus provocou dificuldade de atenção, perda de memória, problemas com a compreensão e déficits no raciocínio e na execução de tarefas comuns do dia a dia.

“Isso atrapalha atividades como fazer contas, dirigir um carro, ler, arrumar a casa”, enumera Lívia. De acordo com os dados preliminares, os sinais cognitivos são mais intensos em quem desenvolveu as formas graves de Covid-19. Porém, essas consequências podem surgir mesmo em casos antes tidos como assintomáticos.

Mas como ter certeza de que o Sars-CoV-2 é quem está por trás disso tudo? Lívia explica que os resultados dos testes foram comparados com o de um grupo de indivíduos testados anteriormente.

“Nós comparamos cada participante com pacientes de perfil compatível. Se o voluntário era portador de síndrome de Down, sua avaliação era comparada à de pessoas com síndrome de Down que não tiveram Covid-19, por exemplo”, complementa a neuropsicóloga.

Como dissemos, essa foi a primeira fase da investigação. Atualmente, já são 430 indivíduos em acompanhamento. Se você já pegou o coronavírus, está curado e tem interesse em se voluntariar, clique neste link para se inscrever.

Como o coronavírus causa disfunções cognitivas

Cientistas do mundo todo estão estudando as sequelas do Sars-CoV-2 no cérebro. No Brasil, um trabalho da Universidade Estadual de Campinas que ainda está em fase de pré-print (não foi publicado em uma revista científica) relatou lesões nos neurônios de 26 indivíduos que morreram por Covid-19, através de autópsias. Elas seriam decorrentes da hipóxia — ou seja, da falta de oxigenação no sangue.

O vírus pode dificultar a circulação de oxigênio no cérebro ou provocar danos diretamente nos neurônios.

Mais uma pequena análise, essa da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, comparou a ressonância magnética cerebral de três pessoas que pegaram coronavírus com a de outras três que haviam sofrido com a falta de oxigênio por outras doenças. Os resultados dos dois grupos foram similares.

Há também uma ação direta do Sars-CoV-2 nos neurônios. O neurocirurgião Feres Chaddad, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, explica que o vírus é capaz de afetar o nervo olfatório, o responsável por transmitir os cheiros que sentimos para o cérebro. “E essa estrutura tem conexão direta com o sistema nervoso central. É por isso que hoje se nota uma associação entre a doença e encefalites, meningites e acidente vascular cerebral”, informa.

Já uma investigação da Universidade Yale, nos Estados Unidos, utilizou células-tronco de indivíduos saudáveis para criar um modelo de cérebro no laboratório. A partir daí, eles constataram que o coronavírus é capaz de infectar neurônios e se replicar.

É possível tratar esses sintomas da Covid-19?

Sim, mas não há um remédio específico. As estratégias são as mesmas empregadas contra disfunções cognitivas em geral.

“Podemos usar atividades lúdicas, terapia ocupacional, exercícios de memória. Mas antes é preciso avaliar o grau de comprometimento neurocognitivo do paciente”, orienta Chaddad.

Já Lívia destaca que, mesmo após se curar da Covid-19, é necessário ter atenção com certos sinais. “Fique de olho se apresentar sonolência excessiva diurna, falha na memória e confusão mental. Ou se começar a tropeçar com facilidade”, aponta.

Nesses casos, procure um neurologista. Quanto antes a reabilitação for iniciada, maiores as chances de ser bem-sucedida.

Fonte: saude.abril.com.br

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Aceito Leia mais

Política de privacidade e cookies