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O britânico Chris Staniforth, de 20 anos, morreu com coágulos no sangue depois de ficar jogando Xbox por 12 horas a cada sessão. O jovem sofreu um bloqueio pulmonar quando desenvolveu uma trombose venosa profunda. Foto divulgação

Pessoas que têm o hábito de passar grandes períodos sentadas ou deitadas, sem movimentar as pernas, sobretudo as adeptas dos videogames, correm riscos quanto à saúde vascular e elevam a ocorrência de doenças como a trombose. E a preocupação é que esse perigo também se estende à faixa etária dos 15 aos 24 anos de idade.

Entre os jovens, a prevalência da doença anteriormente era baixa, e se manifestava em casos específicos como em internações hospitalares – principalmente em UTI -, câncer, uso de cateter central para infusão de medicamentos e obesidade. Nos últimos anos, com o sedentarismo, casos de Covid-19 e isolamento social, permanecer muito tempo na frente da TV, do computador ou do videogame intensificou o surgimento da trombose, como relata o cirurgião vascular e presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP), Dr. Fabio Rossi.

“Quando permanecemos imobilizados por muito tempo, seja sentado ou em pé, existe a estase, que é o represamento do sangue nas pernas. O sangue parado tende a se solidificar, formando o coágulo ou trombo. Isso significa um aumento do risco de trombose que, atualmente, tem atingido também os jovens gamers, que permanecem sentados por horas na frente de um computador”, explica o médico.

Sintomas

A doença ocorre quando há a formação de um coágulo na circulação sanguínea, que prejudica o fluxo de sangue no organismo, que também surge com a trombose venosa profunda (TVP) e a embolia pulmonar (TEP). Um dos principais mecanismos responsáveis pelo retorno do sangue venoso dos membros é a contração da bomba muscular da panturrilha, que por sua vez impulsiona a coluna de sangue de volta ao coração, e é prejudicada com a falta de movimento.

A trombose se manifesta com inchaço, edema, dor e arroxeamento nas pernas. Nos casos de embolia, são comuns dores no peito, tosse, falta de ar, palpitação e, em ocorrências mais graves, parada cardiorrespiratória e óbito. “Nessas situações, é indispensável procurar um médico vascular que, na maioria dos casos, fará um exame chamado Doppler Vascular, que tem a capacidade de confirmar o diagnóstico e verificar a gravidade da trombose”, alerta Dr. Rossi.

Prevenção

Para evitar o desenvolvimento do tromboembolismo venoso, o profissional recomenda a adesão de iniciativas simples, porém saudáveis, na rotina:

  • Evitar longos períodos em uma mesma posição, seja em pé, deitado ou sentado;
  • Fazer pausas durante as partidas de videogame para movimentar os membros inferiores, com pequenas caminhadas e alongamentos ao longo do dia;
  • Praticar exercícios físicos regularmente;
  • Manter uma alimentação balanceada, sem o exagero de alimentos gordurosos;
  • Ingerir bastante líquido.

O médico ainda reforça a necessidade de sempre se hidratar bebendo água e não sucos ou outros tipos de bebidas. “Não vale refrigerante, porque eles contêm cafeína, que promove a diurese e pode provocar até mesmo a desidratação”, alerta.

A prevenção e o diagnóstico precoce ajudam a evitar maiores complicações em relação à doença. É fundamental consultar um angiologista ou cirurgião vascular e estar alerta aos sinais do corpo. “Sobretudo, é necessário que a população se informe sobre o significado da doença e como evitar o TEV, além de ficar atenta aos principais sinais e sintomas, pois há casos onde a intervenção imediata por equipes multidisciplinares, treinadas e equipadas se faz necessária para evitar a morte por embolia pulmonar, tão prevalente em nossa sociedade, e as suas sequelas crônicas”, afirma Dr. Fabio Rossi.


O Dr Fabio H Rossi possui Doutorado e Pós-Doutorado pelo Instituto Dante Pazzanese (IDPC) e Universidade de São Paulo (USP), e especialização internacional pelo Montefiore Medical Center ( Prof Frank J Veith – Nova Iorque – EUA). É o Professor coordenador responsável pela Residência Médica em Cirurgia Vascular e Endovascular, e também pela disciplina de Pós-Graduação de Tecnologia em Cirurgia Cardiovascular e Endovascular extra-cardíaca (IDPC-USP). Atualmente é Presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP).

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