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Câncer

Alerta para uma complicação que ainda é pouco debatida: a trombose é a segunda causa de morte de doentes oncológicos no mundo. O médico hematologista, patologista clínico e diretor do Laboratório São Paulo, Daniel Dias Ribeiro, revela que a incidência de trombose em pacientes com câncer é até sete vezes maior do que em pessoas saudáveis. “O doente oncológico tem maior probabilidade de desenvolver distúrbios de coagulação e consequentemente a complicação da trombose. Cerca de 10% dos pacientes com câncer terão trombose”, acrescenta.

Daniel Dias Ribeiro É médico hematologista, patologista clínico. Foto divulgação

Além do câncer elevar as chances de trombose, o tratamento da doença, que pode incluir sessões de quimioterapia, repouso e o pós-operatório, também contribui para aumentar as ocorrências dessa complicação. Alguns tipos de câncer se associam ao maior risco de Tromboembolismo Venoso (TEV), como os tumores no cérebro, estômago, pâncreas, linfomas, rins e ovário.

Daniel Ribeiro entende que a informação e a prevenção são as melhores medidas para reduzir a incidência e o óbito por incidência do TEV em pacientes oncológicos. É possível realizar algumas medidas de profilaxia logo que a pessoa é diagnosticada com o câncer, antes e depois de cirurgias e internações. “É preciso fazer uma avaliação individual e, em algumas situações, utilizar medicamentos, como anticoagulantes para prevenir a trombos. O TEV em pacientes com câncer pode exigir internação, atrasar o tratamento (quimioterapia, radioterapia) e reduzir a sobrevida”, alerta ele.

O médico acrescenta que é muito importante ficar atento aos sinais do TEV. Cerca de 70% dos casos ocorrem nas pernas, outros 25% são no pulmão e os 5% restantes em outros órgãos, como o cérebro. Entre os sintomas, estão: dor ou desconforto na panturrilha ou coxa, aumento da temperatura e inchaço da perna, pés ou tornozelos, vermelhidão e/ou palidez, sensações e/ou falta de ar, dor no peito (que pode piorar com a inspiração), taquicardia, tontura e/ou desmaios.

O Ministério da Saúde atualizou as orientações referente a vacinação das pessoas que possuem comorbidades. De acordo com o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO), esse será o próximo grupo prioritário a ser vacinado.

A principal atualização no documento informa que as pessoas com comorbidades precisam estar pré-cadastradas no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI) ou em alguma unidade de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). Com o prontuário ativo dos interessados, os municípios garantem uma maior precisão no quantitativo do grupo. Caso não tenha inscrição, a apresentação de um comprovante que demonstre que a pessoa pertence a um destes grupos de risco, como exames, receitas, relatório médico ou prescrição médica também é válida no momento da vacinação.
Entre as comorbidades incluídas como prioritárias para vacinação contra a Covid-19 estão Diabetes, Pneumopatias crônicas graves e Hipertensão Arterial Resistente (HAR). O Ministério da Saúde também orientou que pessoas com comorbidades sejam convocadas de acordo com a sua idade.

Conferira a lista completa de comorbidades prioritárias.

Doença que atinge cerca de 30% da população adulta no Brasil, pode se agravar caso paciente não mude seu estilo de vida

Neste 7 de abril, Dia da Saúde, tenha certeza que apesar dos significativos avanços da moderna medicina, o seu bem-estar físico e mental está essencialmente em suas mãos. Médicos especialistas são unânimes em afirmar que a grande maioria das doenças, entre elas alguns tipos de câncer, podem ser evitadas com um estilo de vida mais saudável. 

A doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é um bom exemplo de como maus hábitos, especialmente aqueles ligados à alimentação e à prática de atividades físicas, tiram muito da nossa qualidade de vida. A patologia, que atinge aproximadamente 30% da população adulta no Brasil, segundo dados da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), afeta o sono, agrava doenças pulmonares como pneumonia, bronquite e asma, ocasiona inflamação das cordas vocais, úlcera e pode até evoluir para um câncer de esôfago.

O Refluxo Gastroesofágico consiste no retorno involuntário e repetitivo do conteúdo do estômago para o esôfago. Os alimentos mastigados na boca passam pela faringe, pelo esôfago (tubo digestivo que desce pelo tórax) e caem no estômago, situado no abdômen. “Entre o esôfago e o estômago, existe uma válvula que se abre para dar passagem aos alimentos e se fecha imediatamente para impedir que o suco gástrico penetre no esôfago, pois a mucosa que o reveste não está preparada para receber uma substância tão irritante. O refluxo ocorre justamente quando há baixo tônus nesta válvula gastroesofágica”, explica o cirurgião do aparelho digestivo e especialista em  endoscopia digestiva, Eduardo Grecco (CRM 97960). 

Mas apesar de ser uma patologia relativa comum no Brasil e no mundo, os mitos e dúvidas sobre a doença do refluxo são muitos, e esta desinformação sobre o problema pode levar a um diagnóstico tardio ou a um tratamento inadequado, muitas vezes com base na automedicação. Para esclarecer algumas das perguntas mais frequentes sobre o tema, ouvimos vários especialistas médicos que atendem em seus consultórios muitas pessoas que sofrem com esse problema. Confira seguir:

Quais são os principais sintomas do refluxo?
Conforme o cirurgião do aparelho digestivo e especialista em  endoscopia digestiva, Eduardo Grecco, os principais sintomas da doença são a azia, que é aquela famosa “queimação no estômago”; o refluxo propriamente dito, que é justamente a sensação do retorno do alimento ao esôfago; pigarro e dor na garganta. “Temos também outros sintomas não tão frequentes, mas que podem sim caracterizar a doença do refluxo, como tosse seca contínua, situações de engasgo noturno que trazem para algumas pessoas uma sensação bem aflitante de sufocamento durante o sono. Temos também a ocorrência de uma dor torácica muito forte do lado esquerdo do peito, e que muitas vezes se assemelha ao infarto do miocárdio”, acrescenta o médico.

O refluxo pode causar câncer?
Sim, como explica o cirurgião do aparelho digestivo e gastroenterologista Manoel Galvão (CRM 64803- SP / RQE 20872 / RQE 20873). De acordo com o especialista, a doença do refluxo está ligada a uma agressão crônica da mucosa do esôfago, principalmente na sua parte distal mais perto do estômago, que a princípio reage com inflamação (esofagite) e, se não tratada, pode evoluir para uma metaplasia. “Essa agressão provoca a formação de um novo revestimento do esôfago, o epitélio de Barrett que, apesar de mais resistente ao refluxo, é geneticamente mais instável, podendo levar a um câncer do tipo adenocarcinoma. Já em nível mais proximal, perto da garganta, qualquer refluxo ácido é mal tolerado e gera inflamação e que também, se não for tratada, pode gerar um câncer nesta região”, explica. O médico lembra, porém, que apesar de haver a possibilidade, o risco de câncer relacionado a doença do refluxo é baixa. 

Pessoas obesas correm mais risco de desenvolver a doença do refluxo?
Sim. Quando se trata de pacientes obesos, quase a totalidade apresenta algum sintoma de refluxo. E, o pior, muitas vezes de forma mais acentuada e com maior risco de complicações, conforme explica a gastroenterologista e endoscopista digestiva, Caroline Saad (CRM 20632 PR).

Segundo a especialista, a obesidade tem uma relação direta com a DRGE, e quanto maior o volume de gordura abdominal do paciente, maior será a pressão exercida sobre o estômago, ocasionando assim frequentes episódios de refluxo. “Essa influência é tão grande que no caso de tratamentos em pacientes obesos, além das ações clínicas e mudanças comportamentais, é preciso reforçar a atenção com sua dieta, com a prática de atividade física e consequente perda de peso. Isso porque se esse paciente não perder peso, certamente, ele nunca conseguirá ficar assintomático para o refluxo”, destaca. 

A doença do refluxo só se trata com o remédio?
De acordo com o gastroenterologista Manoel Galvão, a maioria dos casos de refluxo podem ser tratados com algumas mudanças comportamentais no estilo de vida, assim como adaptações da dieta, já que em muitos casos, essas alterações relativamente simples são capazes de aliviar os sintomas, sem ser necessário qualquer outro tipo de tratamento.

Em casos crônicos, a DRGE não tem cura, mas tem controle, com tratamentos que trazem grande efetividade contribuindo muito para a qualidade de vida do paciente. O médico explica que nessas situações, além da necessidade de se adotar hábitos saudáveis e controlar o peso, é preciso lançar mão de medicamentos do tipo inibidores de bomba de prótons.

Mas segundo dados da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), do total de pacientes que sofrem de refluxo no País, 40% não têm resultados efetivos apenas com o tratamento medicamentoso e precisam apelar para um tratamento cirúrgico. Nesses casos, é indicada a cirurgia de fundoplicatura, em que o cirurgião, confecciona uma válvula anti-refluxo com tecido do próprio estômago do paciente. Se houver uma hérnia de hiato associada, a mesma é corrigida. 

Manoel Galvão destaca também um recurso terapêutico que acaba de chegar ao Brasil e que tem a mesma eficácia da cirurgia convencional, porém é minimamente invasivo. “Esse tratamento por endoscopia já é aprovado pela FDA  nos Estados Unidos, e recentemente foi aprovado pela nossa Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. Por meio da técnica de endoscopia, também é possível confeccionar uma válvula anti-refluxo sem necessidade de cirurgia, com o uso do dispositivo médico Esophyx. 

Qual especialista devo procurar para tratar a doença do refluxo?
Apesar de diferentes especialistas serem capazes de diagnosticar o refluxo, o profissional médico melhor habilitado para tratar a DRGE é o gastroenterologista. O gastro, como é chamado pela maioria das pessoas, é o especialista em tratar doenças ou alterações de todo o trato gastrointestinal, que vai da boca ao ânus. Assim, esse profissional médico é responsável por tratar diversas doenças relacionadas à digestão, dores de estômago, cólicas intestinais, prisão de ventre e diarreia e outras.

Para realização de procedimentos cirúrgicos e endoscópicos relacionados ao tratamento da doença, é preciso que o médico seja cirurgião geral com especialização em cirurgias gastrointestinais ou especializado em endoscopia digestiva.

Fonte: FB:/semfronteirascomunica

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até cinco milhões de mortes poderiam ser evitadas todos os anos, ao redor do mundo, se a população fosse mais ativa. A atividade física regular pode prevenir doenças cardíacas, diabetes e câncer, reduzir os sintomas de depressão, ansiedade e estresse.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 40% dos adultos brasileiros são sedentários. A definição passa pela quantidade de movimentos que uma pessoa faz ao longo do dia. Se for insuficiente para uma queima calórica que promova ações de saúde, então, ela pode ser considerada sedentária.

“O sedentarismo é um problema de saúde pública e privada mundial. Já se discute uma pandemia de sedentarismo na comunidade há pelo menos uma década, em que ações vêm sendo tomadas para que se minimize o número de pessoas sedentárias. Com a pandemia e o isolamento social, as pessoas ficam mais restritas em casa, o que contribui para um nível elevado do status de sedentarismo”, explica o Diretor de Prevenção do Hospital Cardiológico Costantini, Prof. Dr. Rafael Michel de Macedo.

As diretrizes da OMS recomendam, pelo menos, de 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada a vigorosa, por semana, para todos os adultos e uma médica de 60 minutos, por dia, para crianças e adolescentes. “O sedentarismo é antagônico ao momento que a gente vive. Quanto menos movimento eu faço, mais exposto estou a todos os tipos de doença, inclusive com piora do meu estado imunitário. O ideal é caminhar pequenas distâncias ao longo do dia, repetidas vezes, realizar movimentos que podemos ter acesso em plataformas on-line e desenvolver os níveis de aptidão física”, explica o Dr. Rafael.

Cores representam movimentos criados para conscientizar o público feminino sobre endometriose e câncer de colo de útero. Especialista tira dúvidas sobre as doenças

Dedicado à celebração do Dia da Mulher, março também ganhou representatividade ao acolher as campanhas Março Lilás e Março Amarelo, de conscientização sobre os cuidados com o câncer de colo de útero e endometriose, respectivamente. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a endometriose afeta cerca de 10% da população feminina brasileira, sendo mais frequente entre mulheres de 25 a 35 anos. A doença é causada por uma infecção ou lesão decorrente do acúmulo, em outras partes do corpo, das células que recobrem a parte interna do útero (o endométrio) e que são eliminadas com a menstruação. 

Luciana dos Anjos

A ginecologista e obstetra Luciana dos Anjos participou de uma live promovida pelo Órion Complex que integra o Especial Órion FOR HER, série de entrevistas virtuais ao vivo para celebrar o mês da mulher. Na oportunidade ela destacou que a endometriose acontece apenas em mulheres com idade fértil. “Crianças não têm e após a menopausa também não terá. O correto é a menstruação se formar no útero e escorrer pela vagina. Porém, quando as células crescem em outros lugares, como bexiga e intestino, não tem para onde o sangue escorrer. Ele vai irritar o lugar, causando dor”, explica.

 

O principal sintoma que as mulheres devem observar para suspeitar desse problema é a dor. “É uma dor cíclica, que piora com a menstruação. É como se fosse uma cólica com uma piora progressiva, pois com o tempo vai aumentando. Essa dor também pode aparecer na relação sexual. Quando a endometriose atinge a bexiga, a mulher pode ter dor ao urinar durante o período menstrual. Se atinge o intestino, pode ter sangramento anal junto com as evacuações e dor. É preciso entender que nenhuma dor é normal, deve-se sempre procurar um médico para avaliar”, salienta a ginecologista.

Luciana dos Anjos revelou ainda que um problema causado pela doença é a infertilidade. “Cerca de 50% das pacientes que têm endometriose têm infertilidade. E isso é preocupante, pois as mulheres estão deixando para engravidar mais tarde. Se o problema é descoberto com 35 ou 36 anos, além de ter uma reserva ovariana diminuída pela idade, também terá essa reserva diminuída pela endometriose. Se a mulher tiver infertilidade, temos a opção de reprodução assistida, para aumentar a chance de engravidar”, ressalta.

Para a doença, o tratamento pode ser com remédios ou cirurgia. “O tratamento é difícil e multidisciplinar, pois atinge diferentes órgãos. Ele pode ser medicamentoso, por exemplo, para bloquear ovário e não deixar a mulher menstruar, e se a paciente tiver lesões importantes existe a cirurgia”, conta a médica, que reforça a importância de um diagnóstico precoce. A endometriose é uma doença evolutiva, se descobrir cedo é melhor”, afirma.

Março lilás

Durante a live Especial Órion FOR HER, Luciana dos Anjos também falou sobre a alta incidência do câncer de colo uterino entre as brasileiras, fato que tornou março também lilás, para a conscientização do câncer de colo de útero. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que para este ano sejam diagnosticados 16.590 novos casos de câncer de colo do útero no Brasil. Em 2020, ele foi o terceiro mais frequente entre as mulheres, representando 7,5% dos casos oncológicos femininos. Em 2019, ocorreram 6.596 óbitos por esta neoplasia.

O câncer do colo do útero é caracterizado pela replicação desordenada do epitélio de revestimento do órgão, comprometendo o tecido subjacente (estroma) e podendo invadir estruturas e órgãos contíguos ou à distância. É uma doença, cujo principal causador é o Papiloma Vírus Humano (HPV), possui desenvolvimento lento, que pode cursar sem sintomas em fase inicial e evoluir para quadros de sangramento vaginal intermitente ou após a relação sexual, secreção vaginal anormal e dor abdominal associada com queixas urinárias ou intestinais nos casos mais avançados.

“A vacina é a melhor prevenção da doença. Ela é gratuita para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. E o que poucos sabem é que ela também é fornecida gratuitamente para portadores do vírus HIV, pacientes transplantados de medula ou órgãos sólidos e pacientes oncológicos de 9 a 26 anos”, ressalta a médica, que também falou sobre o preconceito enfrentado quando a vacina chegou. “Houve muita informação equivocada e desinformação. Por isso, os pais não quiseram vacinar. Depois veio ainda o tabu de se falar sobre sexualidade com a criança, junto com o receio de estimular o início precoce da vida sexual, o que a vacina não causa”, salienta sobre importância do diálogo.

Antes do encerramento da live, Luciana dos Anjos, ainda falou sobre o melhor momento para começar a levar as filhas ao ginecologista e também respondeu a perguntas daqueles que estavam assistindo a transmissão ao vivo, falando sobre cuidados antes de se engravidar, parto normal ou cesariana e menopausa. A série de entrevistas virtuais está acontecendo todas as segundas-feiras, às 20 horas, no canal do Órion Complex no Instagram.

Por Dr. Breno Gusmão

Para entender o que é o mieloma múltiplo, tipo de câncer que atinge, na maior parte dos casos, pessoas acima dos 60 anos, é fundamental conhecer primeiro o sangue. E você já vai saber o porquê!

Ele é constituído por uma parte líquida (o plasma, que é formado por água e elementos químicos, como proteínas, hormônios, minerais, vitaminas e anticorpos) e por uma parte celular (as células sanguíneas).

Tanto o plasma, quanto as células sanguíneas, circulam por todo o corpo, nos chamados vasos sanguíneos. Então, o sangue, os vasos sanguíneos e o coração, juntos, formam o sistema circulatório.

AGORA, O SANGUE UM POUCO MAIS DE PERTO 

A medula óssea é o tecido encontrado no interior dos ossos, chamado popularmente por ‘tutano’. Ela produz todas as células presentes na corrente sanguínea.

As células sanguíneas são formadas a partir das células-tronco hematopoiéticas, que são células muito jovens. Com o processo de maturação, as células ficam mais maduras e passam a se diferenciar em diversos tipos.

Os três tipos básicos de células do sangue são: 

  • Glóbulos vermelhos ou hemácias – que transportam oxigênio para o corpo
  • Glóbulos brancos ou leucócitos – responsáveis por defender o corpo contra vírus, bactérias, dentre outros perigos 
  • Plaquetas – que coagulam o sangue, evitando hemorragias.

Em um processo normal, o indivíduo produz continuamente estas células. Mas no mieloma múltiplo, os glóbulos brancos começam a dar problema.

ENTENDA OS GLÓBULOS BRANCOS 

São dois os principais tipos de glóbulos brancos (ou leucócitos), que defendem o organismo: os mieloides e os linfoides.

Os tipos de células mieloides agem no sistema de defesa “comendo” os invasores. Já as células linfoides (ou linfócitos) fazem com que o corpo “lembre e reconheça” os invasores, ajudando em sua destruição.

Os linfócitos podem ser divididos em dois subtipos: os de células T e os de células B. Ambos estão presentes em diversas áreas do corpo, como axila, virilha, pescoço, intestino, corrente sanguínea…

Porém, suas funções são diferentes. Os linfócitos de células B agem sempre buscando os alvos malignos para “denunciar” aos linfócitos T, que então irão destruir os invasores.

Os linfócitos B, quando reconhecem a presença de um invasor (antígeno), se diferenciam e se multiplicam, transformando-se em milhões de plasmócitos. Estes, por sua vez, vão produzir bilhões de anticorpos de defesa, chamados imunoglobulinas. 

MAS, O QUE É O MIELOMA MÚLTIPLO?

O mieloma múltiplo tem início na medula óssea, quando no momento em que os linfócitos se diferenciam para, então, tornarem-se plasmócitos, ocorre uma mutação celular em um ou mais genes e passam a produzir plasmóticos anormais.

Os plasmócitos defeituosos/doentes acumulam-se na medula óssea, formando os plasmocitomas, que atrapalham o funcionamento das células saudáveis. Os plasmocitomas podem crescer dentro do osso e também fora dele.

Quando crescem dentro do osso, podem danificar a estrutura óssea. O mieloma múltiplo acontece quando estas células doentes estão dentro e fora do osso.

Este tipo de câncer corresponde a cerca de 1% dos tumores malignos e 15% das neoplasias hematológicas. Em estudos, observou-se que o MM é duas vezes mais comum entre os negros e também tem maior probabilidade de desenvolvimento em homens.

E A PROTEÍNA M?

A principal função dos plasmócitos é produzir as imunoglobulinas, responsáveis pela defesa do corpo.

Plasmócitos anormais produzem imunoglobulinas anormais, que não conseguem exercer suas funções de proteção e formam um amontoado de proteínas “bagunçadas”, chamadas proteína monoclonal ou proteína M.

Esta é uma outra característica bem típica e bastante importante em pacientes com mieloma múltiplo, que pode ser detectada no sangue ou urina.

Alguns pacientes não apresentam sintomas. Mas, dentre aqueles que apresentam, os mais comuns são:

  • Cansaço e fraqueza
  • Palidez
  • Perda de peso
  • Mau funcionamento dos rins, inchaço nas pernas
  • Sede exagerada e perda de apetite
  • Dores ósseas (especialmente na coluna) e fraturas espontâneas;
  • Infecções constantes
  • Anemia
  • Nível elevado de cálcio no sangue

Importante! O médico responsável por diagnosticar e tratar o mieloma múltiplo é o onco-hematologista.

Para os pacientes que não apresentam sintomas, muitas vezes o diagnóstico é realizado em um exame de rotina, como o hemograma (exame de sangue). Nele, será possível ver as alterações celulares.

Para uma melhor análise, o médico pedirá uma biópsia da medula óssea, quando um fragmento do osso da bacia é retirado e analisado em laboratório para definir a quantidade de plasmócitos presentes.

Ao desconfiar que pode ser um mieloma múltiplo, serão indicados eletroforese de proteína imunofixação de proteína, ambos realizados por meio de coletas de sangue e urina. O objetivo é encontrar a proteína M no sangue do paciente.

Também é possível que sejam solicitados exames como radiografia óssea, tomografia computadorizada, PET Scan e ressonância magnética, para verificar se há alterações nos ossos e se também há presença de plasmocitomas.

Está bem estabelecido o consenso de iniciar tratamento nos pacientes com sintomas CRAB:

  • C – Cálcio elevado
  • R – Insuficiência Renal
  • A – Anemia
  • B – Lesões ósseas

Recentemente, o grupo internacional de mieloma recomendou o início do tratamento nos pacientes com doença assintomática de alto risco. São os casos que o mieloma não apresenta CRAB, porém há alto risco de progressão em pouco tempo de evolução.

São várias as opções de medicamentos que compõe o tratamento do mieloma múltiplo.

Quimioterapia

Este é o tratamento mais comum. Vários medicamentos extremamente potentes no combate à doença são utilizados com o objetivo de destruir, controlar ou inibir o crescimento das células doentes.

Sua administração é feita em ciclos, com um período de tratamento, seguido por um período de descanso, para permitir ao corpo um momento de recuperação. O uso de cateteres é necessário.

Alguns efeitos colaterais podem surgir, como enjoo, diarreia, obstipação (intestino preso), alteração no paladar, boca seca e feridas na boca (mucosite). Mas existem medicamentos que podem amenizá-los.

A queda de cabelo também costuma acontecer, pois a quimioterapia atinge as células malignas e as saudáveis também, em especial as que se multiplicam com mais rapidez, como os folículos pilosos responsáveis pelo crescimento dos cabelos.

A imunidade baixa, comum a esta fase do tratamento, pode facilitar o surgimento das infecções.

Imunomoduladores

Estes medicamentos atuam diretamente no sistema imunológico do paciente e apresentam melhores respostas.

Talidomida – Este medicamento é utilizado como primeira linha para o tratamento de pacientes refratários ou que tenham recidivado à quimioterapia. Dentre seus efeitos colaterais estão sonolência, fadiga, constipação (intestino preso) e neuropatia (fraqueza, dormência e dor principalmente nas mãos e nos pés).

Lenalidomida – Utilizado em combinação com a Dexametasona em pacientes de mieloma múltiplo recidivados e que já tenham recebido ao menos um protocolo de tratamento. Também está indicada em terapia combinada na primeira linha de tratamento, quando não é possível realizar o transplante de medula óssea e também como terapia de manutenção nos pacientes que realizaram o transplante. Dentre as ações no organismo estão a melhora das atividades das células imunes e a inibição da inflamação destas células, melhorando a ativação dos linfócitos T e das células conhecidas por natural killer (NK) – que ajudam a matar as células do câncer.

Pomalidomida – Em combinação com a Dexametasona, é indicado no tratamento de pacientes com mieloma múltiplo em recidiva (quando a doença volta), que tenham recebido pelo menos dois tratamentos prévios, incluindo a Lenalidomida e Bortezomib. Este medicamento ainda não está aprovado no Brasil.

Ouça o podcast do Dr. Breno Gusmão no YouTube: 


 

Dr. Breno Gusmão:  Formado em Medicina pela Universidade Complutense de Madrid, especializado em Hematologia e Hemoterapia pelo Hospital San Pedro e mestre em Medicina pela Universidade de Zaragoza. Atualmente, integra o corpo clínico de Onco-Hematologia da BP – A Beneficência Portuguesa, em São Paulo.

Em 2002, com apenas 19 anos Priscilla Kajihara saiu de São Paulo e foi para o Japão em busca de oportunidades e uma vida independente. Nos primeiros dez anos morando no país, trabalhou em fábricas, com extensas cargas horárias de trabalho e remuneração baixa, mas, em contrapartida, sempre que conseguia um tempo livre, investia em autonomia.

Depois da cura, empresária se motiva a seguir carreira de sucesso

Dotada de um espírito empreendedor, criativo e versátil, vendia produtos e artigos, como bijuterias que ela mesma fazia, cosméticos e até decoração para festas. Dessa forma, conseguia além de dinheiro extra, aprender mais sobre o mundo dos negócios, para um dia empreender.

Formada em Administração de empresas pela Faculdade Internacional AIEC no Japão, utilizou todos os conhecimentos adquiridos para fundamentar sua carreira e organizar a vida pessoal.

“Conhecimento é um dos meus valores, pois através dele temos estratégias para amenizar riscos e extrair o melhor que ele tem a nos oferecer”, afirma Kajihara.

Em 2013, uma notícia colocou seu mundo de pernas para o ar. Ela acabava de ser, aos 29 anos, diagnosticada com câncer de mama. A doença se desenvolveu de forma tão agressiva que em apenas dois meses e antes da cirurgia já marcada, o câncer do estágio I, no qual a chance de cura é maior, evoluiu para o estágio III, que é quando o paciente corre risco de vida e as chances de ocorrer mestástase aumenta.  No caso dela se espalhou para os linfonodos da axila direita.

Foram oito horas de cirurgia.  Priscilla fez mastectomia, precisando retirar a mama por completo e todos os linfonodos do braço direito. Nos meses seguintes ela se submeteu à quimioterapia e em seguida foram mais 25 dias consecutivos de radioterapia localizada.

Após 14 dias da primeira sessão de quimioterapia, seus cabelos começaram a cair e em menos de um mês já havia perdido todos os pelos do corpo, e aderiu ao uso de lenços e perucas. No início foi muito difícil se acostumar com a perda dos cabelos, porém, com o tempo aprendeu a ver a vida de uma forma diferente e logo estava se achando linda, por isso, abandonou as perucas e depois foi a vez dos lenços.

Hoje curada, ela transparece, com brilho nos olhos, a força de quem venceu e ressignificou a luta. Tudo o que viveu trouxe mais garra para a brasileira encarar novas batalhas, como a recuperação do braço direito, do qual ficou com sequelas. No total foram oito cirurgias tentando religar alguns linfonodos e remover o inchaço.

Embora os acontecimentos tenham trazido dificuldades e imposto restrições, Priscilla jamais permitiu que as mesmas determinassem seu destino. Deste modo, desistir nunca foi uma opção para ela.

Trabalhar com micropigmentação era um sonho e estar curada de um câncer tão severo a fez decidir que era hora de investir nesse processo. O cuidado com as sobrancelhas era uma antiga paixão, que ela cultivava desde muito nova. Cuidava pessoalmente das suas, o que sempre chamava a atenção das amigas que ficavam admiradas com a perfeição dos resultados.

Não demorou muito, Priscilla passou a cuidar das amigas e quando viu, já estava trabalhando como designer, sendo indicada e ganhando cada vez mais clientes. Quando pesquisava o assunto, acabou se esbarrando com uma técnica que os europeus tinham acabado de lançar – a microblading – e foi amor à primeira vista.

Empolgada, embalou-se mais ainda nos estudos e entrou na maior Academia de micropigmentação do mundo, a PhiBrows Academy em Londres, berço da técnica mais natural de micropigmentação fio a fio, que existe atualmente. Inspirada pelos mestres russos, sérvios e americanos, sempre os usava como referência em técnicas avançadas e super-realísticas.  

Com isso, quanto mais aprendia e conhecia desse universo, mais se encantava e expandia suas percepções, e foi se especializando em outros estudos que complementavam seu trabalho, como Simetria Facial, Colorimetria, Visagismo, Pigmentologia, e Microblading – que hoje é sua técnica preferida.

Mesmo com toda bagagem que possuiu, Priscilla não se dá por satisfeita e pretende fazer novos cursos fora do país, a fim de trazer mais inovação em seu segmento. Ela afirma que para qualquer coisa que desejamos nos tornar é importante termos humildade de reconhecer que sempre podemos aprender mais.

Hoje, a especialista atende em média 5 clientes por dia e já realizou mais de 10 mil procedimentos. Seu faturamento mensal é de 2 milhões de ienes, equivalentes a cerca de 100 mil reais.

Priscilla é uma referência na comunidade brasileira no Japão e reconhece com muito orgulho que os esforços sempre valem a pena. “Aprendi que posso entregar com meu trabalho mais que sobrancelhas lindas. Ofereço autoestima”, conta.

“A semente do amor é fértil, onde você a planta ela cresce e dá bons frutos. Ver minhas clientes saindo felizes do meu estúdio é um dos melhores retornos que eu poderia ter. Eu contribuo com o resgate da confiança de muitas mulheres, que ao longo do caminho e por diferentes motivos, ficaram ofuscadas. Vê-las se olhando no espelho de forma mais amorosa e gentil consigo mesmas, o rosto brilhante e o sorriso de quem se reconhece e gosta do que enxerga, isso não tem preço” completa Priscilla.

Em 2019 Priscilla ganhou o troféu Amigos da Comunidade, no evento jantar empresarial em homenagem ao 13º aniversário da Revista Super Vitrine, idealizada pela IPC Digital e criada por Jhony Sasaki.

O evento contou com a presença de grandes empresários da comunidade brasileira e também com a presença do cantor Vinicius D’black e da influencer Nadja Pessoa.

Priscilla foi considerada destaque na comunidade brasileira no Japão e homenageada por fazer diferença na sociedade com ações positivas. Hoje, a nipo-brasileira fatura 20 milhões de ienes por ano.

Seus planos agora são de dividir todo o aprendizado que obteve nos últimos anos com a abertura de estúdios Priscilla Kajihara no Brasil. “Quero capacitar empreendedores, realizar o sonho de quem deseja trabalhar pra si mesmo num mercado que está crescendo cada vez mais”, finaliza Kajihara.

As expectativas são de iniciar o processo de expansão no segundo semestre de 2021. Mas, tudo dependerá do andamento do controle da pandemia do Covid19, é claro.

https://www.priscillakajihara.com.br/

@priscillakajihara

Neste mês de março, quando completamos um ano de pandemia, o Instituto Oncoguia, com o apoio da Roche, divulga novos dados do Radar do Câncer que destacam os impactos da pandemia de COVID-19 em todas as etapas da jornada dos pacientes com a doença. As informações foram compiladas por meio da coleta de dados do DATASUS, mapeando procedimentos de rastreamento, diagnóstico e tratamento dos pacientes e os comparando com o período de 2019.

Exames citopatológicos e mamografias tiveram queda na casa de 50% e as biópsias, que servem para confirmar a doença, diminuíram em 39%

Um dos principais procedimentos para o diagnóstico do câncer, as biópsias, tiveram uma redução de 39,11%, quando comparados os meses de março a dezembro de 2019 e 2020. Em 2019 foram realizados 737.804 desses procedimentos e, em 2020, um total de 449.275. As maiores quedas ocorreram nos meses de abril (-63,3%) e maio (-62,6%). “A redução do número de biópsias para diagnóstico de câncer tem repercussão muito grande na mortalidade. Quando vemos essa queda, entendemos que muitas pessoas estão deixando de ser diagnosticadas e tratadas, o que permite que o tumor cresça e se torne menos curável”, comenta Rafael Kaliks, oncologista clínico e diretor científico do Oncoguia.

Outros exames importantes para a saúde da mulher, como o citopatológico cervico vaginal, tanto para diagnóstico, como para rastreamento de câncer do colo do útero, também apresentaram queda, assim como a mamografia. Houve redução de mais de 50% nos exames citopatológicos e a mamografia de rastreamento, fundamental para o diagnóstico precoce, apresentou queda de 49,81%. “São dados extremamente preocupantes”, lamenta a fundadora do Instituto Oncoguia, Luciana Holtz. “A pandemia afetou e continua afetando profundamente o cenário do câncer. Exames, tratamentos e consultas pré-agendados foram suspensos ou cancelados, tanto a pedido do paciente, como por medida de segurança adotada pelas instituições de saúde”, explica.

A cada ano no Brasil, cerca de 700 mil pessoas recebem o diagnóstico de câncer e 225 mil morrem por conta da doença. Em situações normais, o país já possui uma alta taxa de diagnóstico tardio, agora, com a pandemia, tudo indica que o problema vai aumentar muito. Essa é uma das principais preocupações surgidas pós-levantamento desses dados públicos feito pelo Instituto Oncoguia, que realizou duas fases de uma pesquisa, em 2020, para compreender, pela voz do paciente e do familiar, as dificuldades e os desafios que as pessoas com câncer têm enfrentado para realizar seus tratamentos.

“Apesar de termos acompanhado muito de perto as preocupações, os sentimentos e os cancelamentos vividos pelos pacientes com câncer durante todo esse período, esses novos dados do Radar do Câncer materializam uma realidade que temos que começar a enfrentar desde agora”, reitera Luciana. “Onde estão essas pessoas que não fizeram seus exames e, em especial, as biópsias? O câncer não espera, e os cuidados com a saúde não devem ser interrompidos.”

Patrick Eckert, Presidente da Roche Farma Brasil, explica que pela gravidade e pelo grande número de casos, o diagnóstico e o tratamento do câncer precisam ser um tema de interesse de toda a sociedade. “Apoiar a análise dos dados sobre esse impacto nos coloca no caminho de traduzir essas preocupações em ações, sem deixar nenhum paciente para trás, ainda mais em um momento de pandemia, em que a falta de atenção adequada pode resultar em avanço da doença”, exemplifica.

Todos os dados e gráficos podem ser acessados no Radar do Câncer, disponível em COVID.

Sobre o Instituto Oncoguia

O Instituto Oncoguia é uma associação civil sem fins lucrativos fundada em 2009. Tem como missão ajudar o paciente com câncer a viver mais e melhor por meio de ações de educação, conscientização, apoio e defesa dos direitos dos pacientes.
Site: www.oncoguia.org.br

Nos últimos dias, a notícia do Câncer de Pele da apresentadora Marília Gabriela reascendeu a a importância da conscientização para prevenção da doença. Por isso, a  Dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dra. Nádia Bavoso, ensina como identificar os riscos de Câncer de Pele por meio do método ABCDE. Essa é uma forma de simplificar a identificação desse tipo de câncer que é tão silencioso – e que o Brasil, infelizmente, lidera em números de casos no mundo. 

Marilia Gabriela retira câncer de pele — Foto: Reprodução/Instagram

  • A – assimetria: ao dividir a pinta no meio, os dois lados precisam ser iguais. A não simetria pode indicar uma pinta maligna; 
  • B – borda: bordas irregulares e borradas são sinais de alerta; 
  • C – cor: uma das características mais comuns do melanoma é a pinta com variação de cor. Normalmente as pintas com mais de duas cores chamam a atenção dos especialistas. Fique atento!; 
  • D – diâmetro: é importante observar os tamanhos das pintas. Se for maior que 6 milímetros (mais ou menos o tamanho da “bundinha” do lápis), há chances de ser uma pinta maligna; 
  • E – evolução: fique muito atento às mudanças das características da pinta: cor, tamanho, textura. Importante: não é comum o surgimento de pintas em adultos com mais de 35 anos. Por isso, a Dermatologista reforça que qualquer alteração pode indicar o melanoma.  

“Esse método é uma forma de auto avaliação, como o auto exame para o Câncer de Mama, mas não substitui uma consulta com especialista. É muito importante reforçar que a consulta com o Dermatologista deve ser anual em pacientes que nunca tiveram nenhum tipo de câncer de pele para ajudar na prevenção do câncer e até no diagnóstico precoce da doença”, explica Dra. Nádia. 

Sobre Dra. Nádia Bavoso

Dermatologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem mestrado pela mesma instituição e faz parte do corpo docente da UNIFENAS (BH). É sócia da Clínica Eveline Bartels, uma das mais conceituadas em medicina estética de Belo Horizonte.

 

Pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer (INCA) realizaram duas pesquisas de grande relevância para a oncologia, em relação ao vírus da Covid-19. Em um dos estudos, foi descoberto que o vírus SARS-CoV-2 tem uma variabilidade genética maior em pacientes com câncer, do que os infectados que não têm câncer. No segundo estudo foi comprovada a capacidade de múltipla infecção, em uma paciente do INCA, que tinha duas variantes do vírus desde o primeiro contágio. 

Em destaque, os estudos mostram que a variabilidade genética do vírus é maior em pacientes com câncer e comprovam a capacidade de múltipla infecção

O pesquisador do INCA responsável pelos estudos, Marcelo Soares, explica que essas descobertas podem ajudar no controle e prevenção da pandemia.

“A maior diversidade genética do vírus em pacientes com câncer permite ao vírus explorar as possibilidades de mutações com mais eficiência e rapidez, podendo culminar com o aparecimento de variantes mais transmissíveis ou mais letais”, aponta o pesquisador Marcelo Soares.

O primeiro estudo, que foi publicado pela Revista Vírus Evolution, foi iniciado em abril e maio de 2020, quando foram coletados exames de 57 pacientes e 14 profissionais do Instituto. Com isso, foi possível observar que pacientes oncológicos têm uma diversidade genética viral significativamente maior se comparada à dos profissionais de saúde. A pesquisa tem uma relevância sobre a análise das novas variantes virais, como por exemplo, a do Reino Unido, da África do Sul e a de Manaus (AM). O que os pesquisadores entendem é que a baixa imunidade dos pacientes oncológicos pode ser a relação dessa maior diversidade genética do vírus.        

Publicado pela revista Infection Genetics and Evolution, a segunda pesquisa investiga casos de co-infecção, situações em que são detectadas variantes em diferentes momentos de infecção pelo vírus da COVID-19. O resultado é fruto de uma análise feita em uma paciente oncológica no INCA. Na primeira infecção, pelo SARS-CoV-2, havia uma variante minoritária pré-existente, enquanto o vírus principal foi detectado. Essa variante voltou a aparecer na reinfecção, 102 dias depois, como o vírus principal da infecção. 

“A múltipla infecção pode gerar formas recombinantes mais agressivas do vírus ou que não sejam reconhecidas pelas vacinas existentes. É possível que muitos casos definidos como reinfecção sejam, na verdade, a reativação de uma variante viral pré-existente no indivíduo infectado”, esclarece o pesquisador Marcelo Soares.

A pesquisa, coordenada por pesquisadores do INCA, contou com o apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), através de editais emergenciais de covid-19 lançados em 2020, além de suporte da Fundação Swiss-Bridge (Suíça) e dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA. 

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