Estilo de vida é fator determinante para manter saúde do coração

Segundo OMS, 80% das mortes por doenças cardíacas poderiam ser evitadas com mudanças de comportamento.

​A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 80% das mortes por doenças cardíacas no mundo seriam evitadas apenas com mudanças no estilo de vida.

“Tirando as doenças congênitas, os outros males que acometem o coração e podem culminar em insuficiência cardíaca são evitáveis”, diz o cardiologista Félix Ramires, responsável pelo Programa de Insuficiência Cardíaca do HCor (Hospital do Coração).

O médico cita como exemplo a classificação da American Heart Association para caracterizar os estágios de insuficiência cardíaca — síndrome em que o coração se torna incapaz de bombear sangue suficiente para atender às necessidades do organismo.

No estágio inicial, a pessoa ainda não mostra sinais da doença, mas tem fatores de risco, como tabagismo, obesidade e alcoolismo.

Segundo Ramires, nessa fase é quando há maior chance de evitar a progressão do quadro, deixando de lado o cigarro e o álcool, controlando o peso e cortando alimentos que favorecem males como hipertensão e diabetes.

O tabagismo, explica, tem ação direta no sistema cardiovascular, aumentando o risco de obstrução das artérias, o que pode aumentar a pressão arterial e até levar ao infarto.

“É o hábito mais difícil de ser abandonado pela dependência psicológica e química. Alguns precisam de um tratamento personalizado, farmacológico e psicoterápico”, diz.

Já o álcool é uma substância cardiotóxica, que provoca alterações nas células do coração. “As que não morrem com a toxicidade do álcool perdem parte da função”, afirma.

Apesar da literatura médica ser controversa, a recomendação de Ramires é não consumir mais de 30 gramas de álcool por dia, sendo equivalente a uma dose de uísque, uma taça de vinho ou até duas latas de cerveja.

Já os demais fatores estão associados a aspectos comportamentais. O estresse crônico, por exemplo, aumenta a quantidade de hormônios como adrenalina, noradrenalina e cortisol na corrente sanguínea. Essas substâncias elevam a frequência cardíaca e a pressão arterial, podendo lesar o coração.

Denilson Albuquerque, diretor da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia), lembra que quem tem diabetes, hipertensão ou colesterol alto não pode deixar de tomar os medicamentos.

“As pessoas têm dificuldade de entender que precisam do remédio para o resto da vida. Não é uma pneumonia, que a pessoa toma a medicação por sete dias e fica bem”, afirma.

Dados da OMS de 2016 mostram que Coreia do Sul, França e Japão são os países com os menores índices de mortalidade por doenças do coração.

Com culturas e hábitos diferentes, esses países têm em comum níveis baixos de obesidade. Na Ásia, a alimentação é rica em peixes e vegetais e pobre em gordura.

“Na França, podemos citar o valor que a população dá ao momento da refeição. Eles consomem porções menores, possuem hábitos da dieta mediterrânea e ingerem menos açúcares”, explica Leilane Giglio, nutricionista responsável pelo programa de insuficiência cardíaca do HCor (Hospital do Coração).

A dieta mediterrânea é associada à menor incidência de doenças cardíacas e a altas taxas de longevidade em países como Itália e Grécia. O cardápio se baseia no consumo de peixes, grãos, vegetais, legumes e frutas frescos e azeite de oliva.

Segundo Giglio, o ideal é manter uma dieta regrada pelo menos durante a semana, controlando a ingestão de sódio (presente em industrializados, embutidos e enlatados) e gorduras saturadas, e consumindo alimentos ricos em fibras, como grãos integrais, frutas com casca, verduras, leguminosas e cereais.

Aos finais de semana, a recomendação é não exagerar: a pessoa pode comer uma fatia média de bolo em uma festa, mas não pode repetir.

A nutricionista do Incor Anna Carolina Di Creddo Alves explica que nenhum nutriente deve ser visto de forma isolada. O ômega 3, por exemplo, é recomendado para situações específicas, mas sozinho não promove a saúde do coração.

“Um só alimento não é a solução dos problemas. É o contexto de uma alimentação equilibrada que fará diferença”, afirma a nutricionista.

O exercício físico, por sua vez, ajuda a controlar a frequência cardíaca, fazendo o coração trabalhar menos e de forma mais eficiente, explica Carlos Eduardo Negrão, diretor da Unidade de Reabilitação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício do Incor.

“As pessoas ativas têm capacidade física maior e vivem 15 a 20 anos mais do que as pessoas sedentárias, independentemente de ter uma doença cardiovascular”, diz o diretor.

Antes de iniciar uma rotina de exercícios, Negrão reforça que é necessário consultar o médico e fazer uma avaliação cardiovascular. A partir daí, a recomendação é praticar atividades de três a cinco vezes por semana, com duração de 60 minutos cada sessão.

Para torna-lo um hábito, o exercício não pode ser um sacrifício, tem que ser prazeroso. “Não adianta a gente falar: o melhor exercício para você é hidroginástica. Se a academia fica a uma hora de casa, a pessoa não vai fazer. Tem que ser prazerosa e fácil”, diz o cardiologista Félix Ramires.

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fonte: HCor

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