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A telemedicina, aliada ao prontuário eletrônico, que utiliza a tecnologia de assinatura digital e as plataformas de teleconferências, contribuíram para melhores resultados no combate à pandemia

A pandemia da covid-19 evidenciou as realidades sociais e econômicas, mostrando ao mundo que o acesso à saúde é deficitário não só no Brasil, mas em todo o mundo. Países como Itália e Espanha foram os primeiros a sofrer com o aumento do número de mortes causadas pelo novo coronavírus e até mesmo na maior potência do mundo, Estados Unidos, os hospitais tiveram a totalidade dos seus leitos ambulatoriais e de internação ocupados.

O Brasil possui o maior sistema de saúde pública do mundo, através do SUS (Sistema Único de Saúde), com a garantia de acesso à saúde descrita em lei, o que possibilitou uma distribuição facilitada de vacinas e acesso a atendimento médico e de demais profissionais da área. Entretanto, a velocidade de expansão de novos casos superou a capacidade de atendimento, levando à saturação dos sistemas de saúde, tanto público como privado.

Para levar acesso à toda população, as ferramentas digitais de saúde foram e continuam sendo imprescindíveis para o atendimento de qualidade, com seu uso ainda mais necessário durante a pandemia. A principal ferramenta utilizada como forma de melhoria do acesso durante a crise sanitária foi a telemedicina. Empresas que já possuíam a tecnologia saíram na frente na corrida de ampliar o acesso.

Por Rafael Kenji Hamada, CEO da Feluma Ventures. Foto: Divulgação

Com a telemedicina, pacientes com sintomas leves de covid-19, ou aqueles que necessitavam apenas de uma orientação, foram atendidos de forma remota, evitando a sobrecarga dos sistemas de saúde e evitando a contaminação de mais pessoas. O atendimento médico remoto ainda passou a ter um papel de prevenção, já que um paciente com sintomas leves de doenças virais, como cefaleia, tosse, coriza e mialgia, deixou de ir ao hospital para ser atendido e orientado à distância. Dessa forma, enfermos que estavam com outras doenças, como infecção pelo vírus influenza, rotavírus ou bactérias deixaram de ter contato com o SARS-CoV-2, causador do novo coronavírus, logo, evitando uma nova contaminação oriunda do ambiente hospitalar.

A telemedicina passou a ter papel epidemiológico também, quando integrado a uma plataforma de gestão e prontuário eletrônico que registram os dados dos pacientes e seus atendimentos. Isso acontece porque doente de todo o Brasil, inclusive de áreas remotas do interior dos estados foram atendidos por médicos também espalhados por todo o país. Dessa forma, além do registro e da análise dos sintomas apresentados, as plataformas passaram a registrar o endereço do paciente e realizar a notificação compulsória, por meio do e-SUS. Com isso, ampliou-se o desenho do mapa do coronavírus no território nacional e assegurou-se uma melhor acurácia na notificação compulsória, já que muitos dos pacientes orientados em áreas remotas nunca seriam notificados, porque dificilmente seriam atendidos em casos leves a moderados da doença.

Essa atuação da telemedicina e dos prontuários eletrônicos se estendeu não apenas para a covid-19, mas como outras doenças, como a dengue. Entre fevereiro e abril deste ano, pacientes com sintomas sugestivos de covid-19, mas com teste negativo para a doença, foram testados para dengue pelos médicos de teleconsulta. O resultado foi que a grande maioria apresentava sorologia positiva para a doença, gerando um alerta epidemiológico às autoridades de saúde, meses antes de serem notificados oficialmente os surtos de dengue espalhados pelo Brasil.

Vimos iniciativas em todo país de atendimento em saúde a populações ribeirinhas, indígenas, quilombolas e demais pessoas que ainda possuem o atendimento dificultado, muitas vezes de forma gratuita.

A telemedicina, aliada ao prontuário eletrônico, que utiliza a tecnologia de assinatura digital e as plataformas de teleconferências, contribuíram para melhores resultados no combate à pandemia no Brasil e no mundo, além de criar uma nova cultura de transformação digital no país.

*Rafael Kenji Hamada é CEO da Feluma Ventures uma Corporate Venture Builder cujo principal objetivo é desenvolver soluções inovadoras voltadas ou adaptadas para as áreas de saúde e educação – [email protected]

 

Desde o fim de 2019, a palavra “pandemia” passou a ser muito utilizada, mas existe uma diferença entre ela e as outras expressões. É a Organização Mundial de Saúde (OMS) que determina a gravidade e se é uma ameaça mundial.

Um surto acontece quando existe um aumento dos casos da doença e pode ocorrer somente dentro de um bairro, por exemplo. Já no caso da endemia, ela ocorre quando a enfermidade é recorrente na região, mas não existe um aumento significativo de casos. 

A epidemia acontece quando a doença tem um aumento de casos muito acima do esperado em diversas regiões, porém sem atingir níveis globais. 

Enquanto isso, a pandemia ocorre quando a doença atinge proporções internacionais, com disseminação mundial. A pandemia pode surgir a partir de um surto ou endemia, quando se espalha por diferentes continentes com transmissão sustentada de pessoa para pessoa. O que vai diferenciar cada uma delas é a escala em que a doença se espalhou.

Algumas doenças que quase extinguiram a raça humana

  1. Peste bubônica

Conhecida também como peste, peste negra ou doença do rato, a peste bubônica é a mais comum entre as formas clínicas da peste, causada pela bactéria Yersinia pestis. Ela é uma doença infecciosa aguda transmitida por roedores, como os ratos e, principalmente, pela picada da pulga infectada.

Ela atingiu o continente europeu no século XIV e os primeiros casos no Brasil foram registrados em 1899, na cidade de Santos, em São Paulo. A partir daí, o número começou a crescer exponencialmente.  Para tentar controlar a doença, foi feito um sistema de isolamento na cidade. 

Em 1901, a peste negra já havia chegado à cidade de São Paulo e, então, o Instituto Butantan começou a produzir um soro antipestoso. Somente no ano seguinte, o Butantan iniciou a produção da vacina antipestosa, com o intuito de controlar a doença. 

Estima-se que a pandemia da peste negra se originou na Ásia e resultou na morte de, aproximadamente, 1/3 da população europeia. Entretanto, esse número pode ter sido muito maior. 

Segundo o Ministério da Saúde, nos últimos 20 anos, houve registro de apenas 1 caso no ano de 2005, no Ceará, na região Nordeste do Brasil. 

 

  1. Gripe espanhola

De acordo com a Fiocruz, a gripe espanhola aconteceu entre os anos de 1918 e 1920 e matou – aproximadamente – 50 milhões de pessoas, ¼ da população mundial na época. Já no Brasil, a doença chegou no final de 1918 e matou 40  mil brasileiros, em média.

Conhecida como “mãe das pandemias”, a gripe espanhola foi causada pelo vírus Influenza H1N1 e, apesar de não haver confirmação, registros indicam que se iniciou nos Estados Unidos. A referência à região espanhola se deve ao fato da Espanha promover uma forte divulgação do problema na imprensa.

A transmissão acontece pelo contato direto de pessoa para pessoa ao falar, tossir ou espirrar. A utilização de máscaras foi uma das medidas adotadas, além de ser feito também um isolamento como maneira de controlar a pandemia da gripe espanhola. Na época, ainda não existia vacina contra a doença. 

  1. Gripe suína

Uma nova cepa do vírus Influenza H1N1, o mesmo da gripe espanhola, foi a responsável pelo surto da gripe suína, também chamada “gripe A” e “gripe H1N1”. O México foi o primeiro país a identificar e notificar a existência desse novo surto.

Em 2009, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica esse surto como uma epidemia de emergência de saúde pública no âmbito internacional. Entretanto, apenas dois meses depois, foi notificado que a doença havia se espalhado por mais de 75 países de todos os continentes, sendo, então, decretado estado de pandemia.

Em maio do mesmo ano, a doença chegou ao Brasil se concentrando, inicialmente, nas regiões Sul e Sudeste, de acordo com a Fiocruz.

Em 2009, no Brasil, foram 46.100 casos graves e 2.051 óbitos. Em 2010, o governo iniciou a campanha de vacinação e, em 3 meses, o país vacinou mais de 90 milhões de pessoas. Hoje, a vacina da gripe é a melhor maneira de se proteger contra essa doença.  

A transmissão da gripe H1N1 ocorre por meio das secreções das vias respiratórias de uma pessoa infectada. Ao falar, tossir ou espirrar, o indivíduo pode acabar transmitindo o vírus para outra pessoa. O contato das mãos com superfícies contaminadas por essas mesmas secreções, pode levar à infecção, já que a pessoa leva o agente infeccioso das mãos diretamente aos olhos, nariz e boca.

  1. Varíola

OMS declarou em 1980 a erradicação da Varíola, uma das doenças mais graves já existentes, que matou mais de 300 milhões de pessoas ao longo do século XX. Foi a enfermidade infecciosa que mais causou óbitos na história da humanidade. 

Por não existir um tratamento efetivo contra a varíola, a solução era tentar amenizar ao máximo a coceira e a dor causadas pela doença e esperar que o organismo reagisse e vencesse o vírus. 

Só foi possível vencer a varíola e erradicá-la após campanhas, medidas e ações realizadas pela OMS ao redor do mundo, em 1967. No Brasil, a Fiocruz teve um papel fundamental para obter o controle da doença.

  1. AIDS

A Aids é uma doença causada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) e é considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST). Ela foi identificada nos Estados Unidos nos anos 80 e circula até hoje ao redor do mundo.

A transmissão do HIV acontece por meio da relação sexual sem preservativo, do compartilhamento de seringa contaminada, da transfusão de sangue contaminado e dos instrumentos que furam ou cortam contaminados e não esterilizados. Além disso, mães infectadas também podem transmitir para o bebê durante a gestação, parto e amamentação.

Ainda não existe uma vacina contra a Aids e nem cura, porém há um tratamento com medicamento antirretroviral (ARV) que é distribuído gratuitamente no Brasil. O ARV ajuda a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico e impede a multiplicação do HIV no organismo.

Foram mais de 20 milhões de mortos desde a sua descoberta. No Brasil, o número de óbitos diminuiu em 17,1% nos últimos cinco anos. Em 2015, foram registradas 12.667 mortes e, em 2019, esse número caiu para 10.565. As ações e campanhas como a testagem para a doença e o início imediato do tratamento, em caso de diagnóstico positivo, são essenciais para a redução do número de óbitos, segundo dados do Ministério da Saúde.

  1. Ebola

O vírus do ebola, Filoviridae, foi identificado pela primeira vez em 1976 quando houve surtos da doença no Sudão e na República Democrática do Congo, na África. 

Entre 2013 e 2016, houve um surto epidemiológico também em regiões da África. Em 2014, houve suspeita de ebola no Brasil, porém foi descartado. Em 2018, foi registrado outro surto de novo no continente africano, matando mais de 2 mil pessoas.

A transmissão do ebola acontece por meio do contato direto com o sangue, tecido ou fluidos corporais de pessoas e/ou animais infectados ou do contato com objetos e superfícies contaminados.

Ainda não existe uma vacina disponível contra ebola e a melhor maneira de se prevenir é evitar contato com o sangue ou secreções de animais ou pessoas infectadas.

  1. Cólera

A cólera se espalhou pelo mundo no século XIX e é uma doença ainda em circulação. De acordo com a OMS, os últimos registros indicam mais de 140 mil mortes anuais devido à enfermidade.

Em 2009, 45 países notificaram mais de 220 mil casos de cólera e quase 5 mil mortes. Entre 2010 e 2011, ocorreram surtos no Haiti e na República Dominicana. 

Entre 1991 e 1999, foram registrados – aproximadamente – 200 casos de cólera no Brasil. A partir de 2006, não houve casos autóctones de cólera no Brasil, tendo sido notificados apenas 3 casos importados, um de Angola (2006), um da República Dominicana (2011) e um de Moçambique (2016).

A transmissão da cólera acontece após ingerir água ou alimentos contaminados com a bactéria vibrio cholerae. Já existe vacina contra cólera, contudo, ela é indicada somente para áreas com endemia, em situações de crise humanitária com alto risco para doença ou em casos de surtos. 

  1. Malária

Por não ser uma doença contagiosa, um indivíduo infectado não pode transmitir a malária para outras pessoas. A transmissão acontece, principalmente, por meio de picadas de mosquito.

Em 2017, estima-se que houve 219 milhões de casos de malária em 90 países e 435 mil mortes. No Brasil, 99% dos casos ocorrem na região Amazônica. Mais de 400 mil pessoas morrem anualmente dessa doença, sendo 95% dos óbitos registrados na África.

Apesar de ser uma doença grave, a malária tem cura e tratamento. Em outubro de 2021, segundo o Ministério da Saúde, a OMS notificou a recomendação de uma vacina contra a malária para crianças que residem em regiões com alta ocorrência. 

  1. Tuberculose

A tuberculose é uma das doenças mais antigas do mundo, descoberta em 1882. A partir de 1990, foi notado que em vários lugares do mundo o número de casos de tuberculose, principalmente ligados ao HIV, estava crescendo. A OMS informa que são registrados 10 milhões de novos casos de infecção por tuberculose  anualmente ao redor do mundo.  No Brasil, são notificados 70 mil novos casos e mais de 4 mil mortes. 

A transmissão acontece por meio da inalação de aerossóis oriundos da fala, espirro ou tosse das pessoas com tuberculose. Diferente de outras doenças, ela não é transmitida pelo contato com objetos compartilhados. 

O tratamento é feito por meio de fármacos e,no Brasil, eles são disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Se o tratamento for feito adequadamente e corretamente, é possível se curar da doença.

  1.  Febre amarela

A epidemia da febre amarela no Brasil, eclodiu no período de 1850. Na época, ainda não havia informações a respeito dessa doença. Somente no fim do século XIX, foram feitas descobertas que ajudaram na luta e controle da febre amarela.

Segundo o Ministério da Saúde, entre 2020 e 2021, no Brasil, houve registros confirmados de 37 casos em primatas não humanos com suspeita de febre amarela. 

A febre amarela é transmitida por meio da picada de um mosquito infectado e não é possível ser transmitida diretamente de uma pessoa para outra. A vacina contra a febre amarela é a principal forma de prevenir e controlar a doença.

Percebe-se como o isolamento social, boas práticas de higiene, tratamento adequado e vacinação funcionam para ajudar no controle e evitar a transmissão das doenças. 

A variante Omicron deve iniciar uma nova corrida para o desenvolvimento de vacinas, caso os imunizantes já existentes não tenham eficácia e efetividade comprovadas contra a nova variante da Covid-19. Para isso, os fabricantes já podem contar com uma tecnologia que auxiliou e dinamizou a criação das primeiras vacinas: o cloud computing (computação em nuvem).

Para o especialista em tecnologia, o CEO da dataRain, Wagner Andrade, a nuvem foi fundamental para trazer velocidade às pesquisas e assim garantir o desenvolvimento rápido das vacinas contra a Covid-19. “Trata-se de um processo de pesquisa compartilhada a nível global, envolvendo diversos institutos, indústria farmacêutica, universidades e centros governamentais, que se uniram para desenvolvê-las. E toda base de conhecimento foi compartilhada na nuvem com esses colaboradores”, comenta.

A gigante farmacêutica AstraZenca e a Universidade de Oxford foram vanguardistas no uso da nuvem e, com isso, saíram na frente. As primeiras 100 milhões de doses da vacina Oxford-AstraZeneca foram administradas no início de janeiro de 2021 no Reino Unido. Naquele momento, a mídia já voltava suas atenções à rapidez com a qual a vacina foi desenvolvida.

A Amazon Web Services (AWS) foi uma das plataformas de provedores de nuvem pública escolhidas para realizar este trabalho. A solução foi fundamental para vencer o desafio principal: a falta de tempo, pois, a partir desta tecnologia foi possível o compartilhamento de resultados de testes em massa ao redor do mundo inteiro. 

“Antes da Covid-19, os anticorpos eram testados em um pequeno subconjunto da população e aumentavam gradualmente ao longo de um período de 12 a 24 meses. No entanto, com tempo limitado, a AstraZeneca precisava coletar dados de eventos adversos de 2 bilhões de doses sendo administradas, ao mesmo tempo, em todo o mundo.  Desta forma, a farmacêutica pode executar análises em escala e obter os dados disponíveis em tempo recorde”, ressaltou Andrade.

A nuvem dá a capacidade de realização de mais de 51 bilhões de testes estatísticos em menos de 24 horas. Com estes resultados, é possível estudar os efeitos de mutações ou genes individuais, caso a caso e com uma ampla gama de fenótipos.

Ainda por meio da nuvem, a AstraZeneca produziu um pipeline de bioinformática genômica, o que dá aos seus cientistas tempo e recursos para que possam buscar inovação. Como resultado, o Center for Genomics Research da empresa está avançando em sua meta de analisar dois milhões de genomas até 2026.

Para Andrade, a nuvem pode proporcionar ainda mais benefícios para a saúde. Além de agilizar o desenvolvimento de vacinas, pode contribuir com a aceleração da implantação da telemedicina e gerar uma integração de dados, chamada interoperabilidade na saúde, organizando informações para ajudar na tomada de decisão sobre tratamentos, bem como o desenvolvimento de novos medicamentos, nos casos de pesquisas científicas. 

“Muitas das mudanças que vieram por conta da pandemia vão perdurar. Ocorreram várias descobertas, entre elas a questão das organizações de saúde, que perceberam que a telemedicina é uma forma segura de fazer o acompanhamento da evolução clínica e a interoperabilidade que significa que, ao passar por consultas com médicos de diferentes especialidades, o paciente terá seus dados prontamente disponíveis em toda a rede envolvida. Tudo isso garante atendimentos mais ágeis e eficientes”, complementa.

A dataRain, empresa brasileira 100% orientada à computação em nuvem, é um dos mais importantes parceiros na área de Saúde da Amazon Web Services (AWS) no Brasil. Com expertise de quase quatro anos no mercado, a consultoria já soma projetos relevantes de telemedicina e interoperabilidade, em organizações como o Hospital Israelita Albert Einstein, Hospitais Sancta Maggiore, Hospital Santa Marcelina, Hospital Santa Cruz, Laboratórios Sabin e a Secretaria de Saúde de São Paulo.

Atualmente, a dataRain está envolvida em projetos de Infraestrutura de Nuvem suportando os principais sistemas de missão crítica de hospitais, clínicas e laboratórios, com soluções de Big Data para sequenciamento genômico, pesquisas, processamento e armazenamento em nuvem de imagens médicas digitais, entre outras soluções. O segmento é responsável por mais de 50% do faturamento da companhia, filiada a entidades como a Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) e na Associação Brasileira de CIOs de Saúde (ABCIS). 

Assessoria de Imprensa – dataRain

*Por Dr. Pedro Schestatsky

Desde março de 2020, estudos e pesquisas estão sendo desenvolvidos em torno do novo coronavírus. Principais sintomas, tratamentos, medicamentos, prevenção, vacinas são os principais focos dos pesquisadores do mundo inteiro. O vírus pode se desenvolver dentro dos seres humanos em três estágios. A esmagadora maioria dos pacientes (cerca de 90%) terá apenas a infecção inicial que varia de pacientes assintomáticos até gripados. Neste estágio ocorre a replicação normal do vírus passível de ser detectado pelo exame PCR.

O segundo estágio (5% dos pacientes), denominado fase pulmonar, é quando os pacientes já começam a apresentar quadro de falta de ar, alterações radiológicas (comprometimento pulmonar) e intensificação da multiplicação viral no organismo. E, por fim, o terceiro estágio, a fase hiperinflamatória (5%). Nesse momento, os pacientes evoluem para a chamada “tempestade inflamatória” que levam a quadros de pneumonia grave, septicemia (complicação potencialmente fatal de uma infecção) e necessidade de ventilação mecânica dentro de uma CTI.

O que os estudos estão revelando é que quanto maior o avanço da doença e duração da internação hospitalar, maiores serão os riscos neurológicos. Mas tudo isso, é claro, não impede que um paciente em estágio 1 da Covid-19 também apresente manifestações neurológicas a longo prazo. De maneira geral, 20% a 70% dos pacientes apresentam algum tipo de sintoma neurológico durante ou mesmo 6 meses após a infecção.

Isso significa que essas manifestações podem ser desde os principais sintomas – dor de cabeça, náusea, vômitos e confusão mental – até um possível AVC, demência e, em muitos casos, os principais transtornos de humor.

Existem dois mecanismos pelos quais desenvolvemos as principais manifestações neurológicas diante de um quadro de Covid-19:

  1. Neurorrespiratório: um simples ato de prender a respiração pelo nariz e boca ou hiperventilar (respiração acelerada) é suficiente para apresentar sensações estranhas que, em alguns minutos, pode levar ao sufocamento e asfixia.
  2. Invasão cerebral: causada pelo sangue ou nervos, na forma de uma trombose, inflamação ou depleção (perda) de neurotransmissores.

A questão é que a trombose, a inflamação e a depleção podem ocasionar uma hipóxia cerebral (redução da oxigenação cerebral), neurotoxicidade (alteração da atividade normal do sistema nervoso por causa de substâncias tóxicas ou artificiais no cérebro) e a lesão tecidual. Tudo isso de forma muito rápida e, na maioria das vezes, como processos irreversíveis.

Mas como o vírus entra no corpo humano?

As principais formas de um vírus entrar no corpo humano são pela boca, nariz ou olho. Mas não para por aí. Após conseguir adentrar a essas cavidades, o vírus possui estrutura suficiente para romper barreiras e alcançar, em primeiro momento, o pulmão. É por isso que, durante o diagnóstico da Covid-19, os profissionais de saúde utilizam os exames de imagem para auxiliar no processo, pois eles são capazes de identificar o comprometimento pulmonar do paciente. Em seguida, o vírus pode entrar em vasos sanguíneos presentes no pulmão e, com isso, circular por todo o corpo humano.

A partir dessa fase, o corpo humano identifica a presença deste corpo estranho (o vírus da Covid-19) e, com o objetivo de defesa do organismo, provoca inflamações. Justamente são essas inflamações que podem gerar micro tromboses e coágulos, que por sua vez causam lesões neurais, reduzindo os neurotransmissores. Um estudo publicado pela Revista Lancet, este ano, apresenta dados interessantes sobre isso. Ao entrevistar 236 mil pacientes após seis meses de alta da Covid-19, identificou-se que grande parte deles pode apresentar alterações como demência, problemas musculares, nos nervos e AVCs hemorrágicos e isquêmicos. Casos raros, mas presentes. Porém, 25% evoluíram para transtornos de humor pós-Covid-19, que os médicos ainda não sabem explicar.

Vale destacar que o nariz também pode ser a porta de entrada do vírus diretamente para o cérebro e, por isso, quem tem anosmia (diminuição ou perda total do olfato) tem mais chance de desenvolver sintomas neurológicos a longo prazo. Por fim, é importante destacar que ao mesmo tempo que os genes são capazes de nos proteger, podem nos vulnerabilizar na Covid-19. Podem regular a disfunção mitocondrial (usinas das nossas células), e o paciente terá mais tromboses, inflamações e infecções. Mesmo assim, existem pessoas que, infelizmente, vão a óbito pela doença, e no Brasil, já atingimos a triste marca de 470 mil.

Então, vale lembrar que seis dimensões da saúde precisam estar danificadas, simultaneamente, para que um quadro da Covid-19 seja fatal: estilo de vida, ambiente, comorbidades, genética do hospedeiro, genética do vírus e imunogenética. Ainda que possamos ter estilo de vida equilibrado, em um ambiente saudável e sem comorbidades, é a genética que pode ser o grande vilão no combate à guerra contra a Covid-19.

 


Sobre Dr. Pedro Schestatsky

Dr. Pedro Schestatsky é médico neurologista, professor, pesquisador, palestrante e empreendedor de novas tecnologias em Medicina, residente em Porto Alegre. Ficou nacionalmente conhecido após sua palestra TEDMED ao argumentar que a tecnologia não irá substituir os médicos no futuro, mas sim empoderar os pacientes para que se cuidem melhor de si mesmo. Também é autor do recém best-seller “Medicina do Amanhã”.

Referência

Taquet et al. 6-month neurological and psychiatric outcomes in 236 379 survivors of COVID-19: a retrospective cohort study using electronic health records. Lancet Psychiatry. 2021 May;8(5):416-427.

O infectologista Dr. Renato Grinbaum e docente do curso de Medicina da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), instituição que integra a Cruzeiro do Sul Educacional, avalia os aspectos clínicos do coronavírus e explica como são os processos desde a infecção pelo vírus, como a covid-19 age nas células, quais os aspectos de recepção e como se dão as mutações do vírus, além de avaliar as manifestações das variantes e as formas eficazes de tratamento. Confira:

A INFECÇÃO

Segundo o especialista, trata-se de um vírus de pouca complexidade, estruturado a partir da proteína S (Spike), com duas formas de infecção, a leve e a severa. A forma severa é dividida ainda em duas fases, sendo a primeira, com manifestação de cinco a sete dias, com uma grande quantidade de vírus circulantes, em que o paciente apresenta sintomas de baixa intensidade, sintomas que desaparecem em aproximadamente 85% das pessoas. Entre 15 a 20% desses pacientes, a partir do quinto ao sétimo dia até o 14º, há o recrudescimento desses sintomas, fase em que o paciente começa a sentir os problemas mais temidos, como: dispneia, sepse, com possível necessidade de UTI.

O especialista explica que para essa primeira fase não existe tratamento disponível. “Nós não temos nenhuma droga que seja verdadeiramente eficaz. Há um estudo sobre a ivermectina, por exemplo, que é o estudo mais conclusivo, o qual mostra que não há benefício clínico em termos de diminuição de mortalidade e de eventos severos, e o mesmo ocorre para outras drogas”, explica Grinbaum.

Do ponto de vista clínico, o infectologista argumenta que diante da evolução de sintomas no paciente, a partir de alguns fatores imunológicos, é possível realizar algumas intervenções que são consideradas eficazes, como o uso de imunoglobulina rica em IgM precocemente, corticoides, como o dexametasona ou o metilprednisolona, e mais recentemente, o tocilizumabe, como uma alternativa segura e que diminui o risco de intubação e o tempo de internação.

 “As intervenções são: observação na fase inicial, monitorização clínica e de exames laboratoriais, e a partir do momento que se tem uma deterioração laboratorial que antecede a deterioração clínica, é possível realizar essas intervenções e de imunomodulação, a qual procuramos deter a atividade do sistema imune inato”, explica.

RECEPTORES E SEVERIDADE

Diante da dinâmica da imunologia da doença, Grinbaum destaca que quem conhece sepse, inclusive sepse bacteriana, conhece covid e que o conhecimento de imunologia da patogênese da sepse foi crucial para o enfretamento da doença.

“Quando um invasor chega no organismo, vários sistemas o reconhecem, e uma resposta imunológica é liberada, como citocinas específicas para esse agente. Um dos sistemas mais importantes é o toll-like receptors (TLR), que sinaliza para as células se protegerem desse invasor. Entre os vários problemas que ocorrem com a covid severa, é que aproximadamente 10% dos pacientes desenvolvem anticorpos cod terfero 1, e reconhecem de forma menos eficaz ou mais lenta, esse vírus. O principal fator que leva à severidade, é a ligação do vírus, que ao entrar na célula, exerce o seu efeito e infundir o seu material genético, causando infecção, através da proteína S, que se liga “batendo” em um receptor de membrana”, esclarece o infectologista.

Outro ponto levantado pelo médico, é que em indivíduos com comorbidades, o vírus tem uma facilidade em adentrar às células, pois esses indivíduos têm uma alta expressão de Enzima conversora da angiotensina 2 (ECA2). “O ECA2 está envolvido em uma séria de processos fisiológicos, e quando o vírus se liga ao ECA2, ele faz uma regulação negativa desse receptor e tem a sua ação inibida. Isso leva a vários efeitos, como vasoconstrições, fibrose, trombose, entre outras reações. É uma infecção sistêmica.

VARIANTES

Sobre variantes, o infectologista e docente do curso de Medicina da Unicid, Dr. Renato Grinbaum, explica que elas são fenômenos naturais, e que todos os seres vivos dispõem de variantes, pois possuem variações genéticas acumuladas a partir de muitas gerações.

“A diversidade é a origem da vida. O ser humano é muito complexo, com uma mutação pouco perceptível, e o vírus, que é menos complexo, dispõe de mutações que mudam expressivamente. Em relação ao coronavírus, somos nós quem desenvolvemos uma seleção artificial. Isso ocorre com todos os patógenos. Os organismos muito complexos têm mais dificuldades para produzirem variantes. Quanto mais deixamos o vírus replicar, mais chance tem de uma variante aparecer, isto é, quanto mais gente replicar e demorarmos para ações efetivas para conter a pandemia, mais variantes teremos. Precisamos fazer a lição de casa. A principal causa de transmissão é a partir das vias respiratória, com a aproximação entre pessoas”, ressalta.

Por fim, Grinbaum avalia que no Brasil, há uma combinação perigosa, com um nível de transmissão alto, grande número de contaminados e frequência de mutações elevadas, combinadas ainda com uma taxa lenta de vacinação e contaminados que infectam pessoas já vacinadas, e disso surgem as variantes.

“As variantes do Sars-CoV2 são inúmeras. As mutações conferem em vantagem seletiva e a principal se dá quando se altera a proteína de ligação, como citado no ECA2. Não há diferenciação de gravidade entre países, que existe, é uma detecção maior entre alguns países e outros, devido ao maior ou menor grau de investimento em ciência, por exemplo”.

Variantes de interesse: com marcadores genéticos que indicam alteração em receptores de ligação, neutralização por anticorpos reduzida, diminuição da eficácia terapêutica, impacto diagnóstico ou potenciais aumento da transmissibilidade ou patogenicidade. Portanto, as mutações ocorrem na proteína S.

Variantes preocupantes: variantes com evidência demonstrada de aumento de patogenicidade, transmissibilidade, redução de resposta vacinal ou prejuízo nos exames diagnósticos. Basicamente são cinco variantes classificadas como preocupantes e como várias mutações. As principais são: a variante britânica, a sul-africana e a brasileira-japonesa.

Os cuidados ainda são o distanciamento social e a higienização frequente das mãos, finaliza.

Dr. Renato Grinbaum – Renato atua como médico infectologista. Doutorado em Clínica Médica. Atualmente é Professor da Universidade Cidade de São Paulo. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Clínica Médica, atuando principalmente em: residência, infectologia, infecção hospitalar e antimicrobianos.

Fonte: www.unicid.edu.br

Estudo publicado na revista Nature mostra que isso acontece com quem desenvolveu a covid-19 de forma leve ou moderada

MERS virus, Meadle-East Respiratory Syndrome coronovirus, 3D illustration

Estudo publicado na revista Nature revelou, pela primeira vez, que pessoas que contraíram a doença de forma ligeira ou moderada desenvolvem uma célula imunológica capaz de produzir anticorpos contra o SARS-CoV-2 para o resto da vida.

Uma das observações em pessoas infectadas pelo SARS-CoV-2 mostra que o nível de anticorpos – proteínas capazes de impedir o vírus de infectar as células – começa a diminuir após quatro meses. O importante é perceber se, apesar da queda de anticorpos, o doente desenvolveu também uma resposta imunológica completa, que inclui a criação de glóbulos brancos capazes de eliminar o vírus, muitos meses e até anos após a primeira infecção.

Fonte: https://noticias.r7.com

A pandemia tem gerado mais tempo em casa para muitos brasileiros, principalmente agora com restrições maiores novamente.  Apesar do momento turbulento, muita gente tem aproveitado esse tempo de isolamento para cuidar da aparência, com destaque para os casos de quem procura a cirurgias plásticas.

Brasil é pelo segundo ano consecutivo o país que mais realiza cirurgias estéticas

O Brasil, campeão pelo segundo ano seguido em cirurgias do tipo, realizando 13,1% do total mundial segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, viu um aumento significativo na procura durante a pandemia.

A grande vantagem, que vem impulsionando essa busca, é o tempo que pode se passar em casa, já que o período de repouso é uma das partes mais importantes para o pós-operatório. “Nosso corpo consome muita energia enquanto se recupera e cicatriza, ter uma fase de pouco movimento físico é essencial tanto para a saúde como para alcançar o resultado desejado”, explica Dr. Pedro Lozano, cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Outro fator para esse aumento, que segundo Lozano tem sido pauta em seu consultório, é o quanto as pessoas passam agora se observando durante reuniões e encontros on-line, e também na hora de postar suas fotos nas redes sociais. “Muitos pacientes chegam na consulta com insatisfações que foram notadas enquanto se observavam pelas das telas, coisa que talvez não tivessem o mesmo tempo para fazer antes”, complementa.

Apesar de parecer um momento vantajoso para se dedicar à estética, existe um lado que requer maior cuidado devido a pandemia do coronavírus. O especialista explica que durante a recuperação de qualquer cirurgia, sofremos um abalo no sistema imunológico, e por isso o policiamento deve ser ainda maior.

“Nossas defesas ficam enfraquecidas naturalmente, por isso procuramos realizar apenas cirurgias de pequeno ou médio porte, para evitar longos períodos de internação” comenta o cirurgião.

“Hoje temos hospitais com fluxo Covid-Free, onde a equipe médica, de enfermagem, assim como o paciente e acompanhante, são testados antes da cirurgia, minimizando o risco de infecção,” explica. Apesar disso, além de todas recomendações que já são praxe hora de voltar para casa, o especialista também frisa muito a importância de lavar as mãos, higienizar tudo que venha de fora e sempre que possível, praticar o isolamento social.

Escutar as recomendações médicas neste momento em que passamos, é essencial, ainda mais quando falamos de uma intervenção cirúrgica. Doutor Lozano acredita que aproveitar a oportunidade de ficar em casa seja uma ótima decisão, desde que seja de forma responsável. “Seguindo os protocolos e tendo um médico especializado membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, as chances de infecção e complicações são mínimas”, finaliza.

Desde o ano passado, com a pandemia causada pelo coronavírus, têm surgido no mercado diversas soluções que prometem exterminar o vírus. A dúvida que fica é: quantas delas, de fato, conseguem essa proeza e, mais, quais são seguras para ser aplicada dentro de casa?

Diferentemente dos processos de limpeza comuns, que não são capazes de matar bactérias, fungos ou vírus, seja o Sars-Cov-2 ou quaisquer outros que já estão em nosso cotidiano, a radiação UV-C, encontrada em lâmpadas germicidas, desintegra o DNA desses micro-organismos devido a energia contida no comprimento de onda do raio de luz, destruindo sua estrutura e inativando as células vivas do vírus. Esse método já é usado há muitos anos no combate à transmissão de doenças, sobretudo em ambientes médicos, como hospitais e clínicas. 

Agora, tem conquistado o público por outros fatores também: além de ser altamente eficaz, se realizado por profissionais competentes que saibam dosar a intensidade da irradiação, a desinfecção é ecológica, pois a adição de produtos químicos não é necessária. Como consequência, se torna bastante segura para quem tem animais de estimação ou crianças em casa, minimizando o risco de alergia aos cheiros provocados pelos produtos de limpeza doméstica comumente utilizados. 

“As infecções causadas por patógenos transportados pelo ar caem ou se espalham pelas superfícies, por isso, importamos uma tecnologia da China para combater o coronavírus. A sanitização UV-C mata quase 100% desses agentes infecciosos quando associada a potência da luz ultravioleta, reduzindo a quase zero as chances de contaminação. É, portanto, uma maneira de evitar a disseminação do coronavírus, que continua em alta. O que até algum tempo era restrito aos hospitais, agora pode ser aplicada dentro da nossa casa ou veículo de transporte pessoal, pois precisamos estar sempre seguros e apostar em aparatos tecnológicos que garantem a sanitização destes espaços, sendo, assim, uma forma de contribuir de maneira positiva para barrar a transmissão do vírus”, explica Fritz Paixão CEO da CleanNew, rede especializada na higienização de estofados.

Outra vantagem é que não há possibilidade desses microrganismos desenvolverem resistência à radiação UV-C, como pode ocorrer com o uso de medicamentos e outros produtos. “O raio é absorvido imediatamente pelo DNA dos microrganismos destruindo sua estrutura e inativando as células infectantes. Não há como os vírus ou bactérias ficarem suscetíveis às mutações”, pontua o executivo.

Segundo Paixão, empresas do ramo que utilizam os raios ultravioletas, cresceu 95% no ano passado justamente pela preocupação em oferecer produtos com efeitos bactericidas para proporcionar aos clientes a sensação de bem-estar. “Mais de 70% das nossas clientes são mulheres preocupadas com a segurança dos filhos e familiares. O aumento foi um reflexo da mudança de comportamento do consumidor, que passou a ficar mais tempo dentro de casa, na sua cama e na sala de estar, que tem potencial para acumular sujidades e devem ser higienizados com frequência”, afirma.

 

Ser multitarefa tem sido tradicionalmente percebida como uma habilidade feminina, no entanto a atividade está mais relacionada ao acúmulo de funções do que à competência. Com a pandemia do Covid-19 e as mudanças na rotina muitas mulheres dobraram a quantidade de tarefas realizadas.

As mães que trabalhavam fora, foram obrigadas a equilibrar o home office com os estudos dos filhos, cuidados com a família e administração da casa. Não que isso não possa ser feito, mas sem organização torna-se um malabarismo perigoso com gatilhos como ansiedade, estresse e depressão que prejudicam quadros de uma das enfermidades que mais afetam as mulheres, as doenças reumáticas.

Com as mulheres representando mais de 60% dos casos de doenças reumatológicas no Brasil, sendo elas autoimunes como Lúpus, artrite reumatoide, ou degenerativas como osteoartrite e osteometabólicas como a osteoporose, os estudos sempre tentam buscar o porquê dessa população feminina ser a mais afetada.

Uma grande causa para a incidência ser maior nas mulheres são os hormônios femininos, que passam por alterações bruscas em períodos de gravidez e menopausa, podendo afetar de maneira específica o sistema imunológico. Tanto que muitas das doenças reumatológicas surgem após esses períodos de grande mudança hormonal no organismo. Além disso, o fato de que em muitas culturas (maioria) as mulheres serem as únicas responsáveis diretas pela função de multitarefa, pode levar a um estresse emocional, quadros depressivos e de ansiedade, que podem funcionar como o estopim no sistema imune, levando ao desenvolvimento de tais doenças. Outro fator decorrente de ser multitarefa é o cansaço e a dor musculoesquelética causada diretamente pelas “funções atribuídas à mulher”, o que claramente pode mascarar diagnósticos sérios como artrite, artrose, fibromialgia e até mesmo levar à perigosa automedicação.

Segundo a especialista da Cobra Reumatologia, Dra. Camille Figueiredo é preciso estar muito atenta às dores e aos inchaços nas articulações, principalmente nas mãos, punhos e pés.

Uma coisa é um dolorimento difuso muscular decorrente da sobrecarga de trabalho que envolve atividade física, como é o caso da atividade voltada à limpeza do lar, organização do ambiente, cozinhar, lavar etc. Outra coisa é o sono não reparador, seguido de dor ao levantar, com certa rigidez articular que precisa de “algum tempo” para que os movimentos habituais sejam realizados, além de dor localizada em articulações específicas como punhos e nas pequenas articulações das mãos, acompanhadas ou não de inchaço (edema articular); isso tudo nunca poderá ser encarado como “dolorimento normal de muita atividade”, tem algo acontecendo no organismo, que não é compatível com somente sobrecarga de atividade. E é nesse momento que a busca por atendimento especializado deve ser feita para evitar coisas como: automedicação, que pode mascarar algumas doenças reumatológicas por um certo período de tempo, atrasando o diagnóstico e consequentemente o tratamento dessas doenças, além de em grande parte das vezes levar à destruição óssea e articular, com prejuízo da função, por vezes irreversível, dependendo do atraso no início do tratamento reumatológico. – doutora Camille Figueiredo

Dores fortes que se estendem por mais de dois dias não são normais e não devem ser tratadas com analgésicos musculares. É preciso ficar atento se houve alguma lesão ou esforço físico excessivo que justifique a dor, caso contrário um reumatologista deve ser consultado.

Também para as pacientes que já possuem diagnóstico vale lembrar que a rotina e a dieta devem ser regradas para que o quadro reumático não piore. Abaixo a doutora Camille Figueiredo lista algumas dicas de como otimizar a rotina para ter uma vida saudável.

  1. Alimentação saudável: evite ao máximo incluir em sua dieta alimentos industrializados e condimentados. Controle a ingestão de sódio e carboidrato. Dê prioridade a frutas, vegetais e carne e claro, cálcio (leite, queijos e iogurtes, além de folhas verdes escuras).
  2. Adapte o ambiente: busque adaptar o ambiente às suas necessidades, use utensílios que facilitem atividades como abrir latas e potes, por exemplo.
  3. Dê uma folga aos seus pés: utilize calçados confortáveis, com solados rígidos para melhor estabilidade. Evitem saltos, para pacientes que apresentam deformidades e calosidades nos pés decorrentes da artrite reumatoide, recomenda-se sapatos especiais, de acordo com cada problema. Um calçado adequado garante equilíbrio articular e evita quedas (isso inclui retirar tapetes que deslizam e levam a quedas com fraturas, para quem tem fragilidade óssea).
  4. Inclua exercícios físicos prazerosos em suas atividades. O planejamento do programa de atividade física elaborado por um profissional ajudará a trazer ganho de força muscular, flexibilidade e equilíbrio. Além disso, a atividade física ajuda a controlar a doença, com melhora da dor, sono e humor.
  5. Além de exercícios físicos, exercícios que fazem bem à mente também são mais que necessários: inclua algum hobby como leitura, bons filmes, jogos, bordados, pintura, desenhos etc, algo que seja prazeroso ao seu dia a dia.
  6. Se organize e distribua as responsabilidades: ser multitarefas não é obrigação de ninguém. As funções podem ser divididas por todos que moram na casa e, se organizadas podem se tornar até bem-vindas na rotina.

Sobre a doutora: Formada pela Universidade do Estado do Pará (1998), Camille Pinto Figueiredo é responsável pelo braço acadêmico da Cobra Reumatologia. Com residência e doutorado realizados no Hospital das Clínicas (FMUSP) e pós-doutorado pela Friedrich-Alexander-University Erlangen-Nuremberg (Alemanha), Camille é médica e pesquisadora, dedicando-se, sobretudo, aos estudos sobre metabolismo ósseo e HR-pQCT. Em virtude de suas pesquisas, Camille foi congratulada com quatro prêmios, dentre eles, atribuídos pela Sociedade Brasileira de Densitometria Óssea, juntamente com outros pesquisadores: “Prêmio Antônio Carlos Araújo de Souza em Densitometria Clínica” (2008) e “III Prêmio de Incentivo à Pesquisa em Osteoporose e Osteometabolismo” (2011).

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