Novembro Azul e a saúde masculina: os exames que os homens devem fazer em cada fase da vida

No mês de conscientização sobre o tema, médicos indicam os check-ups necessários por faixa etária

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, quase um terço dos homens não têm o hábito de ir ao médico para prevenir doenças e buscar qualidade de vida. De acordo com a pasta, a falta de cuidados tem consequências: eles morrem mais cedo do que as mulheres e de doenças que poderiam ser prevenidas, como acidentes vasculares, infartos, câncer e doenças do aparelho digestivo.

 
 
Especialistas afirmam que não há uma tabela de exames comuns, conforme a faixa etária, para todos os pacientes. É preciso salientar que cada indivíduo é único. Apesar disso, a realização de determinados exames ainda na juventude pode determinar uma velhice mais saudável. Confira, a seguir, um calendário de avaliações médicas pelo qual os homens devem passar ao longo da vida:
 

Entre nove e 11 anos  

Triagem para dislipidemias (elevação de colesterol e triglicerídeos no plasma ou a diminuição dos níveis de HDL que contribuem para a aterosclerose): coletas de sangue para medidas que incluem colesterol total, triglicerídios, HDL e LDL.

Entre 11 e 14 anos  

Vacina HPV: vale conversar com o pediatra ou o urologista infantil sobre a imunização. Segundo o Ministério da Saúde, os HPVs são vírus capazes de infectar a pele ou as mucosas. Existem mais de 150 tipos, dos quais 40 podem infectar a região genital e provocar cânceres, como de colo do útero, vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe, e outros podem causar verrugas genitais. Os principais vírus são combatidos com duas doses da vacina de HPV, disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.

A partir dos 20 anos

Hemograma: consegue dar uma visão sistêmica do corpo, permitindo identificar sinais de doenças ou disfunções. Obesos e hipertensos devem fazer anualmente. Recomendado a cada três anos até os 40 anos. Depois dos 40 anos, deve ser feito anualmente.

Exame de glicemia: serve para medir o nível da glicose na circulação sanguínea do paciente. Obesos e hipertensos devem fazer anualmente. Recomendado a cada três anos até os 40 anos. Depois dos 40, deve ser feito anualmente.

Exame de colesterol: inclui uma série de análises, determinando os níveis de colesterol total (CT), triglicerídeos (TG) e colesterol da lipoproteína HDL (HDL-C), e principalmente o LDL. Obesos e hipertensos devem fazer anualmente. Recomendado a cada três anos até os 40 anos. Depois dos 40, deve ser feito anualmente.

Dosagem de creatinina: confere o funcionamento dos rins. Obesos e hipertensos devem fazer anualmente. Recomendado a cada três anos até os 40 anos. Depois dos 40, deve ser feito anualmente.

Autoexame nos testículos: realizar, pelo menos a cada seis meses, para detectar a presença de nódulos no local. Apesar de raro (5% do total de casos de câncer entre os homens), preocupa porque a maior incidência é em homens em idade produtiva. É facilmente curado na fase inicial. Em caso de dor testicular, não espere o autoexame: consulte um urologista.  

A partir dos 30 anos

Eletrocardiograma básico: detecta arritmias, aumento de cavidades cardíacas, patologias coronarianas, infarto do miocárdio e outros diagnósticos. Permite avaliação da atividade cardíaca em repouso.

A partir dos 35 anos

Exame de TSH: identifica doenças da tireoide. Recomendado a cada cinco anos.

A partir dos 40 anos

Teste ergométrico (de esforço): exame que estima o risco cardiovascular, a frequência cardíaca, o ritmo cardíaco, a pressão arterial e outros parâmetros cardiológicos durante a realização de um esforço físico gradual e crescente. É realizado com o paciente caminhando ou correndo em uma esteira rolante ou pedalando em uma bicicleta ergométrica.

Ecocardiograma: para avaliar a parte mecânica e funcional do coração e as válvulas internas. Realizado conforme decisão clínica. A periodicidade dependerá da presença ou não de patologias.

Ecografia abdominal total: identifica alterações no abdômen, visualizando órgãos internos, como fígado, vesícula biliar, pâncreas, baço, rins, útero, ovário, bexiga e próstata. Recomendada a cada dois anos.

Ecodopler de carótidas: para pacientes com histórico familiar de pressão alta, diabetes, colesterol alto e casos de AVC. Exame complementar de diagnóstico que mostra a anatomia e circulação nas artérias carótidas e vertebrais (que fornecem sangue para o cérebro). Exame usado para avaliar idade vascular e complementar a estratificação de risco. Indicada a cada dois anos. Em caso de placas significativas, anualmente.

Laboratório: creatinina, ureia, tireoide, glicose, colesterol, triglicerídeos, de urina e de fezes. Deve ser realizado anualmente.

Avaliação dermatológica: previne o câncer de pele.

Preste atenção

Lembre-se do hemograma e dos exames de glicemia, colesterol, creatinina e transaminase, que a partir dos 40 anos devem ser feitos anualmente.

A partir dos 45 anos até os 75

Consulta com urologista: o especialista deve ser visitado anualmente para averiguar a próstata. O volume de uma próstata normal é de até 30 gramas. Homens da raça negra ou com histórico de câncer de próstata devem consultar a partir dos 45 anos.  

A partir dos 50 anos

Urologista: discutir com o urologista questões relacionadas à disfunção erétil, em caso de ocorrência.

Colonoscopia: se tiver sintomas intestinais ou histórico familiar de pólipos ou câncer de intestino precoce (antes dos 60 anos), realizar antes dessa idade. A regularidade do exame será apontada pelo médico, dependendo do caso. Deve ser rotineira a cada cinco anos.

Eletrocardiograma em repouso: detecta arritmias, aumento de cavidades cardíacas, patologias coronarianas, infarto do miocárdio e outros diagnósticos. Permite avaliação da atividade cardíaca em repouso. Deve ser feito anualmente.

Teste ergométrico (de esforço): anual em pacientes de risco intermediário e a cada dois anos em pacientes de baixo risco.

Densitometria óssea: serve para verificar a densidade dos ossos e deve ser realizada para verificar a ocorrência de osteoporose.

Teste de Vitamina D e Vitamina B12: deve ser realizado a cada dois anos. Indicações de dosagens mais frequentes devem ser individualizadas, de acordo com a situação do paciente.

Escore de cálcio coronariano: avalia e quantifica a presença de cálcio nas artérias do coração. Exame utilizado em pacientes de risco intermediário, com obesidade, hipertensão, diabetes e histórico familiar importante, em que os outros métodos de estratificação de risco tenham resultados conflitantes. Identifica calcificações nas coronárias por meio de uma tomografia de tórax. Nesses pacientes, pode ser indicado a partir dos 40 anos.

Angiotomografia de coronárias: exame de diagnóstico por imagem que usa um tomógrafo para evidenciar características das artérias. Cateterismo virtual.

Fontes: Eduardo Carvalhal, presidente da seccional RS da Sociedade Brasileira de Urologia e chefe do Serviço de Urologia do Hospital Moinhos de Vento; Jacqueline Rizzolli, endocrinologista do Centro de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital São Lucas da PUCRS; Fabio Canellas, cardiologista e chefe do serviço de check-up cardiovascular da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre

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